Independência de Catalunha

Ex-presidente catalão não se considera destituído e continua a desafiar a Espanha

O até ontem presidente convoca uma "oposição democrática" à intervenção espanhola no governo regional

Carles Puigdemont nesta sexta-feira.
Carles Puigdemont nesta sexta-feira.David Ramos (Getty Images)

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Sem anunciar nenhuma medida concreta, Puigdemont pediu aos catalães para “continuar perseverando sem violência, sem ofensas, de maneira inclusiva e respeitando pessoas e símbolos e também os catalães que não estão de acordo com a maioria parlamentar”. O resto do discurso, de pouco mais de três minutos, concentra-se em negar legitimidade às medidas aprovadas no dia anterior pelo Senado espanhol.

Puigdemont lançou o pedido aos catalães sem explicar como trabalhará sua equipe, que se encontra legalmente exonerada. “Temos paciência, perseverança e perspectiva. Por isso nos é claro que a melhor maneira de defender as conquistas obtidas até hoje é a oposição democrática à aplicação do artigo 155 [da Constituição espanhola, que permite a intervenção do Governo central], que é a consumação de uma agressão premeditada à vontade dos catalães, que de maneira muito majoritária e ao longo de muitos anos nos sentimos nação da Europa”.

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Puigdemont acrescentou: “Temos que fazê-lo nos preservando da repressão e das ameaças, fazê-lo sem abandonar nunca, nunca, em nenhum momento, uma conduta cívica e pacífica. Não temos nem queremos a razão da força. Nós, não. Peço-lhe isso convencido de que essa demanda é a que todo mundo espera, também fora de nosso país”.

Rajoy anunciou na sexta-feira a destituição de todo o Governo catalão, e a vice-presidenta espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría, assumiu neste sábado a maioria das funções que cabem ao presidente e ao vice-presidente da Generalitat (nome dado ao governo local). O Executivo também exonerou o chefe dos Mossos d’Esquadra, a polícia catalã.

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