crise hídrica

Em meio à crise hídrica, chuva faz vítima fatal e leva caos a São Paulo

Homem morreu eletrocutado na região central da cidade; córregos transbordaram e capital volta a sofrer o drama das enchentes recorrentes na época das chuvas

Ponto de alagamento na zona sul de São Paulo.
Ponto de alagamento na zona sul de São Paulo.Eduardo Anizelli (Folhapress)

Em meio à maior crise hídrica de sua história e sob a sombra de um racionamento de água, a cidade de São Paulo deu provas de que continua despreparada também para lidar com o excesso de chuvas: o forte temporal que atingiu a capital nesta quarta-feira fez sua primeira vítima fatal este ano.

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De acordo com o Corpo de Bombeiros, um homem de cerca de 40 anos morreu eletrocutado depois que árvores foram derrubadas pelas águas e atingiram a fiação elétrica da rua Tupi, na Santa Cecília, região central, que em seguida caiu sobre o carro. O motorista tentou abandonar o veículo e recebeu o choque. Serviços de emergência tentaram sem sucesso reanimá-lo.

A velha cena conhecida dos paulistanos, com ruas alagadas e carros submersos, também voltou a se repetir: o Centro de Gerenciamento de Emergências precisou declarar estado de atenção em toda a cidade, e sete pontos de alagamento deixaram o trânsito caótico.

"Nós já estamos acostumados com os alagamentos, este verão a água entrou em casa cinco vezes", lamenta o mecânico Francisco de Assis Tavares, de 65 anos. Francisco conviveu toda a semana passada com a água invadindo sua casa no bairro Vila Itaim, na zona leste de São Paulo, por conta das fortes chuvas que transbordaram o rio Tietê que corre ao lado de sua janela. As marcas de água nas paredes superam a altura dos joelhos, as gavetas dos armários de madeira não abrem mais. O cheiro de esgoto é insuportável.

"Aqui dormimos com as botas do lado da cama. Para ir ao banheiro ou sair de casa precisamos calçá-las. Eu tenho muito medo de doenças, nós já temos um vizinho que morreu de leptospirose [doença provocada pela urina de roedores]", conta a mulher de Francisco, Maria Alice Silva, de 60 anos. Na manhã de hoje os moradores respiraram ao ver que o bairro, depois de uma semana, amanheceu com caminhões da prefeitura bombeando a água para fora das ruas, mas horas depois a tormenta caiu de novo na zona leste.

O reaproveitamento da água das chuvas para driblar a escassez que atinge o Estado é uma das bandeiras de especialistas e ONGs que trabalham com recursos hídricos. Muitos paulistas estão construindo cisternas caseiras para enfrentar o desabastecimento.

Os bombeiros tiveram que mobilizar vinte viaturas e botes para resgatar pessoas que ficaram ilhadas nesta quarta. Córregos transbordaram na Vila Prudente, na altura da avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, e no Ipiranga, na altura do viaduto Pacheco Chaves.

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