Mobilização contra a PEC 241 tem primeiro teste de força nas ruas

Manifestantes vão até a Federação dos Bancos, em São Paulo, em ato menor do que o esperado pelos ativistas

Ato em São Paulo, nesta segunda.
Ato em São Paulo, nesta segunda.Marina Rossi

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O ato, convocado em mais nove cidades para ocorrer simultaneamente, saiu da frente do MASP às 19h30. Por volta das 21h30, chegou ao ponto final: a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), na avenida Brigadeiro Faria Lima, zona oeste da cidade. Segundo Márcio Moretto Ribeiro, membro do coletivo Democracia na Real, que convocou o ato, a escolha do destino final se deu pela relação com a proposta do movimento em alternativa à PEC 241. "O congelamento dos gastos com investimento social não é a única saída para o ajuste fiscal", diz. "Existem outras possibilidades, como cobrar imposto sobre dividendo, algo que é feito no mundo todo, e criar outras faixas de imposto de renda". O coletivo não entrou em contato com outros movimentos para este ato porque, segundo Ribeiro, o movimento é autônomo, sem a participação de partidos políticos. "Este é um ato da sociedade civil contra a PEC 241", diz. "Não queríamos que entrasse na dicotomia contra o impeachment". Apesar disso, os gritos de "fora Temer" tiveram força em vários momentos da marcha, que ocorreu sem repressão policial.

Michael Costa Almeida, 32, participou do ato vestido de terno e gravata, com uma maleta de notas exageradamente grandes de dinheiro nas mãos e uma máscara de rato no rosto. "Estou vestido para representar o símbolo das pessoas que serão beneficiadas por esta PEC", disse o ex-bancário. Apesar de participar do protesto até o final, ele afirmou não acreditar que as ruas serão capazes de barrar a aprovação da proposta. "A rua complementa [a luta], mas acho difícil barrar". Ainda que frustrada a expectativa de atingir 20.000 manifestantes, no final da marcha os organizadores mostraram fôlego ao anunciar a data do próximo protesto: sexta-feira, 21.

O primeiro ato nas ruas foi convocado após uma manifestação virtual. Enquanto em Brasília 366 deputados votavam a favor da PEC 241 na segunda-feira 10 de outubro, os ativistas contrários à proposta se manifestavam no Twitter. No auge daquela noite, a hashtag #PECdoFimDoMundo ficou entre as dez mais usadas no ranking mundial do Twitter, num esforço de última hora circunscrito ao mundo virtual.

Desta vez, diferentemente dos principais atos contra o impeachment de Dilma Rousseff, a marcha não foi encabeçada por grupos tradicionalmente ligados à esquerda organizada ou ao PT - ao menos não esta. Horas antes do início do protesto, militantes do MTST, dos sem-teto, ocupavam o escritório da presidência, na avenida Paulista, por moradia e contra a PEC 241. Mas tanto o MTST quanto a principal central sindical do país, a CUT, não foram procurados pelos organizadores do protesto. Ainda assim, alguns militantes do MTST se juntaram à marcha.

Artistas contra a PEC 241

Contra a #PEC241. Faça a sua parte. #PECdoFimDoMundo #PECdaMaldade #RuaNeles

Gepostet von CUT Brasil am Montag, 17. Oktober 2016

O grupo Democracia na Real, que liderou o ato desta segunda, se diz horizontal, apartidário e autônomo "que luta por direitos". Surgiu neste ano, a partir de uma convocação para ocupação do vão livre do MASP para a realização de assembleias, debates e aulas públicas "visando barrar os retrocessos e expandir direitos sociais".

O próximo passo da PEC no Congresso ocorre na próxima segunda-feira, dia 24, quando está marcada a segunda e última votação da proposta na Câmara. O texto ainda tem que passar por duas votações no Senado para se tornar lei.

Guerra publicitária

Enquanto as ruas testam a capacidade de mobilização contra a PEC que pode ter impacto sobre o salário mínimo e o investimento em programas sociais, o Governo Temer usa sua munição publicitária para melhorar a imagem de uma das suas mais polêmicas propostas até agora. A escolha da marca #EquilíbrioDeContas para tratar dos temas ligados à PEC 241 explicita a mensagem que o presidente quer passar, de que a nova regra fiscal é a maneira de tentar interromper a curva ascendente do gasto público e ajudar na saída do país da recessão.

Na página no Facebook do Portal Brasil, uma publicação diz que o #EquilíbrioDeContas pode "controlar as contas para garantir o investimento sem prejuízo para educação; ampliar investimento na educação já em 2017, em 7%" e "fazer o Brasil voltar a crescer", mas não explica como será esse aumento de investimentos. Finaliza que não dá para "aumentar o investimento em educação com o Brasil quebrado". Não menciona o termo PEC 241, martelado pela oposição na última semana.

Do outro lado, a CUT  publicou um vídeo com artistas, como Wagner Moura, Beth Carvalho e Osmar Prado, contrários à PEC. Usam a música Apesar de você, de Chico Buarque, composta durante a ditadura militar, para se referir aos feitos de Temer.