Conselho de Ética adia votação de parecer sobre Eduardo Cunha
Grupo pró-cassação atuou para postergar decisão para impedir vitória de peemedebista
Tia Eron, dona do voto decisivo no caso, não registrou presença na sessão da instância
Eduardo Cunha (PMDB), presidente afastado da Câmara.Lula Marques/ Fotos Públicas
O Conselho de Ética da Câmara adiou nesta terça a votação do parecer do relator, Marcos Rogério (DEM-RO), que recomenda a cassação do mandato parlamentar do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Grupo pró-cassação atuou para postergar decisão para impedir uma possível vitória de peemedebista. A estratégia foi posta em prática após a deputada Tia Eron (PRB-BA), dona do voto decisivo no caso, não registrar presença na sessão e dar lugar a um aliado de Cunha. A sessão desta terça-feira foi dominada pela discussão em torno do pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela a prisão de Eduardo Cunha e de outros três nomes da cúpula do PMDB: Renan Calheiros (presidente do Senado), senador Romero Jucá e o ex-presidente da República José Sarney. Originalmente remarcada para estar quarta, a nova sessão do Conselho de Ética ainda não tem nova data.
Veja como foi a sessão e acompanhe as últimas notícias sobre o caso:
Aliados de Cunha reclamaram do fim repentino da sessão. Mas entenderam que ele foi legal. "Eles aprenderam a ler o regimento", provocou o deputado Carlos Marun (PMDB-MS).
A reunião desta quarta-feira deverá encerrar o processo mais longo do Conselho de Ética. Já são mais de sete meses desde que a representação chegou no colegiado.
Onyx Lorenzoni (DEM-RS) diz que voto em separado de João Carlos Bacelar comprova a tese da mentira e provoca Tia Eron: “Atenção, Tia Eron. Esteja onde estiver nesse planeta, ou em outro. O único voto que tenta fazer uma pálida defesa de Eduardo Cunha reconhece que ele mentiu.”
Os deputados Wladimir Costa (SD-PA) e José Geraldo (PT-PA) batem boca no plenário. Adversários em seu Estado um chama o outro de ladrão por conta de disputas locais.
Quatro horas de sessão e nada de Tia Eron aparecer na sessão do Conselho de Ética. Ela é a única que não declarou voto no caso. Com sua ausência, quem voto é Carlos Marun, membro da tropa de choque de Cunha.
A ausência de Tia Eron chama a atenção no plenário. Alessandro Molon (REDE-RJ) diz que, aparentemente, o presidente interino da República, Michel Temer (PMDB), está tentando interferir na Câmara ao chamar o presidente do PRB para um encontro na véspera da votação do processo.
Em nota, Cunha, disse estranhar o pedido de prisão. "Vejo com estranheza esse absurdo pedido, e divulgado no momento da votação no Conselho de Ética, visando a constranger parlamentares que defendem a minha absolvição e buscando influenciar no seu resultado".