Atentados no Sri Lanka

Como é o grupo jihadista que está por trás dos atentados no Sri Lanka?

Os militantes do National Thowheeth Jama’ath (NTJ) promovem a ideologia terrorista islamista no país, mas até agora não haviam perpetrado nenhum ataque mortal

Igreja de São Sebastião na cidade de Negombo (Sri Lanka), devastada por uma das explosões no Domingo de Páscoa
Igreja de São Sebastião na cidade de Negombo (Sri Lanka), devastada por uma das explosões no Domingo de PáscoaATHIT PERAWONGMETHA (REUTERS)

Embora ninguém ainda tenha reivindicado a autoria dos atentados do último domingo, 21, no Sri Lanka, o Governo do país acusa o grupo jihadista local National Thowheeth Jama’ath (NTJ) de ser  responsável pelos ataques que deixaram 290 mortos e mais de 500 feridos. Até agora, o NTJ era conhecido nesta ilha do Oceano Índico por perpetrar atos de vandalismo contra estátuas budistas. No final de 2016, um dos líderes do grupo, Abdul Razik, foi preso por incitação ao racismo.

Segundo o especialista em terrorismo Rohan Gunaratna, citado pela Reuters, o NTJ é o braço do Estado Islâmico (EI) no Sri Lanka. Seu objetivo é propagar a jihad global. Por sua vez, AltoLabetubun, outro especialista em terrorismo, explicou à agência de notícias que ataques suicidas e sincronizados não são comuns no país. “Estes são comparáveis aos atentados do Oriente Médio e do Sudeste Asiático. Têm o DNA dos ataques jihadistas”, afirmou.

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O porta-voz do Governo, Rajitha Senaratne, afirmou nesta segunda-feira que o grupo não agiu sozinho. Teria contado com a colaboração de uma rede internacional para realizar as oito explosões em três hotéis de luxo, um albergue e três igrejas cristãs em Colombo e outras localidades.

Dos 21 milhões de habitantes do Sri Lanka, 10% são muçulmanos e 7%, cristãos. A grande maioria é budista. Nos últimos anos, a influência das correntes mais extremistas do islã (o salafismo e o wahabismo) cresceu entre a comunidade muçulmana. Por outro lado, a organização budista ultranacionalista Bodu Bala Sena tem instigado o ódio contra muçulmanos e cristãos. Em 2018, o Governo precisou declarar estado de emergência após vários enfrentamentos entre muçulmanos e cingaleses budistas, que deixaram dois mortos e dezenas de feridos.

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