Nova epidemia de ebola atinge o Congo

País confirma 17 mortes pelo vírus. Nação africana é a recordista de casos dessa febre hemorrágica mortal, detectada pela primeira vez em suas florestas em 1976

Enfermeiros ensaiam o protocolo de intervenção em caso de ebola no Congo, em 2014.
Enfermeiros ensaiam o protocolo de intervenção em caso de ebola no Congo, em 2014.Media Coulibaly (Reuters)

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As autoridades da República Democrática do Congo (RDC) confirmaram nesta terça-feira a morte de 17 pessoas infectadas com o vírus ebola, noticia a agência France Presse. “[O Congo] enfrenta uma nova epidemia pela enfermidade do vírus ebola”, informou o Ministério de Saúde do país, acrescentando que foi registrado um total de 21 casos na província de Equateur, no noroeste.

Poucas horas antes, havia sido anunciada a detecção de dois casos de ebola na localidade de Bikoro, também no noroeste do país, e que pelo menos 10 outros casos suspeitos estavam sendo investigados. O chefe do instituto de pesquisas biológicas do país africano, Jean Jack Muyembe, havia revelado as cifras de casos confirmados e suspeitos, enquanto um porta-voz do Ministério de Saúde congolês também informou que pelo menos duas pessoas haviam contraído a doença.

A República Democrática do Congo é o país recordista de surtos dessa febre hemorrágica mortal, detectada pela primeira vez em suas densas florestas tropicais em 1976 e batizada em alusão ao rio Ebola, que fica próximo à área do primeiro foco. É a nona vez que essa doença é detectada nesse território. A última havia sido há menos de um ano, com oito pessoas infectadas, das quais quatro morreram.

Mas a epidemia de ebola mais grave já registrada, entre 2013 e 2016, não ocorreu no antigo Zaire, e sim na África Ocidental, em países como Libéria, Serra Leoa e Guiné, com um saldo de mais de 11.00 mortos.

Acredita-se que o ebola se propague em longas distâncias ao ser levado por morcegos, que podem hospedar o vírus sem morrer. Assim, ele infecta outros animais com os quais os mamíferos voadores compartilham árvores, como os macacos. Frequentemente se propaga para os humanos através de carne infectada. A geografia remota e extensa do Congo lhe dá uma vantagem com relação a outras zonas, já que os surtos costumam ser localizados e são relativamente fáceis de isolar.