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Candidatos de centro-direita já negociam pacto de não-agressão e união futura

Com propostas parecidas e menos de 10% de intenções de voto cada um, PSDB, MDB, SD, DEM e PODE negociam acordo. Rodrigo Maia é o primeiro que deve fundir candidatura

Eleições 2018
O presidenciável Geraldo Alckmin, do PSDB, em São Paulo. REUTERS

Enquanto a esquerda brasileira discute se caminhará unida para disputar a eleição presidencial, a centro-direita se antecipa e já costura dois acordos: um de não agressão entre seus pré-candidatos e outro para que os que estiverem piores colocados nas pesquisas desistam da disputa a partir de julho e declarem apoio aos outros concorrentes. Os planos estão sendo discutidos por aliados de Geraldo Alckmin (PSDB), Rodrigo Maia (DEM), Michel Temer (MDB), Henrique Meirelles (MDB), Aldo Rebelo (SD) e Álvaro Dias (PODE).

Conforme oito políticos que participam das negociações ouvidos pelo EL PAÍS, o primeiro pacto é mais certo de ser cumprido. O cálculo é, se num cenário com tantas candidaturas houver essa autofagia entre personagens que pensam a política de maneira semelhante e até agora não chegaram aos 10% de intenções de voto, nenhum representante da centro-direita chegará ao segundo turno. Outra razão que motivou o acordo entre esses pré-candidatos é a extrema dispersão de pré-candidaturas.

Ao menos 18 partidos sinalizaram que terão concorrentes ao Palácio do Planalto. Desses, seis estão no espectro da centro-direita, mas que tenderiam a se aglutinar em torno de um dos nomes que mais agrade o eleitor conforme a campanha evolua. Assim, cinco deles serão meros espectadores de uma disputa entre a extrema direita, representada por Jair Bolsonaro (PSL), e algum outro candidato da centro-esquerda, entre eles Marina Silva (REDE), Joaquim Barbosa (PSB), Ciro Gomes (PDT) e um nome do PT, tendo em vista que a candidatura do líder das pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é incerta. Lula está preso pela operação Lava Jato com uma condenação em segunda instância, o que o impediria de concorrer, conforme a Lei da Ficha Limpa.

O principal desafio dos que negociam o pacto seria o de convencer os piores classificados nas pesquisas a desistirem da disputa. Neste pelotão dos sem-voto estão os dois nomes do MDB, Temer e Meirelles, além do representante do DEM, Maia. Nenhum deles passa de 2% das intenções de voto. E os três sabem que o tempo é curto para subir nas enquetes, menos de quatro meses. Entre os dias 20 de julho e 5 de agosto ocorrem as convenções partidárias em que são definidos os candidatos e as coligações que os apoiam. Até o dia 15 de agosto, todas as candidaturas deverão estar registradas na Justiça eleitoral.

Dos seis pré-candidatos de centro-direita citados, o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo, recém-filiado ao Solidariedade não foi testado nas pesquisas. A estratégia de sua nova legenda é apresentá-lo à militância, formada principalmente por sindicalistas, e sentir se tem potencial de crescimento. Nos bastidores, o fiador da candidatura Aldo, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD), já negocia uma coligação com Rodrigo Maia. O que estiver melhor posicionado entre os dois seria o cabeça de chapa, o outro, candidato a vice-presidente. O discurso entre eles é de que será a união de um liberal, Maia, com um socialista, Aldo – que já foi filiado ao PCdoB e ao PSB.

O articulador e o empecilho

O principal articulador desses acordos é Marcus Pestana, deputado federal e secretário-geral do PSDB. Aliado do senador Aécio Neves (PSDB), que tem se aproximado cada vez mais do presidenciável Alckmin, ele tem bom trânsito com várias bancadas do Congresso Nacional.

Quem, em um primeiro momento, tem colocado empecilhos a essas coligações é Álvaro Dias, do Podemos. Os políticos ouvidos pela reportagem dizem que, apesar de ele atingir no máximo 6% das intenções de voto, tentará se manter afastado da ligação com partidos que foram citados na operação Lava Jato. É algo semelhante ao que ele relatou ao EL PAÍS em uma entrevista publicada no dia 1º. Na ocasião, ele foi questionado se ele aceitaria apoio de algum partido citado na investigação. A resposta: “Eu não buscarei apoios partidários em um segundo turno porque a relação será mais direta entre o cidadão e o candidato. As siglas serão dispensadas.”

Especialistas como o filósofo e cientista político Marcos Nobre, da Universidade de Campinas, entendem que a difusão de candidaturas da centro-direita deve se reduzir, em breve, em torno de um só candidato já certo. “Desde sempre eu acho que elas vão acabar se unindo a um único candidato, que é o Geraldo Alckmin, senão não conseguem ganhar a eleição”, afirmou em entrevista publicada pelo EL PAÍS, no dia 9. As demais entraram no páreo, segundo ele, para negociar apoios futuros.

Como essa é uma campanha de tiro curto – serão apenas 51 de campanha eleitoral, sendo 35 de propaganda oficial no rádio e na televisão  – as idas e vindas dos candidatos são certas. Só não se sabe a que ritmo elas ocorrerão.


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