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As guerras da história por trás de cada grupo da Copa da Rússia

Alguns times emparelhados nunca tiveram problemas, mas outros se enfrentaram durante séculos

Copa Rússia 2018 e guerras
Um mapa-múndi do século XVII, quando não existia futebol. Getty Images

A Copa do Mundo da Rússia, futebolisticamente falando, confronta 32 países. Militarmente falando, muitos deles já se enfrentaram várias vezes. Revisamos a história de cada país da Copa para saber quando e quanto guerrearam com os outros países que caíram no mesmo grupo na primeira fase do torneio, que começa nesta quinta. Eis o resultado.

Grupo A: Rússia, Arábia Saudita, Egito e Uruguai

Neste grupo da Copa, os países que mais conflitos tiveram são os que estão mais próximos geograficamente: Arábia Saudita e Egito. No século XIX, quando os dois países tinham outros nomes, enfrentaram-se na Guerra Otomano-Wahhabi. Entre 1811 e 1818, o Eialete do Egito – então parte do Império Otomano – enfrentou o Emirado de Diriyah – o primeiro Estado saudita. O primeiro venceu.

Durante a Guerra Fria, Arábia Saudita e Egito se enfrentaram na Guerra Civil do Iêmen do Norte. O conflito começou depois que forças republicanas se insurgiram contra a monarquia reinante, em 1962. Países ocidentais e a Arábia Saudita apoiavam a monarquia, enquanto a União Soviética e o Egito eram partidários dos republicanos. Este último grupo venceu.

Mais de um século antes, Egito e Rússia não eram tão amigos. Em 1827, tropas russas, inglesas e francesas enfrentaram as forças otomanas do Egito na Batalha de Navarino, crucial na Guerra de Independência da Grécia. O Uruguai está longe demais de todos eles para ter tido problemas.

Grupo B: Portugal, Espanha, Marrocos e Irã

Quando foi definido o grupo da Espanha na Copa, muitos tuiteiros fizeram brincadeiras sobre a proximidade com dois de seus rivais, Portugal e Marrocos. E, compartilhando fronteira, é normal que tenha havido muitas brigas.

Espanha e Portugal foram governados pelo mesmo monarca entre 1580 e 1640. Antes e depois dessa união dinástica, há tantos conflitos que até fica tedioso narrá-los: na guerra civil de 1475, que acabou coroando Isabel, a Católica, como rainha de Castela, Portugal apoiava o seu rival; entre 1776 e 1777, Espanha e Portugal se enfrentaram por territórios na América do Sul; com Napoleão no meio, os dois países também se mediram em 1801 na Guerra das Laranjas.

A Espanha enfrentou Marrocos em mais ocasiões que Portugal. Um ataque marroquino em Ceuta em 1859 desembocou na Primeira Guerra de Marrocos, ou Guerra da África. A Espanha de Isabel II venceu naquela ocasião. Também a Espanha se impôs entre 1911 e 1927, durante a Segunda Guerra de Marrocos, às tribos do Rif, no norte do país africano. Em 1957, tropas marroquinas tentaram tomar Sidi Ifni, uma cidade sob controle espanhol. 

Grupo C: França, Austrália, Peru e Dinamarca

Há pouquíssimo a se dizer sobre os conflitos bélicos da Austrália e do Peru. Tiveram-nos, mas especialmente com seus vizinhos, entre os quais não se encontra nenhum dos países do seu grupo na Copa. Já no caso de França e Dinamarca é diferente: esses dois países europeus se enfrentaram várias vezes. Foi assim em várias ocasiões no século XVII, incluindo a Guerra da Escânia, que na época contrapôs o Reino da Dinamarca e Noruega (além dos Países Baixos, Brandemburgo e Sacro Império Romano-Germânico) à França e Suécia. Mas lutaram muito menos que outros europeus. Nem sequer quando quase todos brigavam contra a França, na época de Napoleão. Dinamarca e França eram aliados.

Grupo D: Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria

Nem havendo dois países europeus saem guerras entre Estados deste grupo. Mas um deles, Islândia, está tão longe de terra continental que não surpreende.

Grupo E: Brasil, Suíça, Costa Rica e Sérvia

Três quartos do mesmo. A quase eterna neutralidade suíça a poupou de se enfrentar com os sérvios. Quanto ao Brasil e à Costa Rica, nem de longe. Não é muito conhecida a participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial, mas o Brasil e a Sérvia estavam no mesmo lado, o dos aliados contra a Alemanha e o Império Austro-Húngaro.

Grupo F: Alemanha, México, Suécia e Coréia do Sul

Alemanha e Suécia estão muito perto, separadas por pouco mais de 100 quilômetros de mar Báltico. Enfrentaram-se várias vezes sob os muitos nomes da Alemanha. Um dos conflitos mais destacados foi durante a Guerra dos 30 Anos, no século XVII: o Sacro Império Romano-Germânico lutou no mesmo lado que a Espanha, e a Suécia ficou ao lado da França e Inglaterra.

A milhares de quilômetros, o México declarou a guerra à Alemanha de Hitler em 1942, depois que submarinos alemães afundaram um navio mexicano. As tropas mexicanas, dois anos depois, não combateram na Europa, mas apoiaram as norte-americanas nas Filipinas contra o Japão.

Grupo G: Bélgica, Panamá, Tunísia e Inglaterra

O que hoje é a Bélgica esteve sob domínio de vários países europeus até 1830, quando declarou sua independência em relação aos Países Baixos. Desde então, Bélgica e Reino Unido não cruzaram armas – foram aliados nas duas guerras mundiais. Além disso, nenhum desses países teve enfrentamentos militares com a Tunísia. O país europeu contra o qual essa república do norte da África lutou algumas vezes foi a França, da qual foi colônia até 1962.

Grupo H: Polônia, Senegal, Colômbia e Japão

A Colômbia tomou medidas contra os cidadãos do Eixo que viviam em solo colombiano em 1943, ou seja, italianos, alemães e japoneses. Sem sair da Segunda Guerra Mundial, Polônia e Japão foram dois países muito importantes no conflito, embora não tenham se enfrentado diretamente. A invasão da Polônia por parte da Alemanha, aliada do Japão, desencadeou a guerra.

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