Alberto Fernández relança sua gestão na Argentina com novos ministros e promessas de unidade

Presidente peronista dá por superada a disputa com sua vice, Cristina Fernández de Kirchner

Os novos ministros do Gabinete de Alberto Fernández durante sua posse na Casa Rosada, nesta segunda-feira.
Os novos ministros do Gabinete de Alberto Fernández durante sua posse na Casa Rosada, nesta segunda-feira.NATACHA PISARENKO (AFP)
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Alberto Fernández relançou seu Governo nesta segunda-feira. Uma semana depois de uma dura derrota eleitoral, o presidente da Argentina deu posse aos cinco ministros que traçarão o novo perfil do Executivo. Fernández considera assim superada a disputa com sua vice-presidenta e mentora política, Cristina Fernández de Kirchner. A guerra entre os sócios se seguiu ao mau resultado do peronismo nas eleições primárias de 12 de setembro e termina com a saída do braço-direito do presidente na chefia de Gabinete, Santiago Cafiero, e a chegada, no seu lugar, do governador de Tucumán, Juan Manzur, que representará o poder das províncias dentro do Gabinete.

Fernández cedeu a todas as exigências de Cristina Kirchner. Manteve no seu cargo o ministro de Interior, Eduardo de Pedro, que havia apresentado sua renúncia na quarta-feira passada, desencadeando a mais grave crise da coalizão peronista que governa a Argentina desde 2019. O presidente sacrificou Cafiero e também seu porta-voz, Juan Pablo Biondi, seu núcleo mais íntimo. Cristina Kirchner pressionava, contra a vontade presidencial, por uma renovação imediata da equipe de Governo, como forma de melhorar nas eleições legislativas de 14 de novembro o desempenho ruim nas primárias de uma semana atrás. O peronismo unido perdeu aquela eleição, uma prévia obrigatória que antecipa o resultado real, em 18 dos 24 distritos do país (as províncias e a cidade de Buenos Aires). Uma das poucas províncias onde o peronismo venceu foi Tucumán, no norte. E de lá saiu seu governador, Juan Manzur, para ocupar a chefia de Gabinete.

O presidente da Argentina, na Casa Rosada. Em vídeo, declarações de Fernández, em espanhol.

Na cerimônia de posse da nova equipe, o presidente Fernández proferiu um discurso em tom de campanha. Disse que tinha aproveitado uma reunião com os governadores peronistas no fim de semana para “refletir” e “tomar distância” da luta fratricida que marcou a última semana política da Argentina. “Não vão me ver preso a disputas desnecessárias, em disputas internas”, disse. “Sou presidente do Partido Justicialista [peronismo] e me preocupa muito mais um movimento político silenciado, obediente, que não discute, do que um que reflete.”

A escolha dos novos ministros reflete uma volta à estrutura tradicional do peronismo, com muitas figuras que já tiveram altos cargos, sobretudo durante o primeiro kirchnerismo, entre 2003 e 2007. “Procurei entre aqueles que trabalharam comigo naquele maravilhoso governo de Néstor Kirchner”, disse. A figura mais relevante dessa equipe é Aníbal Fernández, “ministro de várias coisas”, como foi apresentado nesta segunda-feira pelo presidente. E Juan Manzur, um médico de profissão que foi ministro da Saúde de Cristina Kirchner. A escolha de Manzur dá ao Gabinete um brilho federal que o anterior não tinha, um sinal de que Alberto Fernández decidiu, finalmente, honrar a promessa que tinha feito no início de seu mandato aos governadores de somá-los à estrutura do poder central.

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O Governo tem agora cinco semanas para recuperar parte dos votos perdidos desde 2019, produto da crise econômica, da pandemia e de um desânimo geral em relação à classe política. Está em jogo o controle do Congresso, hoje nas mãos do peronismo. “Devemos nos unir para virar os resultados do domingo passado, para que nossos irmãos vejam que há pela frente um país para reconstruir”, disse Fernández.

Além da mudança de ministros, haverá anúncios econômicos durante esta semana. Ninguém pensa em resolver a questão de fundo (três anos consecutivos de queda do PIB, alta do desemprego e da pobreza e uma inflação de 50%), mas em transmitir uma percepção de prosperidade em curto prazo. Para isso o Governo despejará dinheiro na economia, seja em forma de créditos a taxa zero, um aumento do salário mínimo e um bônus para os aposentados. Depois da eleição, começará outra história.

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