Biden pretende recuperar a liderança climática para os EUA com um ambicioso plano de redução de emissões

Presidente norte-americano anunciará na quinta-feira em uma cúpula virtual a diminuição dos gases de efeito estufa até 2030

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.Andrew Harnik / AP

Joe Biden chega à cúpula virtual sobre o aquecimento global desta quinta-feira com a pressão do anfitrião e a de recuperar a confiança de seus pares, prejudicada pela inação da Administração de Donald Trump para deter a crise climática e sua saída das grandes iniciativas multilaterais. O mandatário democrata revelará o objetivo dos Estados Unidos na redução da emissão de gases de efeito estufa até 2030. Os cientistas e ativistas não se contentarão com um número abaixo de 50% em relação aos níveis de 2005. Segundo a imprensa local, esse é o objetivo com o qual a Casa Branca trabalha. Se for anunciado um corte dessa magnitude, quase duplicará o compromisso anterior do país e serão necessárias agressivas mudanças nos poderosos setores de energia e transporte.

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Biden tem diante de si a tarefa de se mostrar suficientemente ambicioso para contentar os progressistas de seu partido e inspirar os outros países, mas também o mais realista possível. Entre os maiores desafios aos que o mandatário enfrenta está envolver os legisladores republicanos e os trabalhadores das indústrias implicadas nos esforços. O plano deve contar com aumentos significativos em energias renováveis como a eólica e a solar e fortes cortes nas emissões de combustíveis fósseis como o carvão e o petróleo.

Algo se rompeu quando os Estados Unidos abandonaram o Acordo de Paris. O pacto, feito levando muito em consideração a margem de manobra de Washington, ficou sem a participação do segundo maior poluidor do mundo da noite para o dia porque havia chegado à Casa Branca um presidente que pensava diferente do anterior. A fragilidade do compromisso norte-americano, e sua dependência da conjuntura política, ficou evidente e a reincorporação de Biden ao acordo no primeiro dia da presidência não apagou o ceticismo de alguns líderes mundiais.

John Kerry, o enviado especial para o clima de Biden, liderou uma corrida agenda virtual e internacional para reconstruir as confianças, com visitas às principais capitais europeias, Coreia do Sul e Índia ―onde não conseguiu um compromisso concreto―. A última viagem foi na semana passada à China, o maior poluidor do mundo. Kerry foi o primeiro cargo de alto escalão da Administração de Biden a viajar ao gigante asiático desde a posse do democrata. Os dois países declararam estar “comprometidos a colaborar” na luta contra a mudança climática, tanto dentro do Acordo de Paris como em outras frentes.

Os diplomatas do Departamento de Estado incitaram os países aliados dos EUA a fazer anúncios importantes durante a cúpula virtual, segundo o The New York Times. A reunião virtual da qual participarão por volta de 40 países ocorrerá na quinta e sexta-feira e aplanará o terreno à reunião da ONU em Glasgow sobre clima (COP26) prevista para novembro. Kerry definiu a cúpula como “a bandeirada inicial à diplomacia climática” após uma “pausa” de quatro anos sob Trump. Até agora Biden assinou uma série de ordens executivas para reverter as decisões ambientais de seu antecessor. As expectativas são que a cúpula trace a agenda própria do democrata e vá além de desfazer as políticas do ex-mandatário republicano.

O secretário de Estado, Antony Blinken, afirmou na semana passada em Maryland que os EUA estão ficando para trás em relação à China, o maior produtor e exportador de painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos. “Se não nos atualizarmos, os Estados Unidos perderão a oportunidade de moldar o futuro climático do mundo de um modo que reflita nossos interesses e valores, e perderemos inumeráveis trabalhos ao povo norte-americano”, disse.

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O objetivo de cortes de emissões de carbono até 2030 é uma aresta da agenda climática de Biden. O programa eleitoral do democrata incluía um plano de investimentos limpos de dois trilhões de dólares (11 trilhões de reais) para ajudar a fazer com que os EUA consigam as emissões líquidas zero em 2050, o que significa que a economia norte-americana só poderá soltar na atmosfera a quantidade de gases de efeito estufa que seja capaz de absorver. Também promete uma geração elétrica 100% livre de emissões em 2035.

Para concretizar seus planos ambientais, Biden precisa do apoio dos republicanos. Alguns congressistas conservadores veem a redução das emissões dos EUA como um projeto contraproducente. Argumentam que o plano aumentaria os custos de energia e acabaria com milhões de empregos ao mesmo tempo em que permitiria a potências como a Rússia e a China aumentar as emissões de gases de efeito estufa. “A Administração Biden estabelecerá objetivos de punição aos Estados Unidos, enquanto nossos adversários manterão o status quo. Isso não resolverá a mudança climática”, alertou o senador John Barrasso, o principal republicano do Comitê de Energia do Senado.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que a cúpula virtual contará com “sessões de trabalho” nas quais se abordará a inovação tecnológica, a criação de emprego e as formas de pagar as reformas de grande alcance necessárias para deter a crise climática.

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