Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

Um suposto pai de santo para “tirar uma macumba” de Temer

Babalorixá Uzêda irrompe em evento do PMDB em Brasília e dá passe em presidente

Babalorixá Uzêda
Temer e o pai de santo Uzêda. PMDB Nacional

O presidente Michel Temer recebeu um passe de um pai de santo durante a convenção nacional extraordinária de seu partido, que perdeu o P e voltou a se chamar MDB nesta terça-feira. Ao subir no palco do evento, o babalorixá Roberval Uzêda passou folhas de guiné em torno do presidente para “tirar uma macumba” feita com o objetivo que Temer morresse. Enquanto recebia o passe, o presidente abria os braços. Em seu discurso, quando alguém ergueu um outro galho de folhas em direção ao púlpito, Temer agradeceu e disse que as energias o revitalizavam. “Jogaram pesado contra o presidente. O trabalho que foi feito contra o doutor Michel foi para ele morrer”, afirmou o babalorixá na saída da convenção.

Uzêda disse aos repórteres que ele havia sido contratado pelo próprio presidente e pela primeira-dama, Marcela Temer. O presidente da MDB e líder do Governo no Senado, Romero Jucá, negou qualquer vinculação do casal presidencial com o suposto pai de santo. Quando indagado sobre esse vínculo, Jucá girou um dedo ao redor da orelha, um sinal para dizer que alguém é doido.

O pai de santo também afirmou que a saúde de Temer está debilitada por causa de um vodu feito contra ele e que bonecos de macumba do presidente, de representantes da cúpula do PMDB e do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) foram encontrados recentemente. “Fizeram um trabalho de vodu contra o presidente Temer. Por isso que ele teve a doença”. Temer passou por ao menos três procedimentos cirúrgicos nos últimos meses. Fez duas cirurgias no canal urinário e uma angioplastia, esta para desobstruir artérias do coração.

Uzêda é uma figura frequente no meio político. Foi candidato derrotado a deputado estadual no Rio de Janeiro pelo Partido Progressista na eleição de 2014. Em março de 2015 ele conseguiu entrar no Palácio do Planalto e tentou entregar uma carta para a então presidenta Dilma Rousseff (PT). No documento, ele dizia para a mandatária se proteger de alguns políticos, como Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente da Câmara que deu início ao seu processo de impeachment. É comum encontrá-lo nos corredores da Câmara.

Michel Temer chegou a cancelar sua ida ao evento de seu partido. Desmobilizou toda a equipe de cerimonial e segurança, mas, de surpresa, apareceu no encontro, discursou por cerca de dez minutos, pousou par algumas fotos e foi embora.

MAIS INFORMAÇÕES