Traficantes matam seis crianças e três mulheres da família de ativista mórmon no México

Grupo armado atacou a família em uma estrada entre os Estados de Chihuahua e Sonora. Um familiar informou que podem existir mais feridos e mortos

Composição com imagens do veículo atacado nos limites dos Estados mexicanos de Chihuahua e Sonora. EFE

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Três mulheres e seis crianças foram assassinadas na segunda-feira em um ataque de um grupo armado, em uma estrada no Estado de Sonora, norte do México. Entre as crianças assassinadas há um garoto de 11 anos, uma menina de oito e duas gêmeas de um ano. A informação veio na tarde de segunda-feira por um parente dos assassinados, Julián LeBarón, conhecido ativista da região. Em uma entrevista ao jornal Milenio, LeBarón acrescentou que há mais crianças feridas e desaparecidas.

Segundo LeBarón, o ataque ocorreu nas proximidades do município de San Miguel Bavispe, não muito longe da fazenda da família, por volta das nove da manhã (12h de Brasília). “Da fazenda vimos que a caminhonete estava pegando fogo. Ouvíamos tiros, há uma guerra, não sabemos o que está acontecendo”, informou.

LeBarón afirmou que as mulheres e as crianças viajavam em três caminhonetes. Na primeira iam uma mulher e quatro das crianças assassinadas. Outras duas mulheres estavam em caminhonetes diferentes, uma com sete crianças e outra com uma. Após o ataque, o grupo armado levou os sobreviventes.

Em declaração ao jornal Reforma, LeBarón disse: “Algumas das crianças conseguiram escapar e correram à fazenda, que está a 15 quilômetros de distância, e avisaram que as mulheres foram assassinadas”. Pelo menos outras duas crianças das sequestradas também morreram.

No final da segunda-feira a informação ainda era confusa. A região do ataque fica na fronteira entre os Estados de Sonora e Chihuahua. O promotor de Chihuahua, César Peniche, disse de tarde no canal Foro TV que por enquanto não há informação oficial. “Agora mesmo nós vamos guiar um grupo de policiais federais e soldados para procurar as crianças”, disse LeBarón ao jornal Reforma. O EL PAÍS entrou em contato com o porta-voz da Secretaria de Segurança e Proteção da População para saber se há dados oficiais, mas por enquanto, disse, não sabem nada além do que LeBarón informou. A Secretaria de Segurança e Proteção da População informou que “foi pedido o reforço do policiamento” na região.

Julián LeBarón é um dos líderes sociais mais conhecidos do lado mexicano da fronteira com os Estados Unidos. Seu nome começou a aparecer na imprensa há 10 anos, após criminosos assassinarem seu irmão Benjamín e o cunhado dele em sua casa, em Galeana, Chihuahua. Galeana e Bavispe, em Sonora, são municípios vizinhos.

Líder da comunidade mórmon na região, LeBarón a organizou para exigir justiça por seu irmão. Com o tempo, LeBarón entrou no Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade, a organização liderada pelo poeta Javier Sicilia durante o Governo de Felipe Calderón.

Nos últimos meses, LeBarón havia denunciado ameaças por parte de um grupo de pressão em Chihuahua para deixar de usar poços de água em suas terras. LeBarón cultiva nozes na fronteira.