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PIB reage a Bolsonaro com manifesto de apoio às eleições e defesa da democracia

Banqueiros, empresários e acadêmicos assinam o documento que defende que Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados. “A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias”, diz texto

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de nomeação de Ciro Nogueira como ministro-chefe da Casa Civil, quarta-feira em Brasília.
O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia de nomeação de Ciro Nogueira como ministro-chefe da Casa Civil, quarta-feira em Brasília.EVARISTO SA (AFP)
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TSE abre inquérito e inclui Bolsonaro em investigação no STF por ataques mentirosos às urnas eletrônicas
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The phrase "All For Vaccines" is seen on Sao Paulo's Sambadrome as carnival celebrations were cancelled due to the coronavirus disease (COVID-19) pandemic in Sao Paulo, Brazil February 13, 2021. Picture taken with a drone. REUTERS/Amanda Perobelli
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Diante da crescente onda de ataques sem provas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao processo eleitoral e à democracia mais de 250 personalidades se uniram para assinar um manifesto de apoio às eleições. “O Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados”, diz o documento assinado por banqueiros, empresários, intelectuais, artistas e acadêmicos de diferentes visões políticas, lançado nesta quinta-feira (5).

O documento também endossa a confiança nas urnas eletrônicas e na Justiça Eleitoral, ambos na mira do presidente. “A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo. Confiamos nela e no atual sistema de votação eletrônico”, diz a carta.

O manifesto foi publicado na esteira da campanha de Bolsonaro contra o sistema eletrônico, numa ofensiva contra os ritos democráticos, ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE) e seu presidente, o ministro Luís Roberto Barroso. Na segunda-feira (2), o TSE abriu, por unanimidade, um inquérito administrativo para apurar as mentiras do presidente sobre o processo eleitoral e as urnas eletrônicas. A Corte também pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que inclua Bolsonaro ao inquérito já aberto das fake news. O ministro e relator do inquérito no Supremo, Alexandre de Moraes, aceitou na quarta-feira (4) a notícia-crime apresentada pelo TSE, colocando Bolsonaro na terceira investigação no âmbito do STF.

O presidente respondeu prontamente ao inquérito, declarando que não tem “qualquer embasamento jurídico” e insinuando mais uma reação antidemocrática: “Está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está, então o antídoto para isso também não é dentro das quatro linhas da Constituição”.

A gota d’água do Judiciário, que até então só respondia às acusações do presidente com notas de repúdio, foi a live realizada por Bolsonaro na semana passada. Nas redes sociais, o presidente, que prometia apresentar provas de fraude nas eleições, não só não o fez, como também utilizou vídeos que já haviam sido desmentidos pelo TSE. E admitiu que “não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas”.

O manifesto desta quinta-feira isola mais ainda Bolsonaro, cuja rejeição vem aumentando nos últimos meses. De acordo com pesquisa do PoderData, 61% dos brasileiros não votariam no presidente de jeito nenhum, percentual que vem subindo: em junho, eram 50% e, em julho, 56%. Enquanto sua popularidade cai, Bolsonaro ameaça as próximas eleições.

Aderiram ao documento nomes como os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, Maria Alice Setubal, , Celso Lafer, Oded Grajew, Monja Coen, Hélio Mattar, Renato Janine Ribeiro e Paulo Vannucchi. O documento, que afirma que “a sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias”, também é assinado pelos empresários Luiza Trajano, Sonia Hess, Chieko Aoki, Jayme Garfinkel, Guilherme Leal, Horácio Lafer Piva e Carlos Jereissati Filho.

Os economistas Arminio Fraga, Ana Carla Abrão, André Lara Resende, Edmar Bacha, Elena Landau, Ricardo Paes de Barros, Samuel Pessôa, Ilan Goldfajn, Alexandre Schwartsman, Pedro Malan e Persio Arida também estão entre os signatários. A plataforma Eleições serão respeitadas reúne todos os mais de 200 nomes.

Esta não é a primeira vez que a nata do PIB brasileiro reage a Bolsonaro. Em março deste ano, banqueiros e economistas escreveram uma carta ao Governo com duras críticas à condução de políticas para o enfrentamento à pandemia. Na época, mais de 200 economistas, banqueiros, empresários e ex-autoridades do setor público refutaram o “falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável”.

Leia o manifesto, na íntegra:

O Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados

O Brasil enfrenta uma crise sanitária, social e econômica de grandes proporções. Milhares de brasileiros perderam suas vidas para a pandemia e milhões perderam seus empregos.

Apesar do momento difícil, acreditamos no Brasil. Nossos mais de 200 milhões de habitantes têm sonhos, aspirações e capacidades para transformar nossa sociedade e construir um futuro mais próspero e justo.

Esse futuro só será possível com base na estabilidade democrática. O princípio chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos. A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo. Confiamos nela e no atual sistema de votação eletrônico. A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias.

O Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados.


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