Impeachment Dilma Rousseff

Grupos anti-Dilma agora buscam ‘padrinhos’ para o impeachment

Movimento Brasil Livre e Revoltados Online querem apoio do Congresso para proposição Eles estudam como se aproximar de deputados e querem ser recebidos por Eduardo Cunha

Protesto este domingo em São Paulo.
Protesto este domingo em São Paulo. NELSON ALMEIDA (AFP)

Um dia depois da multitudinária convocatória que atraiu centenas de milhares de pessoas até a avenida Paulista para protestar contra o Governo Dilma, os organizadores já desenham o plano para ver suas pretensões em papel timbrado. Alimentados por um sucesso que nem eles mesmos esperavam, os integrantes do Movimento Brasil Livre, liderado em São Paulo por jovens defensores do liberalismo econômico, planejam viajar para Brasília até a semana que vem para encontrar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Apesar do peemedebista, que está entre os investigados da Lava Jato, ter se posicionado em contra o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o grupo pretende convencê-lo para que o assunto se torne pauta no Parlamento. “Ele não falou ainda pessoalmente conosco, mas hoje temos a força política para fazer que mude de ideia. O PMDB não tem uma ideologia firme, depende muito de votos e atua de acordo a interesses políticos”, afirma Kim Kataguiri, de 19 anos, o caçula do grupo. “Ontem demonstramos que as ruas têm foco e poder e fizemos a maior manifestação da história do Brasil."

Embora ostente uma retórica sobre apartidarismo e força das ruas, o grupo neófito se dirige agora para o centro tradicional do Poder para testar a sorte de sua agenda. Sonha apostar na dubiedade da posição do PMDB e do próprio Eduardo Cunha. Nominalmente, Cunha é um aliado do Governo Dilma, mas está sempre disposto a lançar críticas e abandonar o Planalto quando convém. Se, por um lado, o presidente do Congresso afirma que vai arquivar os pedidos de impeachment contra a presidenta Rousseff que chegarem à Casa, por outro, ele qualificou a reação do Governo diante das manifestações de "desastrosa".

O movimento ainda não fez contato com o deputado, mas não pretende parar aí. O próximo protesto já está marcado para o próximo dia 12 e a jovem comitiva vai procurar em Brasília um deputado que apadrinhe a causa do impeachment. “Queremos ver que congressistas estão interessados em defender a inclusão do nome de Dilma Rousseff na Procuradoria Geral da República, na lista de investigados na Lava Jato”, defende Kataguiri, que exige a destituição de Rousseff por improbidade administrativa, conduta considerada inadequada – por desonestidade, descaso ou outro comportamento impróprio – ao exercício da função pública.

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Os líderes dos Revoltados Online, que até pouco tempo atrás defendiam a intervenção militar, planejam estratégia parecida e decidirão nos próximos dias se convocam um novo protesto no próximo dia 12. Marcello Reis pretende viajar para Brasília esta semana ou a que vem para conversar também com Cunha. O grupo tem como prioridade achar um deputado que entre com um processo impeachment da presidenta e afirmam que um milhão de assinaturas recolhidas no seu site o respaldariam. O deputado do PP Jair Bolsonaro já apresentou na Câmara um pedido de impugnação contra Rousseff na semana passada, mas nenhum dos grupos parece achar nele um porta-voz válido. “Vamos falar com Bolsonaro, mas queremos entrar com nosso próprio processo, e para isso vamos pedir ajuda a um dos maiores juristas do Brasil , Ivis Gandra Martins [que defendeu a legitimidade do impeachment em artigo], para que nos oriente”, relata Reis.

Os revoltados também pretendem colocar em pauta um projeto de lei que acabe com as urnas eletrônicas. “Esse sistema é fraudável”, afirma Reis.

O mais moderado dos organizadores, o movimento Vem Pra Rua, em contra por enquanto da abertura de um processo de impeachment, não se manifestou.

Oposição tradicional

A movimentação dos grupos que convocaram diretamente os protestos contrasta com os gestos cautelosos da oposição tradicional, especialmente o PSDB, que tem dito não apoiar, ainda, o pedido de impeachment. Lideranças do partido dizem preferir ver Dilma sangrar a encampar abertamente um pedido de substituição. Nos protestos de ontem, os principais líderes da oposição não compareceram. Aécio Neves, candidato derrotado do PSDB na eleição presidencial de 2014, deixou uma mensagem em seu Facebook para justificar a ausência na marcha. “Optei por não estar nas ruas neste domingo, para deixar muito claro quem é o grande protagonista destas manifestações. E ele é o povo brasileiro”, afirmou.

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