Joe Biden quer enterrar 40 anos de hegemonia neoliberal

O presidente dos Estados Unidos é mais ambicioso do que os líderes europeus na busca de soluções para reativar a economia com um programa de estímulos sem precedentes

O presidente norte-americano, Joe Biden, na Casa Branca, em Washington, em 7 de abril.
O presidente norte-americano, Joe Biden, na Casa Branca, em Washington, em 7 de abril.Leigh Vogel (EFE)
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A economia é um gênero arrítmico, quase jazzístico. Funciona em um ritmo impossível para dançar: lento, mais lento, um pandemônio repentino quando a crise chega, e sempre chega. Esse ziguezague ocorre até no campo das ideias: todos os grandes movimentos da política econômica são acompanhados por correntes na direção oposta, golpe-contragolpe, avanço-retrocesso, heresia-apostasia. A terceira lei de Newton ―para cada ação sempre se opõe uma reação― teve uma correlação quase perfeita na economia política do século passado. A Grande Depressão foi seguida pelo consenso keynesiano, uma revolução passiva do capitalismo para corrigir os excessos do laissez faire que 30 anos gloriosos deixaram. Quando se esgotou essa onda, com a terrível doença econômica dos anos setenta combinando estagnação econômica e inflação elevada, apareceram Ronald Reagan, Margaret Thatcher e sua revolução conservadora, um neoliberalismo que praticamente cabia em um guardanapo de coquetel ―a megafamosa curva de Laffer― e em um decálogo chamado Consenso de Washington, que se resume em desregulamentação, menos impostos, privatizações, globalização e, finalmente, o poder magnético dos mercados eficientes acima de quase tudo. A revolução conservadora resistiu entre nós com diferentes roupagens; sua evolução mais recente é o trumpismo, mas antes também encontrou seu caminho até mesmo na social-democracia, especialmente com o charlatanismo associado à Terceira Via, ou no ordoliberalismo alemão de Merkel e companhia. Nisso, veio a Grande Recessão e o entrave lúgubre na forma do Grande Confinamento. Todas as grandes crises acabam causando convulsões políticas, e esta não seria menor: um ar de mudança de regime flutua na política econômica global.

O artífice dessa convulsão é um homem de quase 80 anos que virou o mundo de cabeça para baixo contra todas as probabilidades. O democrata norte-americano Joe Biden, nascido politicamente no paraíso fiscal de Delaware, votou com entusiasmo a favor dos cortes de impostos de Reagan na década de 80 e serviu como vice-presidente do grandiloquente Barack Obama, que poderia ter protagonizado uma mudança de paradigma há uma década, mas ficou na metade do caminho pela feroz oposição republicana e de Wall Street e acabou deixando Trump como um legado. Biden chegou à Casa Branca com essa aura de político moderado, quase entediado, que costuma contratar um alto funcionário do Goldman Sachs quando tem que abrir a boca. “Por acaso eu pareço um socialista radical?”, dizia, olhando para a câmera em plena campanha. E, no entanto, não há altos funcionários do Goldman Sachs em seu Governo, e Biden surpreendeu seu partido, incluindo a sonolenta ala esquerda, e a Deus e o mundo com 100 dias tremendos que provocam a tentação de falar em mudança de paradigma.

Essa mudança de paradigma começou a tomar forma em 2009, mas se acelerou com a covid-19. Na fase mais aguda da pandemia, Governos em todo o mundo aprovaram estímulos fiscais e monetários em uma escala que só havia sido vista em guerras mundiais. Biden dobra ou triplica essa aposta: os Estados Unidos, além de vacinar a toda velocidade, aprovaram um primeiro pacote de estímulo de quase 2 trilhões de dólares (11,2 trilhões de reais) para reforçar a recuperação da economia no curto prazo, que incluiu cheques de 1.400 dólares (7.850 reais) para os norte-americanos, o equivalente ao que os economistas costumam chamar de “jogar dinheiro de um helicóptero”.

Ele anunciou logo em seguida um segundo pacote, mais estrutural, com uma perspectiva de longo prazo. São mais 2 trilhões para os próximos oito anos, com medidas destinadas a resolver alguns dos problemas que a maior potência mundial acumula há décadas: desigualdade, pobreza, educação, saúde, clima, investimento em infraestrutura, combate aos monopólios tecnológicos, um retorno ao multilateralismo e, nunca visto em duas gerações, uma proposta para um aumento global de impostos corporativos, anátema até ontem mesmo, bem como um aceno ao sindicalismo, algo incomum na América do Norte. Combinado com o que já estava na mesa, este é um estímulo do tamanho de um daqueles enormes porta-aviões que navegam pelo Pacífico Sul: cerca de 5 trilhões, um quarto do PIB dos Estados Unidos. “É uma sacudida brutal no sistema que busca causar efeitos imediatos nas vidas dos americanos”, resume o professor Peter Praet.

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Os livros didáticos dizem com clareza meridiana que em meio a um choque externo de grande magnitude, como o causado pela covid-19, é preciso fazer políticas fiscais ultraexpansionistas e políticas monetárias que acompanhem os estímulos. Mas ninguém ―ninguém― tinha se atrevido a tanto.

Economistas e governantes de todos os matizes, de direita e de esquerda, há anos levam longe demais sua adoração (ou medo) dos mercados. É claro que, quando uma crise se aproximava, todos tiravam da cartola um keynesianismo dos grandes, mas, assim que vinha a estiagem, voltava-se automaticamente ao mesmo lugar neoclássicão: usando as taxas de juros e a política monetária para domar os ciclos de econômicos, ficar sempre de olho no déficit e confiar na magia do mercado. Essa magia começou a se desfazer com o crash do Lehman Brothers: “Todo o edifício intelectual desabou”, sentenciou então um descontente Alan Greenspan, sumo sacerdote dessa fé econômica, que disse encontrar-se “em um estado de total incredulidade e espanto” quando o castelo de cartas desmoronou.

Obama não quis ou não pôde então dar o golpe radical que prometia, e as águas voltaram ao seu curso. Mas a semente estava plantada, e a combinação da terra arrasada dos anos Trump e o choque pandêmico nos convidam a cometer esse pecado econômico que consiste em pensar que desta vez pode ser diferente: “O estímulo de Biden é o despertar de uma nova era”, escreveu o historiador econômico Adam Tooze. “É a ruptura definitiva com o neoliberalismo”, segundo a análise de J. W. Mason, do Roosevelt Institute. “A pandemia é a oportunidade de fazer uma mudança que devolva o protagonismo ao Estado”, sentencia Mariana Mazzucato, do University College. Até o FAES, o think tank liberalíssimo de José María Aznar, falava às claras esta semana “do canto do cisne dos supply siders [os economistas da oferta, pouco amigos do keynesianismo], que desde o tempo de Reagan vinham dominando o debate”.

Ao jornalismo tende a cair maravilhosamente o advérbio de cautela talvez: diante da inauguração permanente da história, é preciso sempre lembrar um aforismo de Rafael Sánchez Ferlosio, “a nova era, a velha desventura”. Mas a dezena e meia de economistas consultados aponta para algo como uma mudança de guarda na política econômica não isenta de riscos.

Amores e revoluções, mesmo econômicas, precisam da pessoa certa, no lugar certo e na hora certa; a vida, entretanto, quase nunca consegue reunir tal adequação. Biden pode conseguir? “Velhos que têm pressa são uma coisa boa”, diz, por telefone, James Galbraith, economista da Universidade do Texas e um dos poucos acadêmicos de esquerda com uma voz poderosa e midiática. Biden chega ao lugar certo, uma Casa Branca abalada pelos excessos histriônicos de Trump, em meio a uma crise que, como diz a direita, é sempre uma oportunidade, “e com os democratas conscientes de que só têm dois anos antes do próximo ciclo eleitoral para mudar as coisas e evitar a volta do populismo”, diz o filho do mítico John K. Galbraith. “A questão é se a academia e a política, em parte como consequência do pânico, dão ao pensamento econômico o impulso definitivo para acabar com o neoliberalismo. Mas ainda falta muito jogo”, frisa.

Algo se move

Esse ceticismo é a norma em uma profissão acostumada a novos amanheceres que nada mais eram do que aldeias Potemkin: palavras de verniz e decorações de papelão duro. E, no entanto, é inegável que algo está se movendo. O ex-economista-chefe do FMI Maurice Obstfeld aponta que o Plano Biden “é muito mais ambicioso do que as propostas de Obama”, embora deixe no ar se representa a prometida nova era ou a ferlosiana velha desventura. Simon Johnson, que também esteve no FMI, qualifica esse pacote como “brilhante esforço para estimular a economia no curto prazo para acelerar a recuperação pós-covid-19” e, ao mesmo tempo, “pensar na economia americana no longo prazo com medidas audazes e ambiciosas”. “Eu não chamaria essas políticas de esquerda ou direita, nem as classificaria como velho ou novo paradigma: simplesmente são o caminho adequado para reconstruir a economia onde as duas últimas crises mais a golpearam. E talvez sirvam de inspiração em outros lugares”, acrescenta Johnson.

Essa “inspiração” para “outros lugares” é uma forma educada —eufemística— de se referir à Europa, que tem sido muito menos arrojada do que os EUA. Mas essa alusão vamos tentar esclarecer alguns parágrafos abaixo. Porque, para além da comparação com a Europa, o fato é que a política econômica de Biden apresenta riscos, e nem muito menos foi adotada por consenso. Larry Summers, o guru econômico de Obama, oráculo de Wall Streetprima donna do suposto progressismo economicista norte-americano, é quem mais claramente destacou que o novo Executivo dos Estados Unidos foi longe demais, apesar de até dois dias atrás ter defendido abertamente os estímulos para tirar a economia global da armadilha da estagnação secular. O prestigiado economista francês Olivier Blanchard segue Summers de perto: “Biden foi muito longe; existem riscos de superaquecimento e inflação”, explica por e-mail. “Muitos economistas pensam como Summers e Blanchard: Biden está descartando a ciência e substituindo-a por seus objetivos políticos e popularidade”, diz Tyler Cowen, autor de The Great Stagnation e influente professor da Universidade George Mason.

Diante dos maçantes teóricos do universo que vão atrás do glamour intelectual do pessimismo, Simon Wren-Lewis destaca em Oxford que Biden “mostra o caminho a seguir”. “O Reino Unido e a Europa foram tímidos demais: as preocupações com o déficit estão fora de lugar. Mas também os riscos inflacionários podem ser superados.” Não fazer nada, com os velhos demônios à espreita, não era mais uma opção: “Isto não é o fim do neoliberalismo, que vai além da política econômica, mas é de esperar que seja o começo do fim daqueles que se preocupam com o déficit ―ou a inflação― em meio a uma depressão, ou de uma armadilha econômica de baixo crescimento e taxas de juros e inflação na zona zero como na que encalhamos”.

Muitas vezes, acontece com os economistas algo semelhante ao que se deu com Napoleão em Guerra e paz: sua capacidade de decidir os rumos da economia é limitada. Armados com fantásticos modelos matemáticos, um grandioso plano de batalha cujo objetivo é simplificar a realidade e que lhes promete uma vitória quase certa, “a obsessão de teorizar” dos cientistas sociais acabou se tornando “um obstáculo à compreensão”, deixou escrito Albert Hirschman, cujo nascimento acaba de completar 100 anos. Dani Rodrik, economista de Harvard, diz que a profissão levou longe demais “sua adoração pelos mercados” e “sua crença nos modelos”. A economia é espelho e ao mesmo tempo expressão de uma era: o Estado de bem-estar social foi a tradução social-democrata do roteiro do pós-guerra e a revolução conservadora a resposta à crise do petróleo, com uma estagnação preocupante e uma inflação galopante. Mas agora os problemas são outros: a mudança climática, a hiperglobalização, o peso excessivo do setor financeiro nas economias avançadas e o impacto da revolução tecnológica sobre os trabalhadores não são devidamente tratados pelos modelos. O neoliberalismo perdeu brilho devido aos excessos dos últimos 15 anos de monopólios tecnológicos, às loucuras das finanças ―a Pottersville de A felicidade não se compra― à galopante desigualdade e ao rastro de crises dos últimos tempos. “Ao contrário dos acidentes aéreos, as crises financeiras tornaram-se mais frequentes, não menos: o avião é mais perigoso”, resume Mervyn King, ex-governador do Banco da Inglaterra.

A resposta adequada diante desse panorama é o Plano Biden, esse bidenomics? O historiador econômico Barry Eichengreen, de Berkeley, tem suas dúvidas. “Os EUA responderam com muito mais munição do que a Europa aos novos problemas econômicos, associados à covid, e aos não tão novos que se acumulam em todo o Ocidente. Mas agora há um rico debate sobre se Washington fez demais, criando significativos riscos de inflação”. “O estímulo de Biden é várias vezes maior do que a brecha de produção [a diferença entre a velocidade de cruzeiro da economia e o potencial de crescimento], e há ainda mais estímulos à vista. Do lado monetário, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, deixou claro que não vai mudar sua política ultraexpansionista até pelo menos 2023. É melhor se recuperar a toda velocidade e arriscar-se a um retorno da inflação? Ou é preferível algo mais lento para evitar esses riscos? Biden prefere a primeira opção; a Europa, a segunda”, aponta.

Os Estados Unidos ultrapassaram a Europa pela direita depois de 2008. Quando as coisas ficaram realmente muito ruins, Washington reuniu os maiores bancos do país e os fez pedir emprestadas grandes somas de dinheiro (que depois devolveram com juros), e inovou com a política monetária e fiscal: a Europa optou pela austeridade e as coisas quase acabaram mal. Agora Biden ultrapassa os europeus pela esquerda: a Europa também optou pelos estímulos desta vez, mas em uma escala muito menor. “A zona do euro, ao contrário dos EUA, parece satisfeita com uma recuperação incompleta”, critica o economista Ángel Ubide. “Joe Biden acaba de atrasar o declínio de seu país; os líderes europeus parecem dispostos a acelerar o deles”, escreveu o analista Martin Sandbu no Financial Times. “A comparação é equivocada porque na Europa temos estabilizadores automáticos, os heróis anônimos da política econômica moderna”, matiza Benedicta Marzinotto, da Universidade de Udine. O FMI, porém, considera que o estímulo europeu é insuficiente: o Fundo acredita que a Europa teria de injetar 3% do PIB em sua economia. Cerca de 400 bilhões a mais de uma tacada só.

Europa versus EUA, enfim, mais uma vez. Blanchard intervém nesse debate com finezza: “O plano de Biden é provavelmente demasiado grande, e os planos europeus demasiado pequenos, mas talvez não tão pequenos. Isso dependerá do que acontecer com a demanda privada: o otimismo em relação às vacinas e as poupanças retidas em empresas e famílias poderiam provocar um boom também na Europa”. Outros especialistas se queixam dos atrasos acumulados tanto nas vacinas quanto no Fundo de Recuperação de 750 bilhões aprovado um ano atrás em Bruxelas, mas do qual o dinheiro novo só começará a fluir no final de 2021.

“O Fed dos EUA comprou 2,6 trilhões de dólares em ativos desde janeiro de 2020; o BCE, 320 bilhões de euros (380 bilhões de dólares), sete vezes menos. E a política fiscal conta uma história semelhante: o estímulo europeu é mais ou menos a metade do norte-americano. Não estamos repetindo os erros da crise passada, ao menos desta vez a Europa vai na direção certa, mas em termos de volumes estamos repetindo os erros: sairemos mais tarde e com mais dificuldades”, destaca Paul De Grauwe, da Universidade de Leuven. “O contraste entre o paradigma neoliberal e o que Biden fez mostra uma mudança fundamental: os governos estão recuperando um papel central na luta contra a crise”, acrescenta. Charles Wyplosz, do Graduate Institute, concorda. E acusa aqueles que criticam a ambição de Biden pelo risco inflacionário que corre. “Parecem-me críticas incrivelmente fora de lugar. Durante uma década lamentamos os efeitos perversos de uma armadilha de baixo crescimento, taxas de juros negativas e inflação baixíssima. Se a inflação finalmente aumentar e obrigar os bancos centrais a agir, pelo menos teremos escapado da maldição dos últimos anos.” “Pela primeira vez em décadas, um Governo realmente tenta fazer algo por aqueles que acabaram sendo, por puro desespero, eleitores de opções populistas. Eu rio dessas críticas diante de um passo deste calibre”, vocifera Wyplosz. Vítor Constâncio, ex-vice-presidente do BCE, também aplaude a coragem norte-americana: “Washington está tentando fazer experiências com políticas para superar completamente a crise, enquanto a Europa languidesce sob o peso dos seus fantasmas e temores”, escreveu recentemente.

As épocas felizes são páginas em branco nos livros de história, mas aquilo de “que você viva tempos interessantes” dos chineses é uma maldição. Quando assumiu o cargo em 1933, Franklin D. Roosevelt desvalorizou o dólar, obrigou os norte-americanos a lhe venderem, por um preço tabelado, todo o ouro que tinham adquirido desde o início da crise e fechou os bancos durante 28 dias: os EUA começaram a cimentar com o new deal ―e com a Segunda Guerra Mundial― uma hegemonia que chega até hoje. Biden não vai a tanto, mas em menos de 100 dias anunciou uma injeção de vários bilhões de dólares na economia e patrocina inclusive um aumento global de impostos para as grandes corporações. No fundo, a luta pela hegemonia global continua: o presidente dos EUA, em pleno momento Roosevelt, afirma que seu plano “nos coloca em posição de ganhar competitividade com a China”. Para além dessa luta, Washington viu as orelhas do lobo do populismo; o que faz Biden é uma tentativa quase desesperada de evitar o retorno do trumpismo. E a pressa também tem uma explicação mais prosaica: o Partido Republicano está grogue depois da última derrota, mas Biden tem apenas dois anos até as eleições para o Senado, que poderiam acabar com sua pequena maioria e turvar o resto de seu mandato.

Expectativas

As crises não são um acontecimento, mas um processo; um processo que em certos lugares, lugares desafortunados, ainda não terminou. Os anglo-saxões precisariam de outro Dickens para descrever as cicatrizes em algumas regiões dos Estados Unidos e do Reino Unido, mas Victor Hugo também poderia reescrever Os miseráveis em muitas partes da Europa. Sairemos dessa, porque não há vírus ou crise que dure 100 anos, e sairemos mais cedo do que tarde. Mas esse será o momento mais perigoso: as pessoas não se rebelam quando as coisas estão ruins, mas quando suas expectativas são frustradas. Se Biden estiver certo e a Europa arrastar os pés, é muito possível que o mal-estar cresça daquele lado do Atlântico; se Washington tiver ido longe demais, podemos estar diante da enésima fase da revolução conservadora e a mudança de regime teria sido uma miragem. Enfrentamos uma incerteza radical através dos relatos, construindo narrativas: Biden está executando a sua, e a Europa, no momento, as vê chegar.

Cavafis escreveu isso, como sempre, melhor: a cidade inteira se reuniu para esperar os bárbaros e reinava o medo, o tremor, a esperança de que essa irrupção mudasse suas vidas.

“O dólar serve para muitas coisas”

“A resposta anticrise de Washington é muito agressiva, em grande parte devido à janela de oportunidade política após a derrota eleitoral dos republicanos, mas, além disso, o privilégio exorbitante do dólar proporciona aos Estados Unidos um espaço fiscal praticamente ilimitado; o dólar serve para muitas coisas e Biden o usou ao máximo”, afirma Gian Maria Milesi-Ferretti, da Brookings. “A Europa fez muito, mas o dólar faz a diferença e os governos nacionais poderiam ser mais agressivos diante dos atrasos com as vacinas e o Fundo de Recuperação: com tanta incerteza, o papel da política fiscal tem de ser mais ambicioso”, acrescenta.

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