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Lava Jato investiga compra de votos na escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos

Casa do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, é alvo de busca e apreensão

Nuzman Lava Jato
O presidente COB, Carlos Arthur Nuzman REUTERS

A nova fase da Operação Lava Jato, apelidada de Operação Unfair Play, deflagrada na manhã desta terça-feira, investiga, entre outras irregularidades, suposto esquema de corrupção internacional para a compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas 2016. A apuração tem a colaboração de autoridades da França e dos Estados Unidos e já estava em andamento no Ministério Público Financeiro francês. O Ministério Público do Rio explicou que as autoridades francesas enviaram ao Brasil probas de que a eleição não foi limpa e foi manipulada com dinheiro de propina. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, foi levado para depor na sede da PF no Rio e a casa dele foi alvo de um mandado de busca e apreensão.

Em entrevista concedida pelas autoridades que investigam o caso, a procuradora Fabiana Schneider, da força-tarefa da Lava Jato no Rio, afirmou que a cidade tinha "a pior candidatura" da eleição, celebrada em 2 de outubro de 2009, que descartou as cidades Tóquio, Chicago e Madri.

A operação tem o objetivo de desmantelar um esquema envolvendo pagamento de propina em troca da contratação de empresas terceirizadas por parte do Governo do Rio de Janeiro, durante a gestão do ex-governador Sergio Cabral, preso sob a acusação de corrupção. Os policiais tem como alvos o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho, conhecido como rei Arthur, que recebeu importantes contratos públicos para as obras das Olimpíadas, e o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman. O Ministério Público Federal afirma que há "fortes indícios" de que Nuzman "interligou corruptos e corruptores" na compra de votos dos membros do COI. Ele foi levado para depor na sede da Polícia Federal no Rio.

Segundo o jornal O Globo, os agentes entraram às 6h na casa de Nuzman, no Leblon, na zona sul do Rio, acompanhados do promotor Eduardo El Hage e de investigadores do MP francês. Eliane Pereira Cavalcante, ex-sócia do empresário Arthur César de Menezes, foi presa preventivamente e encaminhada à sede da Polícia Federal.

Os policiais cumpriram dois mandados de prisão preventiva e onze mandados de busca e apreensão, nos bairros do Leblon, Ipanema, Lagoa, Centro, São Conrado, Barra da Tijuca e Jacaré, e no município de Nova Iguaçu (RJ), além de em Paris, na França.

As investigações, iniciadas há nove meses, apontam que os pagamentos foram efetuados tanto diretamente, com a entrega de dinheiro em espécie, como por meio da celebração de contratos de prestação de serviços fictícios e também por meio do pagamento de despesas pessoais. Além disso, teriam sido realizadas transferências bancárias no exterior para contas de doleiros. Os documentos fornecidos pelo Ministério Público da França às autoridades brasileiras mostram que Papa Massata Diack, filho do presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF), Lamine Deck, reconheceu ter agido para negociar votos na escolha do Rio para as Olimpíadas de 2016. A policia francesa verificou que dias antes da votação que deu à cidade brasileira a sede olímpica, Papa Massata Diack recebeu em uma conta bancária pessoal uma transferência de dois milhões de dólares enviada por uma das empresas do empresario carioca Arthur Cesar.

O Ministério Público francês também conseguiu a colaboração de um brasileiro, Eric Maleson, antigo presidente da Confederação Brasileira de Esportes de Gelo. Maleson contou às autoridades francesas que Nuzman e outro membro do Comité Olímpico Brasileiro (COB), Ruy César Miranda Reis, fizeram viagens à África para comprar o voto de países desse continente.

Os presos serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O COB ainda não se manifestou sobre a operação da PF.

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