Seleccione Edição
Login

Equipes de resgate salvam 40 pessoas no Himalaia

Há pelo menos 29 mortos e 82 montanhistas com paradeiro desconhecido

Uma tempestade de neve fustigou o teto do mundo nos últimos dias

Membros das equipes de resgate transportam sobreviventes. Ampliar foto
Membros das equipes de resgate transportam sobreviventes. AP

As equipes de resgate do Nepal, usando helicópteros, conseguiram chegar na sexta-feira pela primeira vez ao ponto mais alto do circuito de Annapurna, a passagem Thorung La, no Himalaia, onde puderam resgatar ao redor de 40 pessoas presas pela tempestade de neve que atingiu a zona nos últimos dias. Estes sobreviventes se juntam aos 150 que já tinham sido resgatados na quinta.

Pelo menos 29 pessoas morreram, mas acredita-se que a cifra poderia aumentar e se transformar na maior catástrofe ocorrida nas montanhas do Nepal. Entre as vítimas se encontram nepaleses, israelenses, canadenses, indianos, poloneses e eslovacos. Acredita-se que muitas das mortes ocorreram porque os montanhistas saíram de seus refúgios e tentaram cruzar o Thorung La, com uma altitude de 5.416 metros, para escapar de tormenta, mas foram atingidos por ela e pelas avalanches que causou. A polícia de Katmandu diz que ainda há 82 pessoas com paradeiro desconhecido.

As televisões locais transmitem constantemente as imagens das equipes de resgate que descem de helicóptero os corpos e os sobreviventes das montanhas, três deles em estado muito grave e muitos com hipotermia e sinais de congelamento. Os resgatistas utilizam picaretas e pás para cavar a neve em busca de rastros humanos.

“Os Himalaias estão cheios de montanhistas e excursionistas porque outubro é o melhor mês para vir. Normalmente é a temporada de melhor clima e dá para apreciar as lindas paisagens. Mas isto é alta montanha e as condições são extremas e imprevisíveis”, diz Sarbottam Shrestha, dono de uma agência de viagens que organiza trekkings. Diz que o circuito do Annapurna é um dos mais populares entre os viajantes por sua beleza. A maioria das pessoas que sobe não têm nenhum treinamento, apesar do risco que significa a altitude.

“Nosso plano era ficarmos resguardados em uma loja de chá, mas quando vimos, na manhã seguinte, que o tempo estava limpo, decidimos descer”, explicou o israelense Yakov Megreli aos meios de comunicação do Nepal. Ele e duas garotas foram atingidos por uma avalanche e seu guia os conduziu entre a neve até que chegaram as equipes de resgate pelo lado de Mustang. Megreli diz que tiveram sorte e que achou que iriam morrer.

Este ano foi um dos mais mortíferos no teto do mundo. Em abril passado, 16 sherpas morreram por causa de uma avalanche no Everest, no que também foi considerado o acidente mais letal no pico mais alto do mundo. Desde então, aumentaram as críticas contra o Governo pela falta de segurança. “O Governo cobra 20 dólares por cada permissão para subir, mas não faz nada por eles. Deveria gastar esse dinheiro em infraestrutura, em sistemas para prever o clima e na capacidade de fazer operações rápidas e eficiente quando as pessoas estão em perigo”, afirmou aos meios Keshav Pandey, que coordena o resgate a partir da Associação de Agências de Trekking do Nepal. Ele assegura que foi o incidente no qual mais pessoas morreram nas montanhas desse país e que agora a prioridade é resgatar os sobreviventes que continuam presos. Pandey diz que ainda não está claro o número de desaparecidos.

O primeiro-ministro, Suchil Koirala, lamentou em um comunicado a “morte extremamente trágica de pessoas quando há sistemas de previsão de clima disponíveis” e assegurou que o Governo fará esforços para manter as informações atualizadas, especialmente nas zonas mais vulneráveis, nas montanhas e perto dos rios.

Apesar de ser a melhor temporada do ano para subir às montanhas dos Himalaias, no domingo passado o ciclone Hudhud, que atingiu a costa leste da Índia deixando 24 mortos, mudou repentinamente as condições climáticas. Centenas de montanhistas e entusiastas do trekking já estavam a caminho, com acesso limitado a telefone ou Internet para monitorar o clima.