Atentados em Paris

Mentor dos atentados de Paris morreu na operação policial em Saint-Denis

Belga Abdelhamid Abaaoud foi dado como morto após a comparação de amostras de DNA

Abdelhamid Abaaoud, em uma foto divulgada em fevereiro.
Abdelhamid Abaaoud, em uma foto divulgada em fevereiro. (AFP)

O belga Abdelhamid Abaaoud, considerado o cérebro dos atentados de sexta-feira em Paris, foi abatido na madrugada desta quarta-feira na operação policial e militar no bairro parisiense de Saint-Denis, segundo confirmou esta manhã a Promotoria de Paris. “[Abaaoud] acaba de ser formalmente identificado como um dos mortos na operação realizada pela RAID [forças especiais] na rua Corbillon en Saint-Denis, na noite de 18 de novembro, após a comparação de amostras de DNA retiradas da sua boca. Trata-se do corpo descoberto no imóvel, crivado de balas”, diz a nota oficial da Promotoria divulgada nesta quinta-feira.

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O Ministro de Interior francês, Bernard Cazeneuve, declarou que "Abaaoud teve um papel determinante" nos ataques da semana passada em Paris. Cazeneuve disse que "nenhuma informação europeia" indicava que o dirigente terrorista se encontrava em território europeu.O ministro assegurou que a União Europeia deve colocar em vigor o PNR (registro de passageiros), o reforço de suas fronteiras exteriores e um plano contra o tráfico de armas.

Com o comunicado da Promotoria, fica confirmado que durante a operação no bairro de Saint-Denis morreram três jihadistas, um deles "uma jovem mulher" que levava um cinto com explosivos e se detonou. A Polícia não divulgou a identidade dela e nem a do outro terrorista. O comando de Saint-Denis estava "pronto" para realizar novos atentados, segundo o fiscal François Molins. Possuía um "verdadeiro arsenal de guerra". O primeiro-ministro Manuel Valls felicitou publicamente o trabalho realizado pelas forças de ordem.

Abaaoud  foi um dos primeiros combatentes estrangeiros a chegar à Síria, onde se instalou há dois anos. Uma publicação do Estado Islâmico (EI) difundiu supostas declarações suas nas quais contava que havia conseguido escapar de um cerco policial belga após um tiroteio. Tinha viajado da Síria à cidade belga de Verviers, onde em 15 de janeiro morreram os jihadistas num tiroteio com as forças de segurança.

A polícia suspeita que Abaaoud viajou em outras ocasiões à Bélgica e que instigou vários atentados, como o ataque de metralhadora ao trem Thalys entre Amsterdã e Bruxelas e o frustrado ataque a duas igrejas em Paris na primavera. Cazeneuve confirmou que o terrorista "parece estar envolvido em quatro dos seis ataques desativados desde a primavera passada".

Abdelhamid Abaaoud era considerado um dos principais líderes do Estado Islâmico na Síria e, segundo informações da polícia e dele mesmo, pôde regressar várias vezes à Bélgica sem ser controlado pelas autoridades. A Promotoria aclarou posteriormente não estar apta de afirmar que ele se suicidou durante a operação.

O principal fator que confirmou o envolvimento de Abaaoud foi, segundo confirmou Molins nesta quarta, um telefone celular encontrado em uma papeleira perto do Bataclan, onde os terroristas mataram 89 pessoas. Uma mensagem SMS no telefone dizia: "On est parti on commence" [Vamos lá, começamos].

A mensagem foi enviada às 21h42, justo antes do ataque à sala de shows. A Polícia investiga quem foi o destinatário. Após a análise do celular e dos dados de geolocalização, os agentes puderam chegar até um hotel de Alfortville, no departamento de Val-de-Marne, unido à Grande Paris. Tendo em vista às escutas de telefones e uma testemunha posterior, os investigadores deduziram que Abaaoud havia chegado à seu apartamento na terça.

Agora, as autoridades se centram em descobrir o paradeiro de outro dos supostos organizadores dos atentados de sexta. Trata-se de Salah Abdeslam, também belga. Seu irmão Ibrahim se suicidou na sexta em um restaurante do boulevard Voltaire de Paris.

Os dois irmãos participaram ativamente dos atentados na capital francesa após viajar de Bruxelas. Ibrahum tentou viajar à Síria em janeiro, mas a Turquia impediu. Ao voltar, as autoridades belgas interrogaram os dois irmãos. Foram deixados em liberdade. "Sabíamos que estavam radicalizados que poderiam ir à Síria, mas não pareciam ser uma ameaça. Inclusive se tivéssemos comunicado a França, duvido que tivessem sido freados", reconheceu o porta-voz da Promotoria belga a agência France Press. "Não mostravam sinais de ser uma ameaça".

Após participar da matança de sexta, Salah Abdeslam regressou à Bélgica no sábado pela manhã por estrada. Na fronteira, o carro no qual viajava com outras duas pessoas foi parado pela Polícia francesa. Os três foram identificados e os agentes liberaram a passagem. "A Bélgica não tinha incluído Salah na lista de suspeitos de Schengen", afirmam fontes policiais em Paris. 

Nas câmeras de segurança da estrada entre França e Bélgica, é possível ver um Volkswagen Golf no qual viajavam Salah e outros dois indivíduos até Bruxelas. Depois, o carro é visto em direção oposta porque, em teoria, deixaram Salah em seu seu destino. A Polícia belga deteve e interrogou o dois acompanhantes, que falaram que Salah ligou e pediu que fossem a Paris para busca-lo.

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