Eleições nos EUA

Buttigieg e Sanders lideram primária democrata em Iowa, mostram resultados parciais

Apuração começou com enorme atraso, mas partido descarta um ataque digital e atribui a demora à necessidade de controles de qualidade adicionais no pleito que definirá o adversário de Trump

Apoiadores de Pete Buttigieg, pré-candidato do Partido Democrata, esperam resultado de apuração em Des Moines, Iwoa.
Apoiadores de Pete Buttigieg, pré-candidato do Partido Democrata, esperam resultado de apuração em Des Moines, Iwoa.GARY HE / EFE
Des Moines (Iowa, EUA) - 04 feb 2020 - 10:51 UTC

O tiro de largada na corrida pelo cargo mais importante do mundo se transformou na madrugada desta terça-feira em uma festa da confusão, um fracasso sideral. O aguardado anúncio dos resultados dos caucus de Iowa, as assembleias de bairro que marcam o início do processo de eleições primárias, foi adiado por problemas técnicos envolvendo o aplicativo utilizado pela primeira vez para a apuração e “incongruências” na informação recebida. No primeiro round do duelo democrata pela Casa Branca, a surpresa não foi nem uma vitória expressiva do favorito Bernie Sanders nem um desabamento de Joe Biden nem o ressurgimento inesperado dos aspirantes retardatários. O que ninguém antevia é que, já depois da meia-noite (hora local, 3h em Brasília), a informação permaneceria indisponível. Fontes partidárias disseram que os dados estariam disponíveis no decorrer do dia, pois estavam sendo manualmente verificados.

Só na tarde desta terça-feira apareceriam os primeiros resultados, e com surpresa. Às 19h31 (horário de Brasília), com pouco mais de 62% das urnas apuradas, Pete Buttigieg liderava a corrida com 26,9% dos votos, contra 25,1% de Sanders, seguido de Elizabeth Warren (18,3%). Só depois aparece Biden, com 15,3%.

O ganhador dos caucus de Iowa é escolhido mediante um sistema proporcional entre o número de votos e de delegados obtidos depois da votação. Até agora, o único resultado a ser divulgado era o final, o do total de delegados, mas, pela primeira vez, são anunciados também outros dois dados: o número de votos individuais recebidos no primeiro turno de decisão das assembleias, e os obtidos no segundo turno. Grosso modo, as assembleias funcionam assim: os participantes que apoiam determinado candidato formam um grupo dentro do recinto, e as candidaturas consideradas inviáveis, por não atingirem um percentual mínimo de participantes, vão sendo descartadas. Os seguidores desses candidatos podem então deixar a assembleia ou aderir a outras candidaturas.

Iowa é uma história fascinante dentro da democracia norte-americana. Um pequeno Estado agrícola, de pouco mais de três milhões de habitantes, onde os cidadãos votam erguendo a mão em assembleias de bairro, depois de um debate em voz alta. Nesta segunda-feira, esse modelo arcaico revelou seus inconvenientes.

Os principais pré-candidatos —Sanders, Biden, Warren e Buttigieg— subiram ao palco de seus respectivos comitês eleitorais para proferir discursos surpreendentes, mais próprios de comício que de reação a resultados, pois não havia resultados oficiais aos quais reagir. Warren e Buttigieg se dirigiram a seus seguidores falando como vencedores. A senadora de Massachusetts se declarou “um passo mais perto” da vitória, enquanto Buttigieg enfatizou que “uma esperança improvável se transformou numa realidade inegável”.

Os seguidores de Sanders, muito numerosos no hotel Holiday Inn próximo ao aeroporto, deixavam o local no começo da madrugada, levando suas bandeiras e cartazes. Alguns sorriam, outros pareciam decepcionados, porque as pesquisas apontavam a vitória do senador socialista, mas eles não podiam cantar vitória com propriedade. Um grupo, já muito tarde, começou a fazer coro pelo etéreo triunfo. A campanha de Donald Trump aproveitou para atacar seus rivais políticos. “Os democratas estão se metendo num desastre de caucus que eles próprios criaram", ao adotarem o sistema de apuração “mais incompetente da história”, zombou Brad Pascale, chefe de campanha, em um comunicado.

O Partido Democrata de Iowa deu explicações confusas. Relatou ter detectado “incongruências” na informação recebida dos caucus, e por isso optou por reforçar os controles. Também mencionou problemas com o aplicativo de apuração que foi usado pela primeira vez e esclareceu que não houve qualquer forma de ataque digital ou hackeamento. “A integridade dos resultados é primordial", afirmou a porta-voz Mandy McClure. “Sofremos um atraso nos resultados devido aos controles de qualidade e ao fato de o partido estar informando sobre três grupos de dados pela primeira vez”.

A campanha de Trump, em meio a essa confusão, comemorava a vitória do presidente nas primárias do seu partido. Porque, sim, há dois republicanos que tentaram pleitear a candidatura para novembro, com resultados irrisórios: Joe Walsh, um radialista conservador, e William Weld, o libertário ex-governador de Massachusetts. Mas Trump continua sendo presidente, candidato a reeleição e líder do seu partido. Essa foi a única certeza desta noite.

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