Cúpula do G20

Na China, Temer garante que o Brasil continua a ser um sócio confiável

Novo presidente é recebido pelo premiê chinês Xi Jinping. Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fala de investimentos de 269 bilhões a investidores chineses

Os presidentes do Brasil e da China, Michel Temer e Xi Jinping, em Hangzhou.
Os presidentes do Brasil e da China, Michel Temer e Xi Jinping, em Hangzhou.IWASAKI MINORU / POOL / EFE

O presidente Michel Temer quer enviar ao mundo uma mensagem de estabilidade depois do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. Temer foi, junto com o premiê de Cingapura, Lee Hsien Loong, e o presidente indonésio, Joko Widodo, um dos primeiros mandatários a chegarem à China para a cúpula do G-20, que reúne as principais economias mundiais a partir deste domingo em Hangzhou. O presidente brasileiro, que tomou posse oficialmente na quarta-feira, também foi um dos primeiros a manter uma reunião bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping.

Seu primeiro ato na China foi participar de um fórum empresarial sino-brasileiro em Xangai, capital financeira da segunda maior economia mundial. Lá, esforçou-se em salientar a ideia de normalidade. “Apesar de termos sofrido turbulências políticas e econômicas e uma recessão econômica, já viramos essa página”, disse. O Brasil, segundo ele, “deixou para trás toda a instabilidade econômica e política”.

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O novo presidente brasileiro também participou, numa reunião com o prefeito de Xangai, Yang Xiang, da assinatura de nove acordos em setores como agricultura, aviação e logística, incluindo um projeto de 3 bilhões de dólares na área de siderurgia. O Brasil “necessita do apoio da China, precisamos da cooperação da China”, declarou.

Ele também buscou transmitir pessoalmente a Xi a mensagem de que o Brasil continuará sendo um sócio confiável de Pequim. A China é o principal sócio comercial do Brasil – no ano passado, o intercâmbio entre os dois países foi superior a 66 bilhões de dólares –, e o crescimento mais lento do país asiático nos últimos três anos contribuiu para os problemas econômicos do gigante latino-americano. Além da parceria comercial, os dois países vêm mantendo uma excelente relação diplomática como membros do grupo BRICS.

Numa reunião na Casa Estatal de Hóspedes à beira do idílico lago do Oriente, em Hangzhou – cidade que por sua beleza assombrou Marco Polo no século XIII –, Temer salientou ao chefe de Estado chinês “a necessidade de manter a sólida relação criada ao longo do tempo”.

Após a cassação de Dilma Rousseff, a China manifestou sua esperança de que o Brasil possa manter a normalidade. Xi, com quem Temer se reunira em Pequim há dois anos, durante uma visita oficial como vice-presidente, manteve a mesma mensagem. “A China tem grande confiança nas perspectivas de desenvolvimento do Brasil, assim como confiança na cooperação entre a China e o Brasil”, declarou o mandatário chinês.

“Devemos continuar nos tratando como sócios no desenvolvimento e fortalecer a cooperação, de modo a fazermos da cooperação sino-brasileira um exemplo de relações de unidade e colaboração entre os países desenvolvidos”. Xi  também teria convidado Temer para uma visita de Estado, ainda sem data para ocorrer.

O novo chefe de Estado brasileiro deve manter, ao longo de sua estadia em Hangzhou, reuniões bilaterais também com o presidente em exercício do Governo espanhol, Mariano Rajoy, com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e com o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Nayef.

Encontro com investidores

Ao falar a empresários chineses em seminário em Xangai, Temer afirmou que a China é "destino dos mais apropriados" para o início de uma nova jornada mediante a profundidade das relações com o Brasil, segundo a agência Reuters. Temer também frisou que o fundamento central do seu Governo é a responsabilidade, citando como exemplo a proposta do teto de gastos

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também participou do evento e declarou que o país tem projetos de infraestrutura de 269 bilhões de dólares para os próximos quatro anos, mas não especificou os projetos.  O ministro ressaltou, no entanto, que não se trata de um compromisso do Governo, mas sim uma "janela de oportunidades".

"É uma projeção de oportunidades de projetos nos próximos três a quatro anos, será detalhado pelo Moreira Franco [Secretário do Programa de Parcerias de Investimentos] no mês de setembro, não necessariamente nesse número, mas ele vai detalhar pelo menos a primeira parte do programa", disse o ministro segundo a Folha de S. Paulo. Na área de petróleo, por exemplo, o potencial de projetos para investidores chegaria a 90 bilhões de dólares até 2019.

Meirelles também aproveitou a oportunidade para apontar alguns sinais de melhora da economia brasileira, que vive a maior recessão dos últimos tempos. “Agora, há uma previsão de crescimento substancial. É importante mencionar que o investimento foi o primeiro setor da atividade econômica que reagiu, porque há um sinal claro de que a economia brasileira está crescendo”, disse. O ministro afirmou ainda que o Brasil pode crescer 2,5% em 2018 e tem potencial de expansão. (Com agências)

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