Eleições EUA 2020

Colégio Eleitoral confirma a vitória de Joe Biden nas presidenciais dos Estados Unidos

Congresso certificará o resultado em uma sessão em 6 de janeiro e o democrata tomará posse no dia 20

Lisa Hamm, de 61 anos, exibe um cartaz de apoio ao Colégio Eleitoral em frente ao Capitólio de Lansing, a capital do Michigan.
Lisa Hamm, de 61 anos, exibe um cartaz de apoio ao Colégio Eleitoral em frente ao Capitólio de Lansing, a capital do Michigan.Elaine Cromie / AFP

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Joe Biden será o próximo presidente dos Estados Unidos. Os membros do Colégio Eleitoral votaram nesta segunda-feira e confirmaram a vitória do democrata nas eleições presidenciais de 3 de novembro. O procedimento, que em circunstâncias normais passaria despercebido, marca o golpe de misericórdia na cruzada que Donald Trump e seus aliados embarcaram para tentar conservar a Casa Branca lançando um arsenal de denúncias infundadas de fraude que a Justiça rejeitou. O Congresso deverá apurar e certificar esse resultado em uma sessão no dia 6 de janeiro e, no dia 20, Biden tomará posse. Após o fracasso nos tribunais, só resta aos acólitos do presidente republicano um ato no Capitólio para prolongar o drama, mas o fim já está escrito.

Às 17h30, horário de Washington DC (19h30 em Brasília), os eleitores da Califórnia deram seus votos e confirmaram que Biden já havia ultrapassado os 270 votos necessários para ser o vencedor. A sala explodiu em aplausos. “Se alguém duvidava antes, agora sabemos. O que palpita no fundo dos corações do povo americano é isto: democracia. O direito de ser ouvido. De que seu voto seja contado. De eleger os líderes da nação”, diz Biden no discurso preparado para o final do dia e distribuído à imprensa algumas horas antes. “Nesta batalha pela alma dos Estados |Unidos, a democracia prevaleceu. Nós, o povo, votamos. A fé nas instituições foi mantida. A integridade de nossas eleições permanece intacta. Então, agora é a hora de virar a página. De nos unirmos. De curar”, acrescentou.

A tensão em torno do dia aflorou em lugares como Michigan, onde os membros do Colégio Eleitoral foram votar escoltados pela polícia, assim como no Arizona, onde planejaram fazer isso em um local secreto para evitar alvoroço. E também na conta de Twitter de Trump, que nesta segunda-feira continuou a lançar acusações de irregularidade eleitoral. O republicano pressionou até o último momento as autoridades desses e de quatro outros Estados (Pensilvânia, Wisconsin, Geórgia e Nevada) para que violassem a vontade expressa nas urnas e nesta segunda-feira lhe concedessem a reeleição. São Estados que ele conquistou em 2016 e, desta vez, elegeram seu rival democrata.

Nas eleições presidenciais dos Estados Unidos o voto individual de cada cidadão é conhecido como voto popular e não serve para eleger o candidato diretamente, mas para designar um conjunto de delegados, os membros do Colégio Eleitoral. No total, são 538 em todo o país: 100 senadores (dois para cada um dos 50 Estados), além de outros 435 que se distribuem entre os Estados com base em seu peso no Congresso (a Califórnia, que é o maior, tem 55) e os 3 do Distrito de Columbia (DC). Na maioria das unidades da federação, exceto Maine e Nebraska, a escolha é por meio de um sistema majoritário (conhecido em inglês como winner-takes-all). pelo qual quem obtém a maioria dos votos populares no Estado, mesmo que seja por uma diferença mínima, leva todos os delegados. Para vencer, são necessários 270 votos eleitorais. Biden alcançou 306 (com uma vantagem de 7 milhões de votos populares) e Trump ficou com 232.

Estes são os delegados que votaram nesta segunda-feira. O que Trump e seus aliados tentaram é que as autoridades republicanas dos Estados em que ele perdeu em uma votação apertada ignorassem o voto popular e designassem seus próprios delegados, para que nesta segunda-feira não votassem em Biden. Era forçar uma situação sem saída.

O próprio Departamento de Justiça de seu Governo afastou, após investigação própria, a possibilidade de existência de uma grande fraude capaz de reverter os resultados eleitorais. Uma série de juízes em diferentes Estados também rejeitou as acusações. E a Suprema Corte interrompeu uma das últimas tentativas na sexta-feira passada, ao decidir contra uma ação iniciada no Texas. Agora, os Estados enviarão suas cédulas autenticadas ao Capitólio em Washington. Uma sessão conjunta do Senado e da Câmara dos Representantes marcada para 6 de janeiro contará e revisará os votos eleitorais certificados. Com o vencedor declarado oficialmente, restará apenas a posse de Biden, no dia 20 do mesmo mês.

A última vez em que a votação do Colégio Eleitoral havia despertado tanta expectativa foi em 2000, após a disputa entre o democrata Al Gore e o republicano George W. Bush pelos votos da Flórida. Mas então, após a decisão da Suprema Corte favorável a Bush, Gore já havia aceitado a vitória de seu rival. Trump não fez o mesmo e alguns republicanos estão dispostos a usar o último recurso do Congresso.

De acordo com The New York Times, na vanguarda da última tentativa está o congressista republicano Mo Books, do Alabama, que planeja questionar os resultados do Arizona, Pensilvânia, Nevada, Geórgia e Wisconsin. Neste domingo, em sua conta no Twitter, ele mostrou sua posição: “O Congresso é o árbitro final sobre quem ganha as eleições presidenciais, não o Supremo Tribunal Federal. Os pais fundadores dos Estados Unidos não queriam que juízes ditatoriais e não eleitos tomassem essas decisões. O sistema judicial não está preparado nem tem o poder de decidir eleições questionadas”, escreveu ele.

Uma iniciativa dessa natureza também não mostra sinais de prosperar, pois isso iria requerer um acordo das duas Casas, a Câmara dos Representantes (de maioria democrata) e o Senado. Na ausência de qualquer margem legal, de qualquer possível encenação no Capitólio, as instituições superaram a pressão de Trump, que tentou ganhar nos tribunais o que os norte-americanos lhe negaram nas urnas e, ao longo do caminho, deixou milhões de seus eleitores convencidos de que os democratas roubaram as eleições.

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