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Tensão obriga Governo a prorrogar o toque de recolher no Sri Lanka

Ao menos 15 pessoas morreram depois de um confronto entre soldados e supostos islamistas radicais na cidade de Sainthamaruthu

Soldado vigia a entrada de uma mesquita em Kattankudy
Soldado vigia a entrada de uma mesquita em Kattankudy AFP

A tensão prossegue no Sri Lanka cinco dias depois da série de atentados no domingo de Páscoa que tiraram a vida de 253 pessoas. Pelo menos três explosões e um intenso tiroteio ocorreram nesta sexta-feira na localidade de Ampara, no leste da ilha, em meio a uma ampla operação da Polícia e do Exército para capturar suspeitos dos ataques. O presidente Maithripala Sirisena confirmou que entre os restos dos homens-bomba estavam os do clérigo que criou o grupo radical local ao qual se atribui a matança.

Segundo informou o Exército em um comunicado, o tiroteio começou quando as forças de segurança tentaram entrar em um edifício, na cidade de Kalmunai, que suspeitavam ser a oficina de fabricação dos explosivos e bombas usados nos atentados suicidas. Nesse momento, cinco ou seis suspeitos que estavam escondidos abriram fogo. Mais ou menos simultaneamente ocorreram as explosões.

Em outra operação, em uma cidade vizinha, Samanthurai, as forças de segurança se apoderaram de um enorme esconderijo de explosivos e prenderam pelo menos sete pessoas. As imagens divulgadas pela polícia mostram pelo menos um colete-bomba, explosivos, material para usar como estilhaços e um drone para tomada de imagens. Foram encontradas também roupas e uma bandeira do Estado Islâmico, talvez as mesmas que aparecem no vídeo em que essa organização assumiu a autoria dos atentados do Domingo de Páscoa: nele, oito pessoas, sete delas com o rosto coberto, prometem lealdade a Abubaker al Baghdadi, líder do Estado Islâmico.

A Polícia voltou a impor o toque de recolher em toda a ilha entre as 22 horas e as quatro da manhã. Na área das operações, o toque de recolher permanecerá em vigor até novo aviso.

Em uma coletiva de imprensa, o presidente do Sri Lanka tinha indicado horas antes que nos ataques contra três hotéis de luxo e três igrejas estiveram envolvidas entre 130 e 140 pessoas, incluindo os nove terroristas suicidas que explodiram as bombas. Há mais de 70 detidos, de acordo com o chefe de Estado, que prometeu que haverá mais prisões "em breve".

Sirisena confirmou o que a Polícia já vinha apontando nos últimos dias. Entre os restos dos terroristas suicidas foram encontrados os do clérigo extremista Mohamed Hashim Zahran, fundador da organização radical local National Jamat Tawhid, pouco conhecida até agora e à qual o Governo atribuiu a responsabilidade pela matança. "O que os serviços de inteligência me disseram é que Zahran morreu no ataque contra o Shangri-La", um dos hotéis atacados, com Ilham Ibrahim, um dos dois filhos de um milionário que se suicidaram no ataque. Zahran era o homem que mostrava o seu rosto no vídeo do Estado Islâmico.

O presidente também anunciou a retomada de uma medida esquecida desde o fim da guerra de trinta anos entre o Exército do Sri Lanka e os Tigres da Libertação do Tamil Eelam, guerrilheiros da minoria Tamil que aspiravam a criar um Estado independente no norte da ilha. De acordo com Sirisena, serão realizadas revistas “casa a casa” e criadas listas oficiais de residentes em cada moradia.

O primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe, que não fora informado de que haviam sido recebidos avisos sobre possíveis ataques, pediu desculpas à população pelas graves falhas na segurança. "Como primeiro-ministro do Sri Lanka, aceito a responsabilidade coletiva do Governo pelo fracasso em proteger as pessoas contra esses atentados."

Enquanto isso, o ex-ministro da Defesa, Gotabaya Rajapaksa, que renunciou na quinta-feira, declarou que disputará as eleições presidenciais marcadas para este ano, "para lutar contra o islã radical”.

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