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Coreia do Norte desafia Trump e prepara um novo teste nuclear

Imagens de satélite indicam, segundo analistas, que o regime está pronto para outra detonação

Coreia do Norte Kim Jong-un
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, na quinta-feira, 13 de abril, em Pyongyang. AP

A Coreia do Norte está “pronta e preparada” para executar um novo teste nuclear, segundo a última análise de imagens via satélite do portal especializado 38 North. Considerando o secretismo e a propaganda em torno do programa de armamento atômico de Pyongyang e, uma das únicas formas de vigiar os planos nucleares do regime liderado por Kim Jong-un é olhar do alto.

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As fotografias foram tiradas na quarta-feira, dia 12 de abril, na região em que a Coreia do Norte realizou todas as detonações no passado e o único lugar conhecido em que se acredita que o regime é capaz de realizá-las: a base militar de Punggye-ri, situada em uma zona montanhosa a cerca de 370 quilômetros a noroeste de Pyongyang e a menos de 100 quilômetros da fronteira com a China. Obviamente grande parte dessas instalações é subterrânea, mas a atividade na superfície —ou a falta dela— dá aos analistas várias pistas sobre o nível de avanço dos preparativos para um novo teste.

A última análise da 38 North, um programa de estudos norte-coreanos do centro SAIS, uma parceria de Estados Unidos e Coreia do Sul, demonstra “atividade persistente no portal norte, nova atividade na principal região administrativa e pessoal no centro de comando das instalações”. Os especialistas vêm detectando “níveis fora do normal de atividade” durante o último mês, especialmente neste túnel setentrional, o lugar em que foram realizados os últimos quatro testes nucleares.

Nas imagens é possível observar um veículo na porta deste túnel e pequenos grupos de pessoas na área administrativa. Os analistas asseguram que a quantidade de água drenada do subterrâneo se reduziu nos últimos dez dias, enquanto a pilha de escombros em que os resíduos são depositados depois da escavação está intacta, o que significa que a galeria está cada vez mais seca e que não se perfurou mais.

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Nas imagens do dia 2 de abril, os especialistas realmente observaram novos rejeitos. Na época afirmaram que este padrão “poderia significar a iminência de um sexto teste nuclear, apesar de que as imagens não oferecem nenhuma evidência definitiva da instalação de um dispositivo nuclear ou do momento exato de tal teste”. Para além dos movimentos no túnel norte, as outras partes do complexo estão inativas. As fotos de dez dias atrás também não mostravam atividade alguma no centro de comando e na área de administração.

Vários analistas especulam que a Coreia do Norte poderia realizar um novo teste nuclear a qualquer momento, coincidindo com a comemoração nesse sábado do 105º aniversário do nascimento de Kim Il-sung, avô do atual líder e fundador do regime.

No entanto, militares de alta patente da Coreia do Sul afirmaram para a agência Yonhap que não detectaram atividade incomum no complexo nuclear de seu vizinho do norte, apesar de também não descartarem a possibilidade de que a explosão ocorra “devido à imprevisibilidade do regime e de suas provocações passadas”.

Um novo teste nuclear acrescentaria vários graus na já em si tensa situação da península. Desde o início do ano, Pyongyang não só não deu mostras de querer recuar em seu programa nuclear e de mísseis balísticos apesar das sanções das Nações Unidas, mas deixou claro que os lançamentos são cada vez mais recorrentes. Seul decidiu acelerar a instalação do polêmico sistema antimísseis THAAD para enfrentar a ameaça de seu vizinho do norte e a nova administração de Donald Trump não descartou a opção militar para forçar o país a abandonar suas ambições de se tornar uma potência nuclear.

Enquanto em Pyongyang continuam os preparativos para as comemorações do sábado, uma frota naval norte-americana se dirige à península coreana como demonstração de força e, ao mesmo tempo, como mensagem de advertência. Em Punggye-ri tudo parece estar preparado. Agora falta saber se o jovem Kim dará a ordem definitiva.

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