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Para comer bem no Recife

De café descolado a moqueca, passando por um bar vegano e uma marisqueria: descubra o melhor do tempero da capital pernambucana

Favada, um dos pratos servidos no Ca-Já.
Favada, um dos pratos servidos no Ca-Já.

Além do maior bloco de carnaval do mundo, a maior avenida em linha reta e o maior São João do Brasil, Recife também leva sua megalomania à mesa. E não só de obviedades gastronômicas, como o bolo de rolo, ou iguarias incompreensíveis para alguns, como o caldinho de feijão e a caldeirada servidos na praia, sob um sol de 40 graus, é feito o cardápio da cidade. 

Recife é muito mais do que clichês culinários. Come-se incrivelmente bem nesta cidade. Por isso, preparamos uma modesta lista —já sabendo que nenhuma lista é completa— para quem quer explorar melhor os dotes gastronômicos da capital pernambucana, a mais gostosa em linha reta.

Retetéu comida honesta

O lugar faz jus ao nome. Numa casa deliciosa com um quintal que dá o tom de comida de mãe dos pratos servidos, o chefe Thiago das Chagas cria receitas com sabor, simplicidade e preço justo. O cardápio é enxuto, bem brasileiro e focado em explorar ingredientes e receitas locais. De entrada, peça pelo caldinho de feijão ou a coxinha de massa de mandioca —ou macaxeira, como queira— recheada de costela. A cerveja de fabricação própria é leve e acompanha bem o cardápio todo. O prato executivo muda a cada semana, mas já passaram por lá o cozido de carne com legumes e pirão, e a picanha suína com feijão de coco e chips de macaxeira. Aos sábados e domingos o chefe também serve um prato diferente, e a receita fica ainda mais especial, como a fritada de Aratu (uma espécie de caranguejo) com azeite e claras em neve, e o camarão ao molho de coco com cubos de abóbora.

Rua Professor Otávio de Freitas, 256
De segunda a sexta, das 12h às 15h, e aos sábados e domingos, das 07h às 10h - para café da manhã - e das 12h às 15h30, para o almoço

São Pedro Restaurante

Após o sucesso no Retetéu, Thiago das Chagas expandiu os negócios e abriu o São Pedro Restaurante. A proposta é um pouco diferente da primeira casa, mas a essência é a mesma: menu (ainda mais) enxuto, boa comida e preço justo. Enquanto o Retetéu fica em uma deliciosa casa na zona Norte, a casa-irmã foi aberta em um dos cenários mais bonitos do centro do Recife, o Pátio São Pedro. Ali, um par de bares e restaurantes distribuíram mesinhas pela rua de paralelepípedo no entorno da igreja São Pedro dos Clérigos, construída na primeira metade do século XVIII. Da pequena portinha da marisqueria, como o restaurante se autointitula, saem dois ou três pratos, entradas e sobremesas, que mudam semanalmente. Se você der sorte, pode ir em uma semana em que o arroz de caranguejo —molhadinho, com tomate e cheio de patinhas do crustáceo à milanesa— está no cardápio. O vinho branco que acompanha é gelado e tem preço justo. A casa abre em horário restrito, então não se preocupe em beber demais e tropeçar nos paralelepípedos depois. Dificilmente dará tempo para tanto.

Rua das Águas Verdes, 52
De segunda a sexta, das 12h às 15h

Ca-Já Restaurante

Mais um queridinho da boemia descolada e festiva e que gosta de comer bem, o Ca-Já, assim como o Retetéu e o São Pedro, faz parte dessa nova geração de bons lugares para comer no Recife. O restaurante fica em uma casa com um quintal no fundo, com uma grande árvore fazendo sombra sobre as mesas. O menu também explora bem ingredientes, produtores e receitas locais, como a peixada (sem erro), a barriga de porco com farofa de cuscuz, ou a galinhada. Os simpáticos atendentes servem bons drinques e vinhos gelados para acompanhar. A casa é amigável para todos os públicos —gay-friendly e baby-friendly — e, para melhorar, abre tanto no almoço, quanto no jantar.

Rua Carneiro Vilela, 648
Almoço: de terça a sábado, das 12h às 15h
Jantar: de quinta a domingo, das 19h às 23h

Trattoria da Dani

Em uma área residencial perto do Mercado de Casa Amarela, na zona norte, fica esse novo restaurante-casa todo acolhedor. Comandada pela chefe Dani Johnnei, que passa pelo salão recebendo os clientes-amigos com sorriso no rosto, a casa tem potencial para virar referência em comida italiana no Recife. Peça pelo bem servido parmegiana, crocante e sequinho, acompanhado de espaguete com molho de tomate da casa e não se arrependerá. A carta de vinhos é honesta e eles servem água da casa, uma cortesia que ainda é rara nos restaurantes da cidade, mas não deveria ser.

Rua Conselheiro Perretti, 96
De quinta a sábado, das 19h às 00h, e aos domingos, das 11h30 às 15h

Castigliani Cafés Especiais

Bons cafés servidos em ambientes despojados estão na moda em todas as grandes cidades. No Recife, a única coisa diferente é que muitos deles só abrem depois do almoço, mas ficam, consequentemente, abertos até a noite. Não é diferente no Castigliani, casa comandada por um simpático casal, com duas unidades, uma no cinema da Fundação Joaquim Nabuco, e outra, com mesas na calçada, no Parnamirim. Aos finais de semana, a casa serve brunch e vale muito pedir os ovos com salmão ou com abacate (que pode ser servido na versão vegana, com shimeji no lugar dos ovos) —dá para duas pessoas, pode confiar— e um café gelado com chocolate, porque o calor vai pedir. Pela noite, a unidade do Parnamirim é ponto de encontro de cineastas e descoladinhos da cidade.

Unidade do Parnamirim
Estrada do Encanamento, 323
De terça a sexta, das 13h às 21h, e sábados e domingos, das 9h às 21h

Unidade Fundação
Rua Henrique Dias, 609
De terça a domingo, das 13h às 21h

Sovaj

Este Bar vegano, pilotado somente por mulheres, é uma boa opção para quem está cansado da rua Mamede Simões. No cardápio, coxinha recheada com brócolis —saborosa, mas imensa, aproveite para dividir— filé de shitaki ao molho madeira com fritas, e falafel com molho barbecue. A cerveja está sempre gelada e a caipirinha, bem feita, custa só cinco reais. O serviço poderia ser um pouco mais ágil.

Rua Princesa Isabel, 207
De terça a sábado, a partir das 19h

Anjo Solto

Por alguma razão, talvez de cunho colonizador, é muito comum encontrar creperias ou cardápios que incluem crepes nos restaurantes do Recife. E nesse quesito, o Anjo Solto é um bom veterano. As duas unidades servem bons drinques e têm boa trilha sonora, com destaque para a casa que fica na Galeria Joana D’Arc, que promove semanalmente a terça do Vinil. O menu pode tomar mais tempo se você tiver dificuldades em tomar decisões: extenso e inventivo, tem crepe dos mais variados recheios, mas certamente agradará de veganos a carnívoros. Os nomes dos pratos são uma homenagem a personalidades da cidade. Dizem que você vira alguém no Recife quando ganha um crepe para chamar de seu.

Unidade da Galeria Joana D'Arc
Rua Herculano Bandeira, 413
Aberto todos os dias, a partir das 17h30

Unidade zona norte
Rua Esmeraldino Bandeira, 106
Aberto todos os dias, exceto às terças-feiras, a partir das 17h

Altar Cozinha Ancestral

Em uma casa simples em Santo Amaro, inteira decorada com peças, quadros e figuras regionais, a chefe Carmem Virgínia recriou receitas de origem africana com um toque do tempero pernambucano. Acarajé com vatapá e camarão seco, moqueca de peixe, bobó de camarão com arroz de coco e o arroz de cabidela dão uma ideia do gostinho de confort food servido no local. Dos estudos de dona Carmem saem os pratos de terreiro que homenageiam os orixás. Apesar da pegada religiosa, a caipirinha está liberada e chega bem servida. 

Rua Frei Cassimiro, 449
De terça a domingo, das 12h às 17h

Errata

Uma primeira versão deste texto dizia que o restaurante Ca-já é pet-friendly. A informação foi corrigida.

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