Bolsonaro é o último presidente do G20 a parabenizar Biden: “Pronto a trabalhar com o novo governo”

Um dia após o Colégio Eleitoral sacramentar a derrota de Trump, mandatário brasileiro saúda o presidente eleito. Vladimir Putin, presidente russo, e López Obrador, mexicano, chegaram antes

Bolsonaro recebe uma pintura durante visita à Ceagesp, em São Paulo, nesta terça-feira.
Bolsonaro recebe uma pintura durante visita à Ceagesp, em São Paulo, nesta terça-feira.Sebastiao Moreira (EFE)
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Jair Bolsonaro prometeu e cumpriu: só reconheceria o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden. ao fim do processo eleitoral. Um dia depois de o Colégio Eleitoral referendar a eleição do candidato do Partido Democrata, o presidente brasileiro enviou uma mensagem a Biden e publicou em seu perfil no Twitter as felicitações. “Saudações ao Presidente @JoeBiden, com meus melhores votos e a esperança de que os EUA sigam sendo ‘a terra dos livres e o lar dos corajosos”.

O amigo de Donald Trump ―como o próprio Bolsonaro fez questão de se qualificar mais de uma vez― disse ainda que estará “pronto a trabalhar com o novo governo e dar continuidade à construção de uma aliança Brasil-EUA, na defesa da soberania, da democracia e da liberdade em todo o mundo, assim como na integração econômico-comercial em benefício dos nossos povos”. O presidente brasileiro havia dito no dia da votação do segundo turno das eleições municipais brasileiras, em 29 de novembro, que ouvira de suas fontes que “teve muita fraude lá” nas eleições norte-americanas, e que, portanto, preferia esperar o resultado final do pleito.

Pois nem o Departamento de Justiça dos EUA encontrou motivos para questionar o resultado da eleição ―o secretário de Justiça William Barr deixou o cargo nesta segunda-feira por divergências com Trump, inclusive―, nem a Suprema Corte viu indícios para dar prosseguimento às alegações republicanas de fraude. Nada disso foi o bastante para que o presidente cessante Donald Trump abandone as acusações de que sua reeleição foi roubada, mas Bolsonaro, enquanto presidente de uma nação que tem interesses relevantes com os Estados Unidos, chegou ao seu limite. “Da minha parte, e da parte dele [Biden] com toda certeza ―o americano é pragmático―, nós vamos fazer um trabalho de cada vez mais aproximação”, disse durante uma entrevista ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro, comandado pelo chanceler Ernesto Araújo, se limitou a reproduzir os tuítes de Bolsonaro em sua nota à imprensa com os cumprimentos de Bolsonado a Biden. “Eu espero que tudo dê certo com o Biden, agora, já que os delegados reconheceram lá que ele realmente foi eleito”, disse Bolsonaro durante sua entrevista à Band. “Não vamos discutir mais a questão se houve ou não uma eleição tranquila. Não cabe mais eu falar absolutamente mais nada. Esperei o reconhecimento e nós aqui já fizemos o comunicado, agora há pouco, ao presidente Joe Biden”, completou.

O reconhecimento do resultado por Bolsonaro veio até mesmo depois que o do presidente russo, Vladimir Putin, que também aguardava a votação do Colégio Eleitoral, mas felicitou o presidente eleito dos Estados Unidos mais cedo, nesta terça-feira. O mesmo fez o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que mandou uma carta a Biden no início do dia. O Brasil foi, assim, o último dos países que integram o G20, o grupo dos países com as maiores economias do mundo, a reconhecer o resultado das eleições dos Estados Unidos. A China, por exemplo, o fez no dia 13 de novembro, há pouco mais de um mês ―e duas semanas após Biden fazer seu discurso de vitória.

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