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Governista, Rodrigo Maia se nega a defender o legado de Temer na eleição

DEM lança a candidatura do presidente da Câmara e espera unificar o centro político do país

Rodrigo Maia, na convenção do DEM, em Brasília.
Rodrigo Maia, na convenção do DEM, em Brasília. AFP

O novo, mesmo estando há quase 20 anos na Câmara dos Deputados. O independente, apesar de ser governista desde o primeiro dia da gestão Michel Temer (MDB). O futuro do país que não olha no retrovisor, ainda que seja herdeiro de um antigo político do Rio de Janeiro. Assim, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quer se “vender” como pré-candidato à presidência do Brasil.

Antes de apresentar suas propostas, contudo, tenta se descolar de alguns rótulos. Seu tom, que às vezes parece ser de uma pessoa fechada e arrogante, é, segundo ele, timidez e sinceridade. Ainda assim, quer ser um concorrente genuíno, sem ser moldado por marqueteiros. Além disso, o DEM anunciou que deixou de ser uma legenda de direita para se tornar uma de centro. Na convenção que apresentou Maia como pré-candidato dos Democratas, nesta quinta-feira em Brasília, o deputado tratou logo de dizer que não será o candidato defensor do legado de Temer e igualou o seu discurso ao de Luciano Huck, o apresentador da Rede Globo que ameaçou ser o outsider na eleição, ao dizer que é o momento da troca de gerações na política nacional.

“O governo quer um candidato para defender o legado. Eu sou o candidato que quero representar o futuro. Se o MDB entender e outros partidos entenderem que esse projeto é o que está olhando para frente e quiser apoiar, está ótimo. Entendendo que esse ciclo político da redemocratização está acabando e vai se abrir um novo ciclo e vai ser liderado pela nossa geração, eu não posso olhar para trás. Tenho de olhar para frente”, declarou Maia durante entrevista coletiva após o lançamento de seu nome.

Tanto no discurso quanto nas entrevistas que concedeu em seguida, Maia defendeu que insistirá nas teses econômicas que acreditam ser as mais adequadas para o país, ainda que não tenha muito respaldo na sociedade. Uma de suas bandeiras será aprovar a Reforma da Previdência, algo que Temer desistiu de fazê-lo por ora.

E como ser um candidato competitivo tendo cerca de 1% nas pesquisas eleitorais e a segunda maior rejeição, de 55% do eleitorado (fica atrás apenas dos 88% que rejeitam Michel Temer?) Os democratas acreditam que Maia ainda é pouco conhecido da população em geral, que o mercado financeiro apoia suas teses e que o perfil conciliador do deputado será capaz de aglutinar um amplo leque alianças. No evento de lançamento da pré-candidatura, sete presidentes e lideranças partidárias discursaram. Lá estavam representantes do MDB, PSDB, SD, PSC, PRB, PR, PHS e Avante. Todas elogiaram a postura aglutinadora do democrata, que lhe rendeu um mandato e meio de presidente da Câmara. Diz o ex-direitista e agora um homem do centro político: “Defendo que o centro não seja apenas um ponto entre a esquerda e direita, que seja um ambiente de diálogo permanente entre toda a sociedade”.

Senador pelo DEM de Goiás, Ronaldo Caiado reforçou a capacidade de diálogo de Maia. “Ele é um homem que come mingau quente pelas beiradas. Tem a condição de construir os apoios necessários”. Representante do PSDB no ato, o deputado Marcus Pestana disse que não tem certeza do que ocorrerá em outubro, mas que seu partido e o DEM estarão juntos.

No que depender de Maia, essa união ocorrerá no segundo turno. Tendo ele como o candidato. Eis a otimista resposta dele quando questionado se havia plano B para sua candidatura: “Pode escrever, eu estou no segundo turno. Com certeza!”. Ainda falta combinar com o eleitorado e superar as outras pré-candidaturas do mesmo espectro como a de Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (PSD), Paulo Rabello de Castro (PSC) e Álvaro Dias (PODEMOS).

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