Caso Odebrecht

Caso Odebrecht respinga na campanha presidencial de Juan Manuel Santos em 2014

MP afirma que a empresa transferiu um milhão de dólares em subornos para a campanha do presidente

Sede dos escritórios da Odebrecht na Colômbia, fechada pela polícia local.
Sede dos escritórios da Odebrecht na Colômbia, fechada pela polícia local.ERIKA SANTELICES (AFP)

A investigação do caso Odebrecht e suas ramificações parece não ter fim na América Latina. Na Colômbia dá a impressão de que está apenas começando. Na terça-feira, o Ministério Público afirmou que parte do dinheiro recebido como suborno por um ex-senador preso no começo do ano teria terminado na campanha presidencial de Juan Manuel Santos em 2014.

No dia 14 de janeiro foi preso ex-congressista do Partido Liberal Otto Bula. Segundo disse a promotoria-adjunta, María Paulina Riveros, Bula foi contratado pela empresa brasileira em agosto de 2013 para garantir que a Odebrecht conseguisse um trecho de uma estrada, a Ruta del Sol, na Colômbia. De acordo com a investigação realizada pelo Ministério Público, Bula recebeu uma comissão de 4,6 milhões de dólares (cerca de 14,36 milhões de reais. “Foi estabelecido que desse montante, o senhor Otto Bula fez duas transferências para a Colômbia durante o ano de 2014, num total de um milhão de dólares, cujo beneficiário final teria sido a direção da campanha ‘Santos Presidente-2014’”, disse o Ministério Público num comunicado na terça-feira. De acordo com o órgão de acusação, desse milhão de dólares “teria sido deduzida uma comissão de 10% a terceiros já identificados pelo Ministério Público”.

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O diretor da campanha de Santos em 2014, Roberto Uribe, negou as acusações. “Manifesto minha mais enérgica rejeição às declarações infundadas, tendenciosas e caluniosas sobre minha pessoa dadas ao ministério Público pelo senhor Otto Bula, que mal conheço, com o qual nunca, jamais, compartilhei nem mesmo um café”, disse Uribe num comunicado. “Promovi e liderei, no interior da campanha política, não receber doações. As despesas da mesma foram pagas com as receitas de substituição estabelecidas em lei, como consta nas demonstrações financeiras apresentadas ao CNE e auditadas pela mesma instituição”, acrescenta o texto.

O desta terça-feira é o penúltimo capítulo dos tentáculos com os quais o caso Odebrecht parece afligir a Colômbia em menos de um mês. O primeiro episódio ocorreu em 12 de janeiro, quando o Ministério Público prendeu Gabriel García, ex-vice-ministro dos Transportes durante o Governo do presidente Álvaro Uribe, nos anos de 2009 e 2010. O político recebeu 6,5 milhões de dólares da Odebrecht para garantir que a gigante brasileira da construção civil fosse a única empresa habilitada para a licitação de um trecho da Ruta del Sol, uma das principais estradas do país. “Está sendo acusado dos crimes de suborno perfeito, interesse indevido na celebração de contratos e enriquecimento ilícito”, anunciaram os investigadores. García Morales foi o primeiro a ser preso na Colômbia pelo escândalo da empresa brasileira, multada em 3.500 milhões de dólares por ter pagado subornos para conseguir contratos em diversos países da América Latina.

Dois dias depois da prisão do ex-vice-ministro de Uribe aconteceu a prisão de Otto Bula, um tumultuoso ex-congressista que apareceu em diversas polêmicas e casos de corrupção nas últimas décadas na Colômbia. Nos últimos dias, vazou a notícia de que Bula daria nomes de 14 pessoas, incluindo ex-ministros e ex-políticos que, segundo ele, estariam envolvidos em subornos da Odebrecht.

O financiamento da campanha de Santos em 2014 não é o único marcado pelo caso de corrupção da empresa brasileira. Há várias semanas se investiga a possível participação do publicitário brasileiro Duda Mendonça, preso no âmbito da Operação Lava Jato, na campanha Óscar Iván Zuluaga, o adversário derrotado por Santos nas últimas presidenciais. Segundo as investigações, a Odebrecht teria pagado 1,6 milhão de dólares a Mendonça para assessorar a campanha de Zuluaga, candidato de Álvaro Uribe, que pediu ao Ministério Público investigar o fato.