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Governo reage nas ruas, mas vê impeachment avançar na Câmara

Após celebrar o resultado de pesquisa de opinião, Planalto amarga derrota em Brasília

Rodolfo Borges
O placar da Comissão do Impeachment.
O placar da Comissão do Impeachment.EVARISTO SA (AFP)

A semana havia começado bem para o Governo Dilma Rousseff. Pesquisa Datafolha indicava que o apoio à queda da presidenta tinha caído de 68% para 61%. O instituto dizia ainda que a maioria dos brasileiros também quer a saída do vice-presidente Michel Temer do comando do país, e, de quebra, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou popularidade enquanto possível candidato ao Palácio do Planalto — apesar da alta rejeição de 53%. As boas notícias, fruto do trabalho intenso do Governo e do PT que mobiliza bases tradicionais e até não petistas em torno do discurso de que Dilma é alvo de um processo frágil e, portanto, um golpe, chegaram a animar os deputados governistas nesta segunda-feira, mas não foram o bastante para reverter a esperada derrota do Planalto na Comissão Especial de Impeachment.

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Após mais um dia de debates intensos na comissão, a maioria dos deputados votou a favor do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que enxerga nos decretos de crédito suplementar razão para investigação por crime de responsabilidade. Os governistas dizem que o resultado de 38 a 27 a favor do relatório não surpreendeu e destacam que o importante é a votação de domingo. Mas a distância de 11 votos e o fato de partidos como PP, PR e PSD, alvos de negociação do Governo, não terem se engajado na defesa de Dilma não são um bom indicativo para Dilma.

Agora chefe do Gabinete pessoal de Dilma, Jaques Wagner disse após a votação que o Governo perdeu dois votos certos: o de Washington Reis (PMDB-RJ), que estava doente e acabou substituído por um oposicionista — Laudivio Carvalho (SD-MG) madrugou para tomar o primeiro lugar na lista de suplentes —, e o de Bebeto (PSB-BA), que não votou para não contrariar a posição de sua bancada, pró-impeachment. O Palácio do Planalto também não contou, contudo, com votos de três dos cinco deputados do PP na comissão. O partido prometeu se manter na base do Governo pelo menos até a votação do impeachment. Um deputado do PR, que também oscila em cima do muro, não compareceu e o PSD, outra potencial boia de salvação, deu dois de seus três votos ao impeachment na comissão

Enquanto isso, em ato multitudinário no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, Lula seguia estimulando os apoiadores da presidenta contra o impeachment. "A comissão acabou de derrotar a gente, mas isso não quer dizer nada. É o time dele (do Cunha). Domingo é que nós temos que ter clareza. Nós sabemos que temos que conversar com os deputados", discursou o ex-presidente, que tem feito corpo-a-corpo com parlamentares. O petista dividiu o com intelectuais e artistas, entre eles Chico Buarque e o escritor e humorista Gregório Duvivier.

Desde 18 de março, o PT tem mostrado poder de articulação com atos como o carioca, mas após a votação desta segunda-feira, o Governo se pergunta onde ainda é possível apelar dentro do Congresso Nacional. As projeções recentes dos votos no plenário indicam um aumento no número de deputados inclinados a votar pelo impeachment. Os últimos números dão conta de que cerca de 300 deputados vão votar pelo impedimento — são necessários pelo menos 342 votos para enviar o processo para o Senado e ainda não há certeza de que o ritmo de adesão aos oposicionistas será suficiente para alcançar a cifra até domingo. Do outro lado, os números do esquadrão governista estão estacionados em torno de 120 há dias, distante dos 172 necessários para barrar o processo. Agora, o suspense se estenderá até sexta-feira, quando o plenário da Câmara começará a analisar o pedido de instauração do impeachment após os prazos legais.

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