_
_
_
_

EUA e China buscam plano de resposta à ameaça norte-coreana

Trump reage ao teste de míssil fracassado de Pyongyang com um gesto a Pequim

Amanda Mars
O vice-presidente Mike Pence
O vice-presidente Mike PenceLee Jin-man (AP)

Os Estados Unidos buscam com a China e seus aliados internacionais um plano de resposta, com diversas opções, caso a Coreia do Norte continue com as suas “provocações”. Os testes balísticos do regime comunista são cada vez mais inquietantes, apesar do revés sofrido no domingo com o fracasso do lançamento de um novo míssil. O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu neste domingo com um gesto a Pequim, a quem pede mais colaboração, embora admitindo abertamente que seus ataques no terreno econômico estarão muito vinculados ao que ocorrer com a frente norte-coreana. “Por que eu chamaria a China de manipuladora de moeda quando está trabalhando conosco no problema norte-coreano? Veremos o que acontece!”, disse Trump no Twitter. O mandatário norte-americano, que passava o fim de semana em sua mansão na Flórida, também defendeu o maior gasto militar afirmando que “não há escolha”.

Mais informações
EUA admitem concessões à China em troca de ajuda contra “ameaça” coreana
Coreia do Norte desafia Trump e prepara um novo teste nuclear
Coreia do Norte afirma estar preparada para qualquer tipo de guerra desejada pelos EUA
Estados Unidos deslocam navios de guerra para península da Coreia

Seu número dois, o vice-presidente Mike Pence, e o diretor do Conselho de Segurança Nacional, general Herbert McMaster, usaram um tom mais duro. A ação norte-coreana coincidiu com a viagem de Pence à Ásia, justo a caminho da Coreia do Sul, para analisar as diferentes opções de resposta ao programa cada vez mais ameaçador. “A provocação do norte esta manhã é simplesmente o último lembrete sobre os riscos que cada um de vocês enfrenta todos os dias”, disse Pence numa reunião com militares norte-americanos e sul-coreanos numa base em Seul. Ao mesmo tempo, McMaster explicou, durante visita ao Afeganistão, que os EUA trabalham com seus aliados internacionais e com o Governo chinês para “elaborar uma gama de opções” que estejam prontas se o regime norte-coreano “continuar com seu padrão desestabilizador e provocador”.

A nova demonstração de força de Pyongyang não causou surpresa. A celebração do 105o aniversário do nascimento do fundador (Kim Il-sung) buscava, além de reforçar a imagem de poder do neto, Kim Jong-un, lançar uma mensagem ao Governo de Trump num momento de tensão entre os dois países. Antes do lançamento fracassado, o regime asiático havia exibido diversos mísseis pelas ruas da capital, em outra parte das comemorações pelo aniversário de nascimento do fundador. Assim, o neto mostrava ao mundo – e muito especialmente à nova Administração dos EUA – seu poderio em armas nucleares e, nas palavras do número dois do regime, Choe Ryong-hae, dava um recado muito inquietante: “Se houver uma provocação temerária contra nós, nosso poderio contrarrevolucionário lançará um contra-ataque com um golpe aniquilador. Responderemos à guerra total com guerra total, e à guerra nuclear com nosso próprio estilo de ataque nuclear.”

A alta voltagem das mensagens entre os EUA e a Coreia do Norte – uma ditadura ferrenha e o país mais sancionado do mundo pelo desenvolvimento do programa nuclear – causa preocupação no planeta inteiro. O entrevero tem se mantido através de palavras (“A Coreia do Norte está procurando problemas. Se a China quer nos ajudar, ótimo. Do contrário, resolveremos os problemas sem eles!”, disse Trump na terça-feira) e também de gestos. Há uma semana, Washington posicionou diante da Península da Coreia um grupo naval de ataque liderado pelo porta-aviões Carl Vinson, que inicialmente se dirigia rumo à Austrália, como resposta às ameaças do regime norte-coreano.

Pyongyang intensificou seus ensaios com armas nucleares nos últimos tempos, e as sanções impostas pela ONU não surtem efeito. Nesse contexto, a nova Casa Branca advertiu, semanas atrás, que sua paciência estava acabando. Em viagem pela Ásia em meados de março, o secretário de Estado, Rex Tillerson, afirmou que não descartava nenhuma opção, inclusive a militar, embora logo depois tenha moderado o tom e voltado a apostar na via política. Trump retomou há poucos dias a retórica mais beligerante.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_