Quando o PT estava do outro lado: sigla lidera pedidos de impeachment

Das 132 denúncias de afastamento de presidentes recebidas pela Casa desde 1990, o partido de Dilma Rousseff encaminhou 50

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Depois de Collor, até hoje, outros quatro presidentes ocuparam o cargo – Itamar Franco (PRN), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luis Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). Todos eles sofreram vários pedidos de impeachment, mas só a petista viu um processo vingar novamente na Câmara de Deputados, que decidiu neste domingo pela continuação do rito no Senado, que pode afastá-la temporariamente ou definitivamente do cargo. De 1990 para cá, foram 132 os pedidos protocolados na Casa – 50 deles pelo Partido dos Trabalhadores, que de oposição enérgica ocupa no presente o lugar amargo do derrotado.

O PT é recordista isolado no ranking de pedidos de impeachment no país. Na época de Collor, o partido estava lá, representado entre os 29 pedidos ingressados contra ele na Câmara, na denúncia do fundador do PT, Hélio Bicudo – autor de um dos pedidos que figuram hoje contra Dilma. A denúncia fatídica, no entanto, foi assinada pelos presidentes da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho, e da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcelo Lavenère. Lula, que perdeu a eleição para Collor e era o presidente do PT, teve um papel articulador desse movimento, que congregava vários partidos e respondia ao clima político generalizado e ao clamor das ruas.

A queda de Collor se tornou um fato, e seu vice, Itamar Franco, ocupou o posto. Contra ele, que governou até as novas eleições, em 1994, houve quatro tentativas de impedimento – todas arquivadas. A última delas foi protocolada por Jacques Wagner (PT), ministro da Casa Civil de Dilma, usando como base, segundo notícia da Folha de S.Paulo à época, “o fato do ministro-chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, ter submetido a MP do Plano Real à análise do comando da campanha de Fernando Henrique Cardoso”.

Nos dois períodos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), para quem Lula também perdeu as eleições, foram 17 os pedidos de impeachment contra o tucano (só um deles no primeiro mandato). O PT apresentou quatro. O primeiro foi ingressado em abril de 1999, no início do segundo mandato, por Milton Temer (RJ), José Genoíno (SP) e Orlando Fantazzini (SP), que eram membros da bancada petista na Câmara. Sob a presidência daquele que hoje sobe ao poder no país, Michel Temer (PMDB), a casa rejeitou o pedido. A situação reagia, acusando-os de “golpe” e dizendo que o PT não aceitava o resultado das urnas.

Eles alegavam crime responsabilidade, que o ex-presidente – que vivia dias de baixa aprovação do Governo – teria cometido durante a execução do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, o Proer, para financiar sua campanha com dinheiro dos bancos. Nos embates à época, iam além, acusando FHC de “estelionato eleitoral”, por ter prometido, durante a campanha da reeleição, o crescimento do país e a geração de empregos e por ter feito acordo com o FMI e ter criado uma política de recessão.

Evitando radicalismos que o complicassem nas eleições seguintes Lula, desta vez, não fazia parte da ofensiva – liderada naquele então pelo ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT), o primeiro a defender que FHC deveria reconhecer sua incapacidade de governar o país e líder de um movimento pró-renúncia, ao lado de Genoíno. Eram dias de agitação política, mas não havia recessão como a que o país vive hoje, e tampouco comoção popular contra a corrupção nos níveis atuais. É por essa combinação tóxica, para muitos, que Dilma caiu neste domingo. Como declarou o ex-deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) ao jornal OGlobo: “Imagina se naquela época tivesse a Petrobras, o mensalão e a oposição junto com esses três milhões de pessoas nas ruas? O FH não escapava de jeito nenhum”.

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