Corrupção na FIFA

Grandes times sul-americanos se rebelam contra seus dirigentes

Eles exigem controle sobre o funcionamento da Confederação

Figueredo no ano 2013.
Figueredo no ano 2013.ANDRES CRISTALDO (EFE)

No hotel do centro da capital uruguaia se reuniram os dirigentes de 15 equipes importantes do subcontinente, em busca de criarem uma inédita aliança e exigir uma mudança completa no funcionamento da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

Na Penitenciária Central permanece detido Eugenio Figueredo, outrora todo-poderoso presidente da Conmebol, que com suas milionárias confissões a respeito de 20 anos de corrupção revelou as cifras das quais as equipes – muitas delas deficitárias – precisavam para formalizar suas reclamações.

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A partir desta segunda-feira, 15 clubes do Uruguai, Argentina, Chile, Equador, Paraguai e Peru se integram à Liga Sul-Americana de Clubes, com o objetivo de que os direitos televisivos das partidas passem a ser propriedade das equipes, e não mais da Confederação, como estabelece atualmente o artigo 69 do estatuto.

Os clubes também exigem que a remuneração por cada partida disputada seja paga aos times sete dias antes do confronto, e que seja anulada a obrigação de ceder 10% da arrecadação à Conmebol. Por último, os diretores querem participar das negociações dos contratos de transmissão televisiva.

Eduardo Ache, presidente do uruguaio Nacional, uma das equipes mais importante do país, considera que já é hora de que os clubes sejam respeitados, e fala de uma ruptura com o passado. “A FIFA, no fundo, apenas administra a paixão pelo futebol. E uma confederação como a Conmebol precisa agregar valor. A única coisa que eles fazem é administrar o que nós geramos com as equipes. Hoje o que está acontecendo é um despertar democrático das bases”, comentou Ache.

O final de Figueredo e Villar

Assim que foi extraditado da Suíça, Figueredo detalhou ao promotor do caso as somas que recebia da Confederação. Suas remunerações, todas elas ilegais ou irregulares, garantiram-lhe durante anos uma renda mensal de 100.000 dólares, além de pagamentos pontuais e suculentos por cada contrato televisivo ou de publicidade com as equipes da região. O clamor agora é por um mínimo de transparência na gestão de futebol e, se possível, que o dinheiro seja recuperado.

Ache explicou que, durante a reunião a portas fechadas da segunda-feira, os diretores evitaram falar do caso Figueredo e de suas ramificações, que incluem uma solicitação para que Gorka Villar, diretor da Conmebol e filho do presidente da Federação espanhola, seja intimado a depor.

“Está claro que hoje a Confederação terá de tomar medidas, e o presidente que vier terá de justificar quem vai estar e por quê”, disse Ache a respeito.

“Aqui há dois tipos de dirigentes, os que temos um gol e todos os domingos estamos sujeitos aos vaivéns de se a bola entra ou não, e os dirigentes que não precisam estar lá aos domingos. E o incrível é que esses dirigentes fizeram fortunas em cima do nosso esforço”, disse o presidente do Nacional.

Participaram do encontro de Montevidéu os dirigentes do River Plate, Boca Juniors, Racing e San Lorenzo, da Argentina; Peñarol, Nacional e River Plate, do Uruguai; Colo Colo, Universidad de Chile e Universidade Católica, do Chile; Olimpia e Cerro Porteño, do Paraguai; Liga Esportiva Universitária, do Equador; e Sporting Cristal e Melgar, do Peru.

Freddy Varela, presidente do Tanque Sisley, lamentou que as equipes pequenas não tenham sido convidadas para o encontro e destacou o fato de nenhum clube brasileiro participar da nova Liga Sul-Americana. “Os grandes vão precisar de nós, porque há muitas outras equipes nas federações nacionais. As mudanças não poderão ser feitas sem que nos levem em conta”, afirmou Varela.

Por enquanto, o grupo de 15 equipes, todas disputando a Primeira Divisão em seus respectivos países, solicitou uma reunião extraordinária da Conmebol, que, segundo alguns dirigentes, será convocada nos próximos dias.

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