Pandemia de coronavírus

Casa do Zezinho faz live com artistas neste sábado para arrecadar doações durante a pandemia do coronavírus

ONG da zona sul de São Paulo teve trabalho socioeducativo em uma das regiões mais frágeis da capital interrompido pelo surto da covid-19. Transmissão começa às 18h

Crianças na Casa do Zezinho antes da pandemia.
Crianças na Casa do Zezinho antes da pandemia.DIVULGAÇÃO

A Casa do Zezinho, ONG socioeducativa que atua na região do Capão Redondo, no extremo sul de São Paulo, organizará neste sábado (23) uma live com a presença de artistas e celebridades visando arrecadar fundos para a manutenção do trabalho sem fins lucrativos de combate à fome e outros impactos da pandemia do novo coronavírus na região. Com apresentação de Marcelo Tas e Ana Paula Padrão, o BIG #ZéNiver acontece das 18h às 22h, com transmissão ao vivo nas redes sociais da instituição: Instagram, Twitter, Facebook, Twitch e YouTube.

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Além de Tas e Ana Paula, a live contará com as presenças de Galvão Bueno, Fábio Porchat, Carolina Ferraz, Mariana Ximenes, Serginho Groisman, Kondzilla, Maurício Meirelles, Marco Luque, Wendell Lira e outros. Durante as quatro horas, haverá música, interatividade e gameplays dos jogos Fifa e Overcooked. As doações obtidas durante a live serão destinadas a manter os trabalhos da ONG e o combate aos efeitos da covid-19 na região, via doação cestas básicas e kit de higiene e limpeza, que estão sendo distribuídas para as famílias da comunidade.

Considerado “padrinho” da instituição, Marcelo Tas dá aulas na ONG há 17 anos. “Um amigo me chamou para dar um curso de vídeo em 2003 e nunca mais voltei”, conta o apresentador. “Aprendo muito mais do que ensino com eles, sobre desigualdade e civilidade. E lá é uma parte da cidade que eu não conheço, e fiquei envergonhado por isso”, confessa. Tas passou, então, a frequentar a instituição semanalmente para dar aulas, conhecer as pessoas e levar convidados.

Fundada em 1994 pela pedagoga Tia Dag, a Casa do Zezinho realiza atividades socioeducativas para auxiliar a população do Capão Redondo, levando em conta o contexto da periferia. Hoje em dia, são atendidos mais de 1.300 crianças, jovens e famílias diariamente com duas refeições por dia, além de fornecidas mais de 40 oficinas, entre contação de histórias, aulas de jiu-jitsu, teatro, coaching vocacional, empreendedorismo e outras. “A Tia Dag é craque em fazer com que os alunos descubram que conhecem muita coisa, que são protagonistas da aula. Isso gera um processo de aprendizado exponencial”, explica Tas.

O trabalho é ainda mais essencial no Capão Redondo, distrito marcado por ter os piores índices de estupro contra menores de São Paulo. A grande maioria dos jovens entre 9 e 13 anos que frequentam as aulas de Marcelo Tas, diz ele, já sofreu abuso sexual. “Esse é, na minha opinião, a função mais relevante da Casa do Zezinho: fazer com que eles se expressem. As crianças chegam com muita dificuldade verbal pela violência a qual foram submetidas, então elas destravam isso através das artes plásticas”, diz ele. “Mas, ao mesmo tempo que é uma pedagogia sofisticada, é um lugar carente. Está sempre no limite do orçamento”. Com a crise econômica consequente da pandemia do novo coronavírus, as doações caíram e a ideia da live foi necessária para arrecadar fundos ao projeto. “É uma hora de emergência, porque a verba diminuiu e a casa está fechada pela primeira vez em 26 anos. E isso é trágico para as crianças, porque o tempo que elas passavam lá eram o ‘respirador’ delas”.

Para além do convite para acompanhar o evento e ajudar a ONG, Tas chama as pessoas para conhecer a Casa do Zezinho depois da pandemia. “A pessoa só se engaja de verdade quando ela vai presencialmente, porque aí eu não preciso falar nada”, justifica. “O paulistano tem a tendência de viver na bolha do bairro dele, e ele perde a maior graça de São Paulo que é a diversidade. A zona sul é a maior região da cidade. Para se sentir parte dela, você tem que atravessar a ponte, porque quem está do outro lado não conhece um cinema ou um teatro. São pessoas invisíveis pra gente”.

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