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Argentina anuncia acordo com credores para reestruturar dívida externa e sair da moratória

Pacto é a primeira grande vitória política de Alberto Fernández e representa uma economia de cerca de 30 bilhões de dólares

Manifestante protesta em Buenos Aires contra o pagamento da dívida, em 6 de maio.
Manifestante protesta em Buenos Aires contra o pagamento da dívida, em 6 de maio.Juan Ignacio Roncoroni (EFE)
Enric González
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El ministro de Economía de Argentina, Martín Guzmán, en su despacho de Buenos Aires el 11 de marzo pasado.
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Argentina's President Alberto Fernandez announces, accompanied by members of his cabinet, judiciary reforms, at the Casa Rosada presidential palace, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak, in Buenos Aires, Argentina July 29, 2020. Esteban Collazo/Argentina Presidency/Handout via REUTERS ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. NO RESALES. NO ARCHIVES
Fernández apresenta uma ambiciosa reforma para superar suposta politização da Justiça argentina
El presidente Alberto Fernández posa junto a trabajadores de una automotriz en las afueras de Buenos Aires, el 1 de mayo pasado.
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A Argentina finalmente chegou a um acordo com seus credores privados. Na madrugada desta terça-feira, após mais de 30 horas de negociações ininterruptas, o Ministério da Economia anunciou a reestruturação de uma dívida de cerca de 65 bilhões de dólares (347,75 bilhões de reais). A Argentina pagará 54,8 dólares (293,18 reais) para cada 100 dólares em dívidas. Para os cofres argentinos, o acordo representa uma economia de cerca de 30 bilhões de dólares (160,5 bilhões de reais), permite que o país saia de sua nona moratória e constitui o primeiro grande êxito político do presidente Alberto Fernández.

Apenas dois dias atrás, nas primeiras horas de domingo, o processo parecia destinado ao fracasso. Ou, pelo menos, a um longo adiamento. A negociação formal havia começado em fevereiro, com a intenção de ser concluída em março. Mas não o foi em março, nem em abril nem em maio, e a enésima data estabelecida como limite, o dia 4 de agosto, estava chegando sem que nenhum dos lados parecesse disposto a ceder. Fernández havia instruído seu ministro da Economia, Martín Guzmán, a não sair de sua última posição: a Argentina poderia pagar 53,4 dólares para cada cem que eram devidos, nem um centavo a mais. Os detentores de títulos não aceitavam menos de 56 dólares. A diferença era mínima, menos de 3 bilhões de dólares no cômputo global. Mas não havia avanço.

Convencido de que sua oferta era até generosa demais, levando em conta o efeito devastador da pandemia de coronavírus na economia argentina (a previsão é de uma recessão de 12% para este ano), o presidente Fernández decidiu interromper as conversas com os detentores de títulos e iniciar uma negociação com o Fundo Monetário Internacional, ao qual o país deve 44 bilhões de dólares (235,4 bilhões de reais) tomados emprestados pelo Governo anterior, liderado por Mauricio Macri, e volatilizados após a crise cambial que teve seu ponto culminante em agosto de 2019. Desde 2015, o peso se desvalorizou 87%.

Fernández comunicou sua decisão a sua poderosa vice-presidenta, a ex-presidenta Cristina Kirchner, e o terceiro eixo da coalizão governista, o presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Massa. Tanto Kirchner como Massa destacaram os riscos envolvidos em manter o país em suspensão de pagamentos: juros proibitivos, mais desvalorizações em relação ao dólar e perda de prestígio internacional. O presidente reconsiderou sua decisão e autorizou o ministro Guzmán a melhorar ligeiramente a oferta: de 53,4 dólares para cada 100 nominais se passou a um valor estimado em 54,8 dólares. Guzmán telefonou para Jennifer O´Neill, executiva do poderoso fundo de investimentos BlackRock, e o acordo foi imediato. O BlackRock, o maior fundo do mundo, liderava desde o início o setor mais duro dos detentores de títulos. Sua aceitação mudava tudo.

Faltavam detalhes, mas nesta segunda-feira havia euforia nos mercados: as ações argentinas subiram 12% ante a impressão de que o acordo sobre a dívida era iminente. As negociações continuaram durante a noite de segunda-feira, até que, pouco antes do amanhecer desta terça-feira, Guzmán anunciou oficialmente que os seis meses de diálogo, discussão, rupturas e retomadas, dificultados pela pandemia (quase todos os contatos foram por videoconferência), tinham sido concluídos com sucesso.

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