Na ONU, Maduro exige a suspensão de todas as sanções contra a Venezuela

Presidente participa da Assembleia Geral da ONU com um vídeo pré-gravado, para evitar ser detido caso entrasse nos EUA

Nicolás Maduro em seu discurso virtual à Assembleia Geral das Nações Unidas, gravado em Caracas (Venezuela). Em vídeo, declarações do Presidente.
Nicolás Maduro em seu discurso virtual à Assembleia Geral das Nações Unidas, gravado em Caracas (Venezuela). Em vídeo, declarações do Presidente.Prensa Miraflores (EFE/Prensa Miraflores)
Mais informações

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, exigiu nesta quarta-feira à Assembleia Geral das Nações Unidas “a suspensão das sanções criminosas” contra o seu país. “Ratificamos nossa exigência de sejam suspensas todas as sanções criminosas contra a economia venezuelana e contra a sociedade venezuelana por parte dos Estados Unidos e dos governos da União Europeia”, reivindicou Maduro em um discurso pré-gravado e exibido em um telão.

Nicolás Maduro não foi pessoalmente à sede da ONU, em Nova York, por causa do receio de ser preso se pisasse em solo norte-americano, já que sobre ele pesam, desde março de 2020, acusações penais por terrorismo e narcotráfico. Além disso, as autoridades dos EUA oferecem uma recompensa de 15 milhões de dólares por sua captura. Março de 2020 havia sido também a data da última viagem internacional do presidente até sábado passado, 18 de setembro, quando de forma inesperada o líder bolivariano viajou até o México para participar da cúpula da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos).

Com a ameaça da prisão pendendo sobre sua cabeça, Maduro repetiu um discurso pronunciado muitas outras vezes, no qual justificava sua “exigência” com base na “razão e moral que acompanham 30 milhões de venezuelanos e venezuelanas”. O mandatário solicitou repetidamente ao Governo dos EUA que desbloqueie o dinheiro da Venezuela retido no sistema bancário internacional devido às sanções.

Apoie a produção de notícias como esta. Assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$

Clique aqui

Do púlpito privilegiado que lhe concede o discurso da Assembleia Geral, Maduro aproveitou para recordar que seu país levou “em múltiplas ocasiões” a diversos organismos do sistema da ONU “a denúncia do ataque feroz, da campanha feroz” que ele diz existir contra Caracas. Para o sucessor de Hugo Chávez, essa campanha conta com “a cumplicidade das elites” que lideram os organismos europeus. “Quiseram instrumentalizar os organismos internacionais do direito internacional para justificar a campanha feroz e os ataques criminosos contra o povo da Venezuela”, salientou.

Maduro denunciou que “as contas financeiras são perseguidas, o ouro das reservas internacionais do Banco Central da Venezuela em Londres foi sequestrado e bloqueado, tivemos bilhões de dólares sequestrados e bloqueados em contas bancárias nos EUA, na Europa e em outros lugares”. Tudo isso, segundo o presidente, como parte de “uma agressão permanente e sistemática” através de sanções de todo tipo, que tachou de “cruéis”.

Chegado o momento, o venezuelano pediu “todo o apoio das Nações Unidas” para que o processo de diálogo iniciado em 13 de agosto com a oposição no México avance. Essa mesa de negociação foi instalada sob o patrocínio da Noruega, embora Washington acompanhe de perto seu desenrolar. A Venezuela rompeu relações com os Estados Unidos em 2019, argumentando que esse país impulsiona planos para desestabilizar ao Governo e forçar sua derrocada. Washington congelou todos os ativos do Governo venezuelano nos Estados Unidos e proibiu os norte-americanos e seus sócios internacionais de fazerem negócios com Caracas para pressionar Maduro a deixar o poder. Washington afirma que o líder venezuelano foi eleito em 2018 em um pleito fraudado.

A terceira rodada desse processo de diálogo terá lugar entre esta sexta e a próxima segunda. “Agradeço o apoio do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao processo de diálogo do México e peço todo o apoio das Nações Unidas para que o processo de diálogo no México avance para novos acordos parciais e para um acordo global de fortalecimento da paz, da soberania e da prosperidade integral da Venezuela”, declarou Maduro.

Inscreva-se aqui para receber a newsletter diária do EL PAÍS Brasil: reportagens, análises, entrevistas exclusivas e as principais informações do dia no seu e-mail, de segunda a sexta. Inscreva-se também para receber nossa newsletter semanal aos sábados, com os destaques da cobertura na semana.


Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
Logo elpais

Você não pode ler mais textos gratuitos este mês.

Assine para continuar lendo

Aproveite o acesso ilimitado com a sua assinatura

ASSINAR

Já sou assinante

Se quiser acompanhar todas as notícias sem limite, assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$
Assine agora
Siga-nos em: