Eleições EUA 2020

China parabeniza Biden, que tem vitória confirmada no Arizona quase uma semana depois de eleito

Anúncio foi feito pela chancelaria de Pequim após a imprensa dos EUA confirmar a vitória do novo presidente no Estado, a primeira de um democrata desde 1996

O porta-voz da chancelaria chinesa, Wang Wenbin, em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira em Pequim.
O porta-voz da chancelaria chinesa, Wang Wenbin, em uma entrevista coletiva nesta sexta-feira em Pequim.Liu Zheng / AP

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A China enviou nesta sexta-feira suas felicitações ao presidente-eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, e à futura vice-presidenta, Kamala Harris, uma semana depois de ambos pronunciarem seu discurso de vitória nas eleições norte-americanas. Com sua mensagem, Pequim se soma a Governos como os do Reino Unido, Alemanha, Japão e Coreia do Sul, que já tinham congratulado a dupla democrata.

“Respeitamos a escolha do povo norte-americano e transmitimos nossas felicitações ao senhor Biden e à senhora Harris”, declarou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Wang Wenbin, na entrevista coletiva diária do seu departamento. “Entendemos que o resultado eleitoral será decidido segundo as leis e procedimentos norte-americanos”, acrescentou.

No sábado passado, Biden já considerou ter os votos suficientes no Colégio Eleitoral norte-americano para se proclamar presidente, depois que vários veículos de comunicação do seu país o declararam ganhador. Mas o atual inquilino da Casa Branca, Donald Trump, não aceitou a derrota e quis interpor ações judiciais sobre supostas irregularidades na apuração de vários Estados, especialmente Pensilvânia e Geórgia.

Ao longo de toda esta semana, a China tinha evitado se pronunciar sobre essas eleições, à espera de serem anunciados os resultados definitivos. Finalmente o fez depois que o Arizona caiu definitivamente para o lado democrata, já que a vantagem de Biden na apuração é maior que o número de votos que restam por contar. A vitória no Arizona terminava de assegurar o triunfo do democrata. Com os representantes no Colégio Eleitoral desse Estado, o futuro presidente já não precisa dos votos eleitorais da Pensilvânia nem da Geórgia para atingir o mínimo de 270 necessários para a sua confirmação.

O resultado do Arizona foi projetado na noite de quinta por todos os grandes veículos de imprensa. A margem é mínima, 0,36 ponto percentual, o que se traduz em apenas 11.000 votos de diferença de um total de 3,3 milhões. Entretanto, os modelos matemáticos da NBC, CNN e The New York Times consideraram que a tendência torna impossível que Donald Trump reverta o resultado. Associated Press, The Wall Street Journal e Fox News já haviam dado o Arizona para Biden na noite eleitoral, mas a apertadíssima margem de votos impedia o consenso até agora.

O Arizona tem 11 votos no Colégio Eleitoral. Com a vitória nesse Estado, Biden já alcança os 290, mesmo faltando ainda a decisão oficial dos votos da Geórgia e Carolina do Norte. Se a tendência se mantiver, Biden acabará com 306 votos eleitorais, contra 232 de Trump.

Joe Biden é o primeiro democrata a vencer no Arizona desde 1996. Naquela ocasião, Bill Clinton conquistou esse Estado tradicionalmente republicano, terra de Barry Goldwater, mas só porque terceiro candidato, Ross Perot, dividia o voto republicano. Antes de Clinton, o último democrata a vencer no Arizona havia sido Harry Truman em 1948.

A luta da liderança mundial entre as duas potências

A China teve muito cuidado em evitar se posicionar nas eleições norte-americanas. Aos olhos do seu Governo, os Estados Unidos são uma potência em decadência que quer evitar a todo custo ser superada pelos chineses. Por isso Pequim acredita que, independentemente do vencedor, Washington manterá essa política.

Embora durante o mandato de Trump as relações bilaterais entre as duas grandes potências mundiais tenham caído ao seu nível mais baixo em quatro décadas, alguns setores em Pequim não viam com maus olhos a reeleição do republicano. Sua política de enfrentamento com seus aliados e de retirada das instituições multilaterais, opinam, deixou no cenário global um vácuo que a China pode ocupar, além de contribuir para acelerar a ascensão do país asiático.

Biden, conforme consideram diversos analistas chineses, pode introduzir mudanças cosméticas na relação para paliar a deterioração sofrida nos dois últimos anos do mandato de Trump, talvez renegociando o acordo que pôs fim à guerra comercial entre os dois países. Mas é mais provável, opinam, que o novo presidente possa criar um frente com outros países para rebater a pujança da China.

O respeitado ex-ministro de Finanças chinês Lou Jiwei, atualmente membro de um órgão assessor do Parlamento, reiterava nesta sexta-feira essa posição. “Mesmo que Biden seja eleito, será inevitável que os Estados Unidos (tentem) frear a China”, declarava o político, citado pela Reuters.

Lou pediu pragmatismo na relação comercial das duas maiores potências econômicas do mundo e observou que é difícil que os Estados Unidos possam reduzir seu déficit comercial – a origem da disputa entre os dois países –, dada a posição do dólar como a divisa global dominante. “Depois de quatro anos, o déficit comercial (com a China) continua subindo. Precisamos voltar ao sentido comum e à ciência. Todo mundo precisa ser razoável”, acrescentou.

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