CORONAVIRUS

Em meio à segunda onda, mortes por covid-19 na Espanha voltam ao nível da época de confinamento

Embora número de novos casos notificados registre queda, Ministério da Saúde do país contabilizou 411 mortos por coronavírus em um único dia, recorde desta fase da pandemia

UTI do Hospital Universitário Marqués de Valdecilla, em Santander, em 3 de novembro.
UTI do Hospital Universitário Marqués de Valdecilla, em Santander, em 3 de novembro.Servicio Ilustrado (Automático) / Europa Press

“Dá a sensação de que estamos em uma situação de estabilização”, disse nesta terça-feira Fernando Simón, diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias (CCAES) da Espanha. O número de novos casos de coronavírus notificados (17.395) foi um dos mais baixos das últimas semanas. É preciso retroceder à quarta-feira 21 de outubro para encontrar um menor. No entanto, as mortes bateram um novo recorde. O Ministério da Saúde contabilizou 411 mortes em um dia. É o número mais alto desta segunda onda, com exceção do desta segunda-feira, que não é comparável porque inclui todas as mortes registradas durante o fim de semana. A última vez que mais de 400 mortes foram acrescentadas à estatística em um único dia foi em abril, quando o país estava em confinamento domiciliar. Nos piores dias, no final de março e início de abril, o número chegou perto do milhar de mortes.

A estabilização nos novos contágios vinha sendo observada há alguns dias. Segundo Simón, “o pico de máxima transmissão desta segunda onda foi alcançado entre os dias 24 e 25 de outubro”. Desde então foram observadas “pequenas quedas, embora seja preciso ter cautela, pois podem se dever a algum atraso nos dados”, disse.

A tendência, em todo o caso, é de “estabilização”, o que soa como uma boa notícia, mas não deve ser vista com muito entusiasmo, porque a incidência acumulada na Espanha continua a ser superior a 500 casos por 100.000 habitantes (525 nesta terça-feira, contra 529 no dia anterior). Como o próprio Simón lembrou, a situação é considerada de risco, pois ultrapassa os 60 casos por 100.000 habitantes, razão pela qual a Espanha ainda está muito longe de melhorar. “Temos quase 10 vezes mais”, lembrou, e apontou que seria necessário baixar do patamar de 200 ou 250 para começar a pensar “em modificações importantes das normas sanitárias”. Em outras palavras, as restrições durarão bastante tempo.


O diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias da Espanha, Fernando Simón, diz que a incidência acumulada dos casos a cada 14 dias está se estabilizando (em espanhol).

Aragão e Navarra são as comunidades autônomas (os equivalente a estados na Espanha) com maior incidência, superior a 900 casos por 100.000 habitantes, mas muito próximas estão Castela e Leão (859), La Rioja (797) e o País Basco (779). A Andaluzia, com 569 casos por 100.000 habitantes, vive uma segunda onda pior que a primeira, com províncias como Granada com seu hospital principal com 80% de ocupação dos leitos de UTI, relata Javier Martín Arroyo. Esta comunidade ultrapassou a barreira das 3.000 mortes ao acrescentar mais 95 à contagem (de acordo com seus registros; a contagem do Ministério da Saúde acrescentou 90 e deixou o total em 2.975). Os 90 mortos representam 22% do total de vítimas contabilizadas nesta terça-feira.

A pressão sobre os hospitais continua alta, tanto na internação normal quanto nas unidades de terapia intensiva, e Simón avisou que levará vários dias para se estabilizar como aconteceu com os contágios. A média de leitos ocupados na UTI é de 32%, mas oito comunidades estão acima de 40%, uma situação complicada porque implica em “sobrecarga do pessoal” e é algo que se deveria “evitar aumentar além da conta”, segundo o diretor do CCAES. Há comunidades, disse ele, que tiveram de reduzir a atividade programada em seus hospitais.

“Nos próximos dias pode haver alguma redução, mas não podemos garantir; é preciso ser muito cauteloso com a avaliação”, acrescentou. A melhora na internação –atualmente são 20.943 pessoas internadas, ocupando 17% dos leitos– será percebida antes que a melhora nas UTIs, onde as internações são mais longas.

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