Flip 2018

Pare e leia um poema #5 uma corrente lírica para Hilda Hilst

EL PAÍS encadeia poemas em homenagem à poeta. Nesta quinta semana, Eliane Marques indica Ronald Augusto

Nesta quarta-feira, 25, em que se inicia a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o EL PAÍS publica o último poema da corrente lírica Hilda Hilst, homenageada do evento literário. Indicada pela curadora da Flip, Joselia Aguiar, Josely Vianna Baptista começou a corrente que passou para Antonio Risério, Ricardo Aleixo, Eliane Marques e agora fecha com Ronald Augusto. O poema selecionado, a voz do morro, faz parte do livro no assoalho duro (2007), publicado originalmente pela editora Ébilis, mas que já tem uma publicação ampliada pela Bestiário. Além de poeta, o escritor gaúcho também é músico, editor e crítico literário.

MAIS INFORMAÇÕES

a voz do morro

rasgacéu e mausoléu de nuvens

lá vai o morro: visto que parece meio

sem jeito mas paira quando nada

um passo perene e ainda outro

sobre a cerviz viridente quase

escura dele quando toda essa brancura

em desmesura escarnece

demora-se romeira um debruar-se

opressivo de bruços

em fila gigantas velhuscas

monjas lontanas nesta variedade

de formatura solar

mancheias de velofinos grisalhos

em carícias contra o verde crestado

a cabeleira cabocla desfeita

sobre a testa do morro que se

acrioula achando a coisa toda

sem serventia e nem unzinho

cachorro latia e vaca nenhuma

mu

Ronald Augusto, nascido em 1961, em Rio Grande, cidade litorânea ao sul de Porto Alegre. Augusto é uma das referências da publicação de poesia contemporânea hoje no Rio Grande do Sul, autor de mais de uma dezena de obras como Homem ao Rubro, Confissões Aplicadas e Cair de Costas. Estudioso da poesia negra no país, esteve ligado à poesia marginal durante a ditadura militar e hoje, além de poeta, é músico, letrista, editor e crítico literário. De 2009 a 2013 foi editor associado do site Sibila. É colunista do site Sul 21.

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