tensão política

PT ensaia mea-culpa e rejeita papel de “bode expiatório da corrupção”

Partido de Dilma quer preparar manifestações para confrontar os pedidos de impeachment

O ex-presidente Lula na reunião do PT, em São Paulo.
O ex-presidente Lula na reunião do PT, em São Paulo.NELSON ALMEIDA (AFP)

Diante de uma das maiores crises desde a sua criação há 35 anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira um manifesto no qual defende que a agremiação se afaste do “pragmatismo pernicioso” no qual está envolvido há 12 anos e que os militantes e o Governo não deem trégua ao “cretinismo parlamentar”, sem maiores explicações sobre quem seriam os destinatários dessa mensagem no Congresso. O documento foi assinado por 27 representantes estaduais do PT e divulgado logo após uma reunião extraordinária feita especificamente para discutir como reagir à ofensiva de críticos e opositores contra o Governo Dilma Rousseff e contra a sigla. O encontro teve a participação do principal líder petista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não falou com a imprensa.

Os dirigentes do PT concluíram que a atual estratégia de seus opositores, marcada principalmente pelos protestos e pedidos de impeachment, é uma campanha de “cerco e aniquilamento”. “Como já propuseram no passado, é preciso acabar com nossa raça. Para isso vale tudo, inclusive criminalizar o PT”, detalhou o manifesto. O documento chamou os oposicionistas de maus perdedores, que querem reverter o resultado eleitoral sem eleições. Citou ainda que o objetivo dos insatisfeitos com o Governo Rousseff seria transformar o PT no “bode expiatório da corrupção nacional”. 

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Com oito membros investigados pela operação Lava Jato, entre eles o tesoureiro João Vaccari Neto, os 27 diretórios estaduais defenderam também a exclusão de seus filiados que forem condenados por qualquer crime. Não detalham, porém, o destino de de Vaccari do cargo que ocupa na legenda.

Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, apenas dois diretórios estaduais (de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul) sugeriram o afastamento específico de Vaccari da função e de qualquer investigado no escândalo. Porém, como a reunião não era deliberativa, a sugestão nem foi posta em discussão. Se for apresentada no próximo dia 17, no encontro do diretório nacional, os representantes do PT serão obrigados a se manifestar sobre o tema.

Além dos protestos que reuniram milhares de pessoas pelo Brasil, o Governo Rousseff se depara com uma série de derrotas no Congresso Nacional. Algumas delas promovidas pelo PMDB, que até o momento é o seu principal aliado, tendo o vice-presidente e cinco ministérios, além das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

Frente ampla

Na reunião, os líderes partidários decidiram que, diante do atual cenário, chegou o momento de desencadear um amplo processo de agitação e mobilização em defesa da legenda, além de unificar várias agremiações e movimentos sociais em uma frente suprapartidária unida em torno de uma plataforma de mudanças _Rui Falcão defendeu que o Governo discuta com esses movimentos as medidas do ajuste fiscal. Para a legenda, a economia passa por "dificuldades passageiras".  Entre outros pontos, os petistas querem promover bandeiras como a democratização da mídia, as reformas política e fiscal. Pretendem também convencer seus deputados e senadores a votarem a favor da taxação de grandes fortunas.

O ex-ministro da Educação e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro foi um dos principais defensores da frente suprapartidária. Há dez anos, quando ocorreu o mensalão, Genro chegou a defender a refundação do partido. Agora, diz que o PT deveria se unir aos movimentos sindicais e fazer uma frente ampla para disputar as eleições de 2018. “Hoje há uma incoerência estrutural. A coalizão do Governo tem elementos que acabam atuando também na oposição. É hora de rever essa situação. A atual coalizão está vencida. Não tem futuro”, afirmou.

Lula vai a ato "pela democracia"

A. B.

As primeiras ações em defesa da gestão Dilma Rousseff ocorrerão nesta terça-feira, no sindicato dos Bancários de São Paulo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem participação prevista. Pode ser o primeiro discurso público do líder petista após as multitudinárias passeatas anti-PT e anti-Dilma em março.

“Precisamos enfrentar os flertes de alguns setores com o golpismo”, disse Rui Falcão, presidente do PT. Outras mobilizações estão previstas em várias cidades brasileiras para o 1º de abril, data escolhida em alusão ao golpe militar de 1964. “O que defendemos é democracia sempre mais, ditadura nunca mais”, reafirmou o dirigente petista. A ideia é contrapor os novos protestos que pedem a saída de Rousseff, mas o petista alertou: "Não estamos fazendo guerra de quem põe mais gente na rua”.

O maior dos atos anti-Dilma  está previsto para  o próximo dia 12. No fim de semana, o Vem Pra Rua, um dos grupos que convocaram as marchas de 15 de março e as novas do mês que vem, anunciou que estuda apoiar um pedido de impeachment da presidente. Até então, eles eram os mais moderados dos organizadores e diziam não haver razão para impugnação do mandato.

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