Cúpula do G20

China e EUA aproveitam G20 para ratificar acordo contra mudança climática

O presidente Barack Obama, e o chinês, Xi Jinping, selaram o compromisso na véspera da cúpula em Hangzhou

O presidente Xi Jinping neste sábado em Hangzhou. ALY SONG REUTERS / ATLAS (atlas)

O acordo foi "revisado e ratificado" pela Assembleia Nacional Popular (ANP), o órgão legislativo mais importante do gigante asiático, cuja reunião bimensal foi concluída no sábado, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. "A ratificação do tratado corresponde aos interesses da China, e ajudará o país a desempenhar um papel mais importante na governança climática global", publicou a agência oficial.

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Horas depois, Obama e Xi entregaram ao secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, os documentos que certificam a adesão formal de seus países ao tratado. Ban se mostrou otimista em relação à possibilidade de que, depois da ação conjunta, o acordo possa entrar em vigor até o fim deste ano.

"Algum dia veremos esse como o momento em que, finalmente, decidimos salvar o nosso planeta", garantiu Obama durante uma cerimônia celebrada no idílio lago do oeste, em Hangzhou. O presidente dos Estados Unidos elogiou os esforços realizados pelo seu país, em pareceria com a China, na luta contra a mudança climática, apesar de suas diferenças em outros âmbitos: "estamos dando o exemplo. Como as duas maiores economias e os dois maiores emissores do planeta, nossa participação nesse acordo dá continuidade ao impulso dado em Paris, e deve inspirar a confiança do resto do mundo para que possamos avançar em direção a um futuro com baixos níveis (de emissão) de carbono".

A luta contra a mudança climática é um dos âmbitos em que ambas as potências parecem falar quase o mesmo idioma. Xi e Obama estabeleceram um marco no final de 2014 ao determinar metas de redução de emissões de dióxido de carbono, e sua decisão foi vital para que os 180 países chegassem a um acordo na cúpula de Paris. A poucas horas de que comece o G20, na cidade chinesa de Hangzhou, ambos os mandatários voltaram a dar um golpe de impacto que pressiona, assim, outras nações a seguirem seus passos.

O acordo de Paris só pode entrar em vigor 30 dias depois de ser ratificado por, no mínimo, 55 países que representem 55% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Até o momento, 24 nações tinham assinado o tratado (em sua maioria países e ilhas do Pacífico e do Caribe), mas suas emissões chegavam a pouco mais de 1% do total.

A decisão de Estados Unidos e China de se unirem a esse grupo é um avanço decisivo, já que ambos são responsáveis por, aproximadamente, 40% das emissões mundiais. "O anúncio conjunto envia um forte sinal ao mundo de que o acordo de Paris deixou de ser apenas um consenso para se tornar uma ação. O compromisso adquirido hoje aumenta as possibilidades de que o pacto possa entrar em vigor muito antes (do que se esperava). Mas ele deve ser visto apenas como um ponto de partida, e não o final, de uma ação global contra a mudança climática", afirmou em um comunicado o responsável pela Política Climática e Energética do Greenpeace no leste da Ásia, Li Shuo.

Segundo o acordo elaborado em Paris, a China se compromete a alcançar seu pico de emissões no ano de 2030 - Pequim garante que chegará a esta meta inclusive antes - e a aumentar, em 20%, a proporção de fontes não poluentes em seu consumo total de energia. Os Estados Unidos, por sua vez, deverão reduzir suas emissões em 28% até 2025.