Na vacinação mais ambiciosa da história, alguns países saltam adiante

Desde o início da campanha foram administradas mais de 7 doses para cada 100 pessoas no mundo. O número chega a 116 em Israel enquanto Brasil já imunizou 9 em cada 100 de seus habitantes

Vacina da Pfizer-BioNTech Covid-19, durante a segunda fase da imunização a trabalhadores da Saúde em Valência.
Vacina da Pfizer-BioNTech Covid-19, durante a segunda fase da imunização a trabalhadores da Saúde em Valência.Mònica Torres (EL PAÍS)
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O mundo continua a corrida para se proteger da covid-19. O desenvolvimento da vacina foi assombrosamente rápido, mas sua administração também está sendo um feito: em apenas três meses foram aplicadas 596 milhões de doses em todo o mundo, 7,7 para cada 100 pessoas. Em Israel, um dos países com maior população vacinada, esse número chega a 116 para cada 100 pessoas. Na maior parte da União Europeia —incluindo Espanha e Itália— a taxa é de 17 doses (a maioria de vacinas exige duas doses para ter a imunização completa). Pelo menos 2% da população mundial foi imunizada.

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O ritmo da vacinação, entretanto, é muito desigual por países. Em Israel, 55% da população já está vacinada com duas doses. O país é seguido na lista por nações como o Chile (18%), os Estados Unidos (16%) e o Reino Unido ―este último com uma estratégia de privilegiar as primeiras―, que administraram mais de 40 doses para cada 100 pessoas. A Espanha aparece em um segundo grupo, com aproximadamente 6% de sua população completamente vacinada, com a Dinamarca, Islândia, Grécia, Itália e Alemanha e os principais países europeus. Na União Europeia, onde a Pfizer-BioNTech e a AstraZeneca dominam o mercado, 5,7% da população já está imunizada e 13,5% recebeu pelo menos uma dose.

No restante dos países, que são a maioria, a vacinação mal começou e não existem dados. Na tabela pode ser consultada a situação em cada um.

Na Europa a vacinação acelerou desde janeiro, ainda que não no ritmo previsto. Como mostra o seguinte gráfico, as doses administradas semanalmente sempre estiveram longe dos números em dois países de referência, como o Reino Unido e os Estados Unidos: lá há semanas são administradas mais de 5.000 doses diárias para cada milhão de habitantes e agora se aproximam das 8.000. Na Espanha só se chegou às 2.000 diárias no final de fevereiro e o recorde foi batido nesta semana com 4.000 por milhão.

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O que está freando a vacinação é a disponibilidade de vacinas da União Europeia. Por isso a maioria dos países da região tem ritmos semelhantes: estão administrando todas as vacinas que recebem (na Espanha, 90%, que é um dos números mais altos). O ritmo foi parecido ao da França, Itália e Alemanha, por exemplo, e mais rápido do que o dos países europeus atrasados, como a Letônia e a Bulgária.

A tendência agora é positiva. Na semana passada ocorreu uma parada porque a vacinação com a AstraZeneca foi interrompida, mas nesta semana o ritmo voltou a subir e terminou com o dobro de doses administradas. A dúvida agora é saber se essa aceleração será sustentada, se chegam mais doses e se a aceleração só foi possível porque foram acumuladas doses da AstraZeneca que não foram aplicadas.

O ritmo na América Latina

Na América Latina se destaca o caso do Chile, que está administrando quatro ou cinco vezes mais doses diárias do que os países vizinhos e já imunizou por completo 18% de sua população. O país adquiriu com muita antecipação 60 milhões de doses da Coronavac, a vacina desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac junto com o instituto Butantan, para começar a imunizar seus trabalhadores da Saúde. Sua estratégia prevê vacinar todos os adultos antes do final de junho.

A Coronavac também garante grande parte da vacinação no Brasil (90%), mas, graças a atrasos do Governo federal, que demorou para garantir a compra de doses de imunizantes como os da Pfizer, até agora o país não vacinou mais de 9% de sua população com a primeira dose. Até o dia 1º de abril, apenas 2,47% dos brasileiros haviam sido vacinados com duas doses, de acordo com os dados de um consórcio de veículos de imprensa. É um número próximo do que coleta a plataforma Nosso mundo em dados, da Universidade de Oxford, e base os quadros desta reportagem.

No restante do continente a AstraZeneca e a Pfizer dominam, ainda que outros países também tenham comprado vacinas de origem chinesa e russa. A Argentina apostou desde o começo na russa Sputnik V, da mesma forma que o México, que recentemente adquiriu por volta de 24 milhões de doses da vacina. Mas, como se vê no gráfico e com a exceção do Chile, o ritmo da vacinação avança mais lentamente do que na Europa.

As vacinas por idade

Se a primeira grande meta da vacinação foi proteger os idosos em residências geriátricas, a segunda é chegar à população idosa. Esse grupo é o mais vulnerável e sua vacinação é prioritária: na Espanha 65% de todos os mortos por covid-19 foram pessoas maiores de 80 anos, segundo dados do Instituto de Saúde Carlos III. Durante meses, a Espanha foi um dos poucos países na União Europeia a não publicar números nacionais do ritmo de vacinação por idade, mas o fez pela primeira vez na quarta-feira.

De acordo com os novos dados, na Espanha foram vacinados com pelo menos uma dose 71% dos maiores de 80 anos. Isso significa não cumprir o objetivo de vacinar 80% em março, reiterado pela ministra da Saúde, Carolina Darias, mas também coloca a Espanha acima da média na União Europeia, que segundo o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) beira os 60%. A maioria das pessoas dessa idade já tem certa imunidade e em algumas semanas estarão imunizadas.

O mesmo não ocorre com os maiores de 70, algo que se destaca na comparação por países. A Espanha se distingue porque já vacinou o grupo de 80 anos e os menores de 50 anos, mas nem tanto as pessoas de 60 a 79. Na vacinação dos idosos o país ocupa a 10º colocação; e no grupo de 25 a 49 anos é o terceiro com maior porcentagem de população imunizada (10%). Mas é o país de toda a lista que menos tem septuagenários vacinados. Apenas 3,8% das pessoas de 70 a 79 anos receberam uma dose, o que não é um décimo da Finlândia (48%) e da França (40%). Este grupo de idade é o próximo em perigo. Uma de cada cinco mortes por covid-19 na Espanha foi de pessoas de 70 anos ou mais.

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