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David Luiz, o ídolo nacional que o 7 a 1 apagou em quatro dias

O zagueiro ficou marcado pela derrota para a Alemanha no dia 8 de julho de 2014.

Experimentou na mesma Copa a fama de herói e o rótulo de culpado pela humilhação brasileira

David Luiz 7 a 1 Brasil
David Luiz comemora gol diante da Colômbia, na Copa de 2014. Divulgação

Perucas imitando seu penteado viraram moda. Passou a ser ainda mais idolatrado, ovacionado nos estádios, e até a receber pedidos de casamento. O gol de falta que anotou contra a Colômbia e deu a classificação para as semifinais da Copa do Mundo 2014 ao Brasil transformou David Luiz em herói nacional. Porém, apenas quatro dias depois, em 8 de julho daquele ano, ele ficaria marcado pela atuação calamitosa contra a Alemanha na derrota do 7 a 1. Na saída do gramado, aos prantos pelo vexame vivido no Mineirão, o zagueiro desabafou: “Eu só queria dar alegria para o povo. Peço desculpas aos brasileiros”. Uma frustração sem precedentes para um jogador que, nos tempos de Benfica, recusou a possibilidade de se naturalizar português pelo sonho de disputar uma Copa vestindo verde-amarelo.

David foi o capitão da seleção brasileira contra os alemães, já que o companheiro de zaga, Thiago Silva, estava suspenso. Entrou em campo segurando a camisa 10 de Neymar, que havia sofrido uma fratura na vértebra no jogo anterior e não pode jogar o restante do Mundial. Acabou criticado por se lançar desesperadamente ao ataque enquanto o Brasil era engolido pela Alemanha e abusar dos lançamentos longos. Em uma semana, foi do êxtase pelo golaço de falta ao abatimento por sofrer 10 gols em apenas dois jogos – na disputa do terceiro lugar, a seleção perdeu de 3 a 0 para a Holanda.

Carismático e com pinta de bom moço, David Luiz era um dos jogadores da seleção mais requisitados para comerciais e ações publicitárias. Ao longo da última Copa, também chamava a atenção pela quantidade de pedidos de casamento que recebia em suas redes sociais após balançar sua cabeleira a cada partida. Além de namorar a portuguesa Sara Madeira, o zagueiro se desvencilhava das cantadas com base na crença. Evangélico, inspirado em Kaká, ele fazia parte da campanha “Eu escolhi esperar”, que prega, entre outros mandamentos, que o sexo deva ser praticado somente após a união matrimonial. “Pelo que tem feito na Copa, David Luiz se tornou o príncipe encantado de milhares de fãs”, explicou na época Nelson Junior, pastor e idealizador do movimento. “É importante ressaltar que o 'Eu escolhi esperar' não é uma campanha de virgindade, mas sim de preservação sexual.”

De príncipe encantado a alvo de piadas pelo 7 a 1, a carreira de David Luiz, que antes da Copa havia se tornado o zagueiro mais caro do mundo, vendido ao Paris Saint-Germain por 180 milhões de reais, murchou entre altos e baixos. Menos de um ano após a goleada para a Alemanha, ele também ficaria estigmatizado pela eliminação do clube francês na Champions League para o Barcelona, quando levou duas canetas do uruguaio Luis Suárez no mesmo jogo. No meio de 2016, já considerado carta fora do baralho na seleção, voltaria ao Chelsea em busca de retomar o desempenho que o consagrou como um dos melhores defensores do futebol mundial.

Logo na primeira temporada em seu retorno ao clube londrino, conseguiu sagrar-se campeão inglês como destaque do time. A boa temporada lhe valeu a primeira convocação com Tite na seleção brasileira, onde havia perdido espaço e prestígio. Disputou um amistoso contra a Austrália, em junho do ano passado, mas não voltou a ser chamado. No Chelsea, passou a conviver com lesões e problemas de relacionamento com o técnico Antonio Conte. Jogou apenas sete jogos pelo clube este ano, o que minou definitivamente suas chances de voltar a participar de uma Copa do Mundo.

Durante o Mundial na Rússia, David Luiz praticamente não falou de futebol. “Ele não gosta muito de ficar lembrando dessa coisa de 7 a 1. Prefere pensar no futuro, de forma positiva”, diz um amigo da família do zagueiro, que vive em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Em sua conta no Instagram, compartilhou fotos de suas aventuras nas férias, brincando com golfinhos, posando com peixes ou alimentando girafas, tigres e coalas. Quatro anos depois do tombo diante dos alemães, a única menção à Copa foi uma mensagem de apoio aos ex-companheiros de seleção após a eliminação para a Bélgica, incluindo o técnico que o convocou somente uma vez. “Parabéns professor Tite, por tudo que fez e vem fazendo pela nossa seleção. Espero que continue nesse mesmo caminho, pois pra mim foi duro ter ficado de fora, mas vejo em ti atitudes humanas e de uma pessoa de excelente caráter. Terá sempre minha admiração.” No último sábado, David retornou aos treinamentos com o Chelsea. Ele ainda espera pela definição de seu futuro no clube, mas, do passado, tirou forças para não sucumbir à sombra do 7 a 1.

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