Processo de impeachment

Placar da comissão do impeachment X Justiça: dois lados com pendências similares

50% dos que votaram pró-impeachment e 59% dos contra respondem a questionamentos

Deputados na Comissão do Impeachment.
Deputados na Comissão do Impeachment.UESLEI MARCELINO (REUTERS)

Após a Comissão Especial do Impeachment da Câmara aprovar o relatório de Jovair Arantes (PTB-GO), favorável por 38 a 27 à admissão do processo de impeachment, um tema movimentou as redes sociais. Como votaram aqueles deputados que têm alguma pendência na Justiça? Um diagrama em mostrava os donos dos votos pró-impeachment como majoritariamente implicados em algum processo ou investigação (35 de 38) se tornou especialmente popular. Mas, na análise dos históricos, é difícil distinguir de maneira significativa os parlamentares, pelo menos na comissão do impeachment, por esse critério.

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De acordo com levantamento feito pelo EL PAÍS antes da votação, entre os 38 deputados que votaram a favor do relatório e, portanto, pelo prosseguimento do processo, 19 têm alguma pendência na Justiça, com base em consulta ao registros judiciais, dos tribunais de contas e do projeto Excelências, da Transparência Brasil. Dos 27 que não viam motivos para o impeachment seguir, 16 têm registro de ocorrências na Justiça ou em Tribunais de Contas. Se o número de enrolados a favor do impedimento de Dilma é maior em quantidade, em proporção ele é menor: 50% contra 59% do lado dos contrários ao impeachment.

O cruzamento

38 pró-impeachment19 têm alguma pendência na Justiça, ou 50% deles

27 contra o impeachment16 têm registro de ocorrências na Justiça ou 59% deles 

Neste cálculo, estão incluídos os suplentes Benedita da Silva (PT-RJ), Orlando Silva (PCdoB-SP), Laudivio Carvalho (SD-MG) e Bruno Araújo (PSDB-PE), ausentes na lista prévia deste jornal, que votaram devido à ausência de quatro dos membros titulares. Os dois primeiros, que votaram contra o impedimento de Dilma Rousseff, enfrentam algum questionamento judicial por sua atuação pública. Os outros dois, apoiadores do processo, não.

Justiça

O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP), cujo que partido negocia apoio a Dilma Rousseff e liberou os deputados para votarem como quisessem na votação, tem 11 ocorrências no total, reunindo Justiça e Tribunais de Conta. Entre outras pendências, Maluf, que votou pelo impeachment, é réu em uma ação por lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federa e réu também em ação movida pela Justiça Federal por crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro.

Se o peemedebista Osmar Terra (RS), que votou pelo impeachment, teve irregularidades apontadas pelo TCE-RS em suas gestões na Secretaria Estadual da Saúde, em 2003, e uma condenação a multa por sua atuação no comando da prefeitura municipal de Santa Rosa, em 1995, o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), que votou contra o relatório, é alvo de representação (sob segredo de justiça) por captação e gastos ilícitos na campanha de 2014 com pedido de cassação de diploma.

Quando se trata de envolvimento com os ilícitos investigados pela Operação Lava Jato, a situação dos governistas fica mais desconfortável. Três dos votos contrários ao relatório de Jovair Arantes foram de deputados investigados no âmbito da operação: José Mentor (PT-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-SP) e Roberto Britto (PP-BA). Do lado dos apoiadores do impeachment, está o deputado Jerônimo Goergen (RS).

Leia aqui o levantamento completo do EL PAÍS, que também detalha quem dos parlamentares recebeu doação de campanha de empresas investigadas pelo esquema de corrupção da Petrobras.

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