Operação Lava Jato

Do PC do B ao DEM, propina de Machado não conhece ideologia

Ex-presidente da Transpetro enredou políticos de seis legendas no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato

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Michel Temer (PMDB-SP)

É a primeira vez que o nome do presidente interino é citado diretamente por um delator da Lava Jato como envolvido em um ato que ele saberia ser ilícito. Conforme depoimentos que Machado concedeu ao Ministério Público Federal, Temer solicitou que ele obtivesse 1,5 milhão de reais de propina para a campanha de seu aliado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo no ano de 2012. Em nota, Temer afirmou que “sempre respeitou estritamente os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais. Jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas”.

Renan Calheiros (PMDB-AL)

Em seu depoimento, Machado diz que “em 2004 ou 2005” Renan o procurou e disse que “precisava manter sua estrutura e suas bases políticas”, indagando se ele não poderia colaborar. De acordo com o delator, estava implícito que o senador “não esperava que os aportes fossem feitos de meus recursos próprios”, e sim via propinas pagas por contratos com a Transpetro. As reuniões entre os dois ocorriam mensalmente para acertar os repasses, que totalizaram 32 milhões de reais, 8,2 milhões via doações oficiais de campanha feitas pela Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e Camargo Correa. Em nota, o senador diz que “jamais recebeu recursos de caixa dois ou vantagens de quem quer que seja. Todas as doações de campanhas eleitorais ocorreram na forma da Lei, com as prestações de contas aprovadas pela Justiça”. Calheiros já é alvo de diversos inquéritos da Lava Jato.

Aécio Neves (PSDB-MG)

Machado afirma que ajudou a captar recursos ilícitos para a campanha do hoje senador tucano à presidência da Câmara dos Deputados em 2001. Os recursos foram usados para financiar a campanha de 50 parlamentares simpáticos ao parlamentar mineiro. No total, as doações irregulares totalizaram 7 milhões de reais. "Esses recursos ilícitos foram entregues em várias parcelas em espécie, (...) aos próprios candidatos ou a seus interlocutores. A maior parcela foi destinada ao então deputado Aécio Neves, que recebeu 1 milhão em dinheiro", afirmou o delator. O senador já é investigado em dois inquéritos da Lava Jato. Em nota, Aécio afirma que "são acusações falsas e covardes de quem, no afã de apagar seus crimes e conquistar os benefícios de uma delação premiada, não hesita em mentir e caluniar".

José Sarney (PMDB-MA)

Em 2006 Machado diz ter sido procurado por Sarney, que relatou “dificuldades em manter sua base política no Maranhão e no Amapá”, e pediu ajuda financeira. No total, o delator afirmou ter repassado 18,5 milhões de reais ao então senador, sendo que 2,2 milhões foram pagos via doações oficiais das empreiteiras Camargo Correa e Queiroz Galvão para suas campanhas de 2010 e 2012. O advogado de Sarney negou as acusações de Machado.

Romero Jucá (PMDB-RR)

Na delação, Machado afirma que acertou os repasses com Jucá, que apoio sua nomeação para a Transpetro. Ele afirma que ia ao Senado mensalmente, onde entrava pela garagem para se encontrar com o senador. Jucá teria recebido 21 milhões de reais, sendo 4,2 milhões em doações oficiais de campanha pagas pela Camargo Correa e Queiroz Galvão em 2010 e 2014. Os advogados de Jucá negaram que o senador tenha recebido valores indevidos. Gravações feitas por Machado já haviam levado, no mês passado, à queda do senador do ministério montado por Temer.

Edison Lobão (PMDB-MA)

Maior responsável pelo crescimento exponencial do esquema de propina da Transpetro, de acordo com Machado, Lobão teria afirmado que na qualidade de ministro “deveria receber a maior propina mensal paga” dentre os políticos de seu partido. O delator afirma que a expectativa do peemedebista era embolsar 500.000 reais por mês, mas se contentou com menos quando foi informado que o máximo possível seria 300.000 reais. Os pagamentos a Lobão eram feitos, segundo Machado, a seu filho Marcio Lobão. No total o ministro recebeu 24 milhões de reais, 2,7 milhões via doações oficiais de campanha da Camargo Correa e da Queiroz Galvão. Os advogados de Lobão negaram que o senador tenha recebido valores indevidos.

Jader Barbalho (PMDB-PA)

Machado diz que era amigo de Barbalho desde 1991, e que após assumir a Transpetro o senador começou a pressioná-lo para receber propinas para fortalecer “sua base no Pará”. No total o delator disse ter repassado 3 milhões de reais ao peemedebista, mas depois a relação entre os dois sofreu um desgaste. Em seu depoimento Machado diz que Barbalho queria que ele saldasse em 2006 uma dívida sua com o banco BVA, o que não foi feito. O presidente do BVA, José Augusto Ferreira dos Santos, teria ligado pessoalmente para cobrar a dívida. Em nota enviada ao jornal A Folha de S.Paulo, Barbalho afirmou que "o que ele [Machado] quer, na verdade, é, combinado com o Ministério Público e a Justiça, sair da cadeia e ir beber vinho em Paris com os filhos. É um bandido com cobertura judicial".

Valdir Raupp (PMDB-RO)

O delator relata também que a Queiroz Galvão doou 850.000 reais para Raupp a seu pedido. Em nota, o senador afirmou que "repudia as declarações" de Machado.

Heráclito Fortes (PSB-PI)

Em 2006 a Transpetro queria ver aprovado no Senado um aumento de seu limite de endividamento, o que teria que passar por diversas comissões. Machado alega que ao chegar à comissão de infraestrutura, presidida pelo senador Heráclito Fortes, começaram a surgir dificuldades. Em sua delação, ele afirma que o parlamentar não pautava a matéria para ir a votação. Machado procurou o tucano Sérgio Guerra (morto em 2014), que se comprometeu, em troca de um valor de propina, a convencer Fortes a votar o projeto. Ficou acordado que cada um receberia um milhão de reais. No final, Machado ficou devendo 500.000 reais para Fortes, que em 2014 “cobrou bastante durante as eleições”. “Existem várias ligações telefônicas feitas por Heráclito à Transpetro para cobrar esse valor”. A reportagem não conseguiu entrar em contato com Fortes, que está fora do país.

Henrique Alves (PMDB-RN)

Machado afirmou que sempre o ajudava em época de campanha com pagamentos de propina disfarçados de doações oficiais. De acordo com o delator, Henrique Eduardo Alves recebeu 1,5 milhão de reais pago entre 2008 e 2014, em quatro eleições. Atualmente Alves é ministro do Turismo do Governo do presidente interino Michel Temer. Em nota, o peemedebista disse que "repudia a irresponsabilidade e leviandade" do teor da delação de Machado.

Candido Vaccareza (ex-deputado federal do PT-SP)

Em 2010, Machado afirmou ter conseguido uma doação de 500.000 reais por intermédio da Camargo Corrêa para Vaccareza. O petista já foi citado na Lava Jato pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. O petista divulgou nota na qual afirma que "Machado nunca arrecadou para as minhas campanhas, nunca pedi que ele arrecadasse”, e que seu nome é citado “de forma genérica”.

Jandira Feghali (PC do B-RJ) e Luiz Sérgio (PT-RJ)

Os dois sempre foram defensores da indústria naval, setor no qual as empreiteiras investiram pesadamente para obter contratos. Em sua delação, Machado afirma que a Queiroz Galvão doou 100.000 reais para a Jandira em 2010 e 400 mil para o Luiz Sérgio, em 2010 e 2014. O dinheiro seria propina disfarçada de doação oficial. Em nota, o petista afirmou que as doações recebidas foram legais e declaradas. Jandira afirmou que “repudia a tentativa de criminalizar as doações feitas segundo as leis à época vigentes, portanto legais e públicas, (...) bem como qualquer tentativa de vincular meu nome ao recebimento de propina”.

Edson Santos (PT-RJ)

O petista teria procurado Machado no ano de 2014 pedindo ajuda para concorrer ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro. O delator disse ter Intermediado doação por meio da Queiroz Galvão no valor de 142.400 reais.

Francisco Dornelles (PP-RJ)

Pediu ajuda a Machado em 2010, quando era presidente do PP. A Queiroz Galvão doou 250.000 reais ao diretório do PP do Rio de Janeiro. Atualmente Dornelles é governador interino do Rio de Janeiro. A reportagem não conseguiu contato com seus advogados.

Ideli Salvati (PT-SC)

Ela era a líder do Governo Lula no Senado em 2010, e segundo Machado pediu doação de campanha para concorrer ao Governo de Santa Catarina. A petista recebeu 500.000 reais da Camargo Correa naquele ano por orientação do delator. A reportagem não conseguiu contato com seus advogados.

Jorge Bittar (ex-deputado federal do PT-RJ)

Recebeu 200.000 reais da Queiroz Galvão em 2010 por meio do diretório regional do Rio. De acordo com a delação de Machado, o valor teria sido repassado por sua orientação. Em nota, o petista afirmou que todas as suas doações foram declaradas e feitas dentro da lei.

Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Walter Alves (PMDB-RN)

Machado afirmou que em época de eleições Garibaldi o procurava. A última vez foi em 2014. Na ocasião, pediu doação para Walter Alves, seu filho. Foram doados 250.000 reais para o peemedebista, que se candidatou a deputado federal. Repassou também 450.000 reais para Garibaldi nas eleições de 2012 e 2014. Ambos afirmaram que as doações foram "oficiais e sem nenhuma troca de favor, benesse ou vantagem de qualquer natureza".

José Agripino Maia (DEM-RN) e Felipe Maia (DEM-RN)

Segundo o delator, a Queiroz Galvão doou 300.000 reais para Felipe Maia, o filho de Agripino, no ano de 2014, e 250.000 para o próprio senador no pleito de 2010. Os repasses teriam sido organizados por Machado.