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Governo do México descobre mais de 3.000 covas clandestinas

Executivo revela descoberta de quase 5.000 corpos, dos quais 200 foram identificados nos últimos oito meses

Manifestação pelos desaparecidos esta sexta-feira no México.
Manifestação pelos desaparecidos esta sexta-feira no México. Reuters

O Governo do México deu números ao horror das covas clandestinas no país. A Administração de Andrés Manuel López Obrador revelou nesta sexta-feira que foram encontrados 4.974 corpos em 3.024 covas nos últimos 13 anos e meio. “É um número dinâmico, que estamos revisando”, admitiu a presidenta da Comissão Nacional de Busca de Pessoas, Karla Quintana, em uma entrevista coletiva com o presidente. O Executivo apontou os Estados de Tamaulipas e Chihuahua, ambos na fronteira com os Estados Unidos, como os dois mais atingidos por essa crise. Esta nova contagem é bem maior do que a anterior, divulgada com base em uma investigação jornalística, que apontava 2.884 corpos em 1.978 covas clandestinas.

A data do anúncio não foi escolhida por acaso. O Governo de López Obrador escolheu o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado para prestar contas sobre o assunto. “É a primeira vez que o Governo federal faz um acompanhamento permanente”, afirmou Quintana. A comissionada encarregada da busca assinalou que os números foram coletados com base em informações das procuradorias estaduais e das organizações civis que se dedicam a procurar desaparecidos.

Além dos números gerais, o Executivo mexicano informou que desde a chegada de López Obrador à presidência, em 1º de dezembro, foram descobertas 522 covas com 671 corpos. Destas últimas, a maioria foi encontrada em Colima, um pequeno Estado na costa do Pacífico, e em Veracruz, um dos Estados mais atingidos pelo crime organizado. O Governo destacou também que nos últimos oito meses e meio foram identificados 200 restos humanos, dos quais 116 foram entregues às suas famílias. “Este diagnóstico nos fornece mais informações para criar uma política”, assinalou Quintana após revelar os números.

O Executivo de López Obrador destacou a “reviravolta” da política mexicana nesta questão, em relação aos Governos anteriores. Um dos passos fundamentais para se diferenciar da Administração de Enrique Peña Nieto foi abrir as portas para a inspeção internacional. “Será feito um convite formal ao Comitê [das Nações Unidas] contra os Desaparecimentos Forçados para o segundo semestre de 2020, havia uma solicitação pendente desde 2013”, anunciou o subsecretário de Direitos Humanos, Alejandro Encinas. “O Governo anterior se negou reiteradamente a fazer [o convite], invisibilizando o problema”, reclamou.

A política para localizar pessoas desaparecidas no México ganhou impulso com a chegada de Quintana, em fevereiro, à Comissão Nacional de Busca de Pessoas. O Executivo criou uma estratégia que inclui comissões de busca em cada Estado e um orçamento equivalente a 8,5 milhões de dólares (35 milhões de reais). “A busca de pessoas desaparecidas é prioridade desta Administração”, ressaltou Encinas.

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