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Tammie Jo Shults, a piloto de nervos de aço que salvou um voo nos EUA vira heroína

Piloto do voo Southwest 1380 fez uma aterrissagem de emergência na Filadélfia que salvou 150 vidas

Tammie Jo Shults
A comandante do voo acidentado da Southwest Airlines, Tammie Jo Shults, em frente a um caça F/A-18A, em 1992 REUTERS

O voo Southwest 1380 da última terça-feira, 17 de abril, entrará para a história como uma calamidade. A 9.000 metros de altura, sua turbina esquerda explodiu, quebrando uma janela. A passageira Jennifer Riordan foi quase sugada para o lado de fora e acabou morrendo. Foi ruim, mas poderia ter sido ainda pior se não fosse por uma mulher que demonstrou ter nervos de aço: a comandante Tammie Jo Shults, de 56 anos. Sem perder a calma, a piloto estabilizou a aeronave e conseguiu fazer um pouso de emergência em Filadélfia, o que lhe valeu o aplauso dos passageiros e a admiração dos norte-americanos.

A piloto Tammie Jo Schults na atualidade
A piloto Tammie Jo Schults na atualidade AP

O sangue-frio de Shults, revelado na gravação de seus diálogos com a torre de controle, tem uma explicação. Nas décadas de oitenta e noventa, ela foi piloto de combate. E, apesar de nunca ter participado de operações bélicas devido a restrições impostas às mulheres naquela época, Shults se destacou como instrutora de voo, como piloto de aeronaves militares de todos os tipos e como pioneira no manejo dos temíveis caças supersônicos F/A 18 Hornet.

Apaixonada por aviação desde a adolescência, serviu à Marinha durante 10 anos, até que em 31 de março de 1993, com a patente de comandante, pendurou a farda e iniciou uma nova vida. Apenas uma semana depois, o então presidente Bill Clinton iniciou os trâmites para permitir a participação de mulheres em combates.

Sua passagem pelas Forças Armadas foi narrada no livro Military Fly Moms (“mães militares voadoras”), de Linda Maloney. Exceto por isso, a comandante Shults passou todos estes anos distante dos holofotes. Mãe de dois filhos e casada com outro ex-piloto de combate, dedicou-se à aviação civil, pilotando as pacatas aeronaves da Southwest Airlines.

A comandante Tammie Jo Shults em uma foto atual
A comandante Tammie Jo Shults em uma foto atual REUTERS

Nada de especial, até que na terça-feira passada, por causas ainda desconhecidas, a turbina esquerda de um Boeing 737-700 explodiu no trajeto Nova York-Dallas. A bordo havia 143 passageiros e 5 tripulantes. Depois da explosão, os destroços romperam uma escotilha, despressurizaram a cabine e deixaram uma passageira em estado crítico.

Um cenário horripilante, que Shults enfrentou valendo-se da sua experiência militar e agindo com impecável serenidade. Comunicou detalhadamente a situação à torre de controle – “Perdemos parte do avião”, disse ela, numa frase que viralizou – e procedeu ao pouco de emergência sem um motor e com uma rachadura na cabine. Muitos passageiros começaram a rezar.

“Ela teve nervos de aço. Foi maravilhosa, eu a aplaudo”, disse o passageiro Alfred Tumlinson à imprensa norte-americana. “É uma verdadeira heroína. Obrigada por sua coragem e orientação numa situação tão traumática”, escreveu no Facebook a viajante Diana McBride, num tom que recordava as palavras dedicadas em 2009 a Sully Sullenberger, que fez um Airbus-320 pousar sobre a água no rio Hudson, em Nova York.

Depois da aterrissagem, a passageira ferida foi levada a um hospital, onde morreu em decorrência dos traumatismos sofridos na cabeça, pescoço e torso. A comandante Shults não deu declarações.

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