EUA revela nova tentativa de ingerência eleitoral russa às vésperas do pleito legislativo

Justiça indicia mulher de São Petersburgo por participar da “fábrica de notícias falsas” durante a campanha para as eleições do próximo 6 de novembro

O presidente da Rússia, Vladimir Putin.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin.Mikhail Svetlov (Getty Images)

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A menos de três semanas das eleições legislativas nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça acusou nesta sexta-feira Elena Khusyaynova, contadora russa de 44 anos, de tentar interferir nas eleições de novembro. A acusação contra Khusayaynova é por crime de conspiração contra os EUA por suposta manipulação das finanças da “fábrica russa de notícias falsas”, batizado de Projeto Laktha. A operação foi criada para “semear a discórdia no sistema político norte-americano” por meio de publicidade e promoção de contas inventadas nas redes sociais, entre outras. A chamada “guerra de informação” abordava questões políticas polêmicas como imigração, controle de armas e as marchas das mulheres. As forças de inteligência dos EUA advertiram quanto a sua preocupação com as “campanhas em curso” de Rússia, China e Irã para interferir na próxima eleição e até nas presidenciais de 2020.

A operação da qual Khusyaynova participou foi financiada pelo oligarca russo Yevgueny Prigozhin e as duas empresas que controla: Concord Management e Consulting LLC. O procurador especial Robert Mueller, encarregado da investigação que tenta esclarecer se Donald Trump e sua equipe colaboraram com a ingerência de Moscou nas eleições de 2016, acusou em fevereiro dezenas de pessoas, entre os quais Prigozhin e três de suas empresas (Internet Research Agency LLC, Concord Management and Consulting e Concord Catering) de ter interferido nas eleições presidenciais norte-americanas. Prigozhin é conhecido como “o cozinheiro de Putin”, já que seu poderoso império de serviços de alimentação sempre abastece os banquetes do presidente russo graças a suas boas relações com a classe dirigente.

A Direção Nacional de Inteligência afirmou em um comunicado que os funcionários “não têm nenhuma evidência de que a infraestrutura eleitoral esteja comprometida para que os adversários evitem o voto, mudem a contagem ou interrompam a capacidade de contar os votos nas eleições legislativas”. A declaração também foi assinada pelo Departamento de Justiça, pelo FBI e pelo Departamento de Segurança Nacional. Estas duas últimas instituições estabeleceram grupos de trabalho exclusivos para detectar operações de influência estrangeira e compartilhar informações sobre ameaças dentro do governo, em colaboração com empresas tecnológicas e funcionários eleitorais estatais e locais.

Desde sua concepção, a “fábrica das mentiras” criou milhares de contas falsas nas redes sociais e e-mails que simulam ser de pessoas norte-americanas. Também registrou nomes de domínio que não eram o que diziam ser e comprou serviços proxy para estender seus tentáculos à maior quantidade de cidadãos possíveis. Desde 2016 até junho de 2018, o orçamento operacional do Projeto Lakhta ultrapassou os 35 milhões de dólares, apesar de apenas uma parte desses fundos ter-se destinado aos EUA. Só entre janeiro e junho deste ano, o dinheiro investido ultrapassou os 10 milhões.

Os membros da operação foram orientados, entre outras coisas, a criar uma “intensidade política mediante o apoio a grupos radicais” e a “agravar o conflito entre as minorias e o restante da população”, segundo o Departamento de Estado. A denúncia penal não inclui nenhuma afirmação de que Khusyaynova ou a conspiração em geral tenham tido algum efeito sobre a eleição.

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