Estados Unidos

Biden ataca Putin e diz que o considera “um assassino”

Presidente dos EUA alerta em entrevista que a Rússia “pagará um preço” por sua ingerência nas eleições norte-americanas, apontada por investigação divulgada na terça

Joe Biden, em seu primeiro discurso à nação, em 11 de março. Em vídeo, um trecho da entrevista à ABC News em que o presidente dos EUA adverte que a Rússia “pagará um preço” por tentar interferir nas eleições presidenciais.
Joe Biden, em seu primeiro discurso à nação, em 11 de março. Em vídeo, um trecho da entrevista à ABC News em que o presidente dos EUA adverte que a Rússia “pagará um preço” por tentar interferir nas eleições presidenciais.ALEX WONG / Europa Press

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—O sr. acredita que Vladimir Putin seja um assassino?

—Sim, acredito.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, usou uma entrevista ao canal ABC News para atacar seu homólogo russo, Vladimir Putin. Em meio à conversa com o apresentador George Stephanopoulos, a ser exibida nesta quarta-feira, Biden aborda o diálogo telefônico de uma hora que manteve com Putin logo depois de tomar posse na Casa Branca: “Conheço você e você me conhece. Se eu souber que aconteceu [uma ingerência eleitoral], então se prepare”, advertiu-lhe o democrata. A entrevista chega depois da confirmação de que tanto a Rússia como o Irã procuraram influenciar no resultado das eleições presidenciais norte-americanas de 2020, segundo um relatório publicado nesta terça-feira pelo Escritório do Diretor Nacional de Inteligência. “Vocês pagarão um preço”, ameaçou o democrata.

O relatório dos serviços secretos dos EUA afirma que Moscou, com a autorização do presidente Putin, promoveu operações em favor do aspirante republicano e então presidente, Donald Trump. O mandatário norte-americano afirma na entrevista a Stephanopoulos que as consequências a serem pagas pelo Kremlin por seus esforços para influenciar no pleito de 3 de novembro não tardarão a chegar: “Logo vocês as verão”, sentenciou. “Na minha experiência, o mais importante ao tratar com líderes estrangeiros —e já tratei com muitos— é conhecer a outra pessoa”, afirmou o democrata. Também revelou que, quando era vice de Barack Obama, se reuniu a sós com Putin, olhou nos seus olhos e não viu “uma alma”.

O documento de inteligência conclui que, apesar das tentativas descritas, as agências de espionagem dos EUA não encontraram provas de que alguma figura estrangeira de peso tenha conseguido alterar a eleição através da manipulação do registro eleitoral, falsificação de votos ou alterações na apuração e divulgação dos resultados. O relatório dos serviços de inteligência “não tem nenhum fundamento”, respondeu o porta-voz do Governo russo, Dmitri Peskov. Lamentou também que “esses documentos, longe de serem rigorosos”, possam servir como pretexto para impor novas sanções à Rússia.

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“Diferentemente de 2016, desta vez não detectamos nenhuma tentativa cibernética de infiltração nas infraestruturas eleitorais”, informa o documento elaborado pelos EUA. Nas eleições de 2016, piratas informáticos russos acessaram os computadores do Partido Democrata e publicaram e-mails que prejudicaram a candidatura da democrata Hillary Clinton. A investigação —que teve a colaboração da CIA, FBI e Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês)— também revelou os esforços do Irã para solapar a confiança no processo eleitoral e prejudicar a reeleição de Trump. O documento afirma que Moscou e Teerã se dedicaram a “espalhar declarações falsas ou exageradas dizendo que, supostamente, os sistemas de votação não eram confiáveis, o que enfraqueceu a confiança do público no processo e no resultado”.

O relatório também conclui que a China não desenvolveu nenhuma interferência e, embora tenha cogitado fazê-lo, não mobilizou nenhum esforço para alterar o resultado das eleições presidenciais. Isto contradiz a teoria de Trump sobre uma ameaça latente de Pequim. O republicano chegou a dizer que a China faria “todo o possível” para evitar sua reeleição.

Coronavírus e Cuomo

No decorrer da entrevista, Biden se mostrou surpreso com a grande politização que pesa sobre a pandemia: “Honestamente, achei que, quando garantíssemos que teríamos vacina suficiente para todos, as coisas começariam a se acalmar”. O presidente não entende que alguns cidadãos não queiram receber a vacina alegando que recusá-la é um “direito como norte-americano” ou reivindicando “a liberdade” de não se imunizar. “Por que não ser patriota? Você protege outras pessoas [ao se vacinar]”, disse Biden.

Após vários dias sem se posicionar sobre a recente investigação por assédio sexual do governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, o presidente norte-americano afirmou que este deveria renunciar se for confirmada a veracidade das denúncias. Vários deputados estaduais e altos funcionários do Partido Democrata, como a deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, fizeram um apelo a Cuomo para que se afaste. Ele nega as acusações.

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