EUA punem Carrie Lam e outros 10 funcionários de alto escalão por enfraquecer a autonomia de Hong Kong

Washington aumenta o confronto comercial e geoestratégico com a China

A chefa do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, durante uma entrevista coletiva na sexta-feira 7 de agosto.
A chefa do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, durante uma entrevista coletiva na sexta-feira 7 de agosto.Vincent Yu (AP)
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Chinese President Xi Jinping votes on a proposal to draft a security law on Hong Kong during the closing session of the National People's Congress at the Great Hall of the People in Beijing on May 28, 2020. - China's rubber-stamp parliament endorsed plans May 28 to impose a national security law on Hong Kong that critics say will destroy the city's autonomy. (Photo by NICOLAS ASFOURI / AFP)
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Los delegados aplauden al presidente chino, Xi Jinping, y el primer ministro Li Keqiang en la sesión de clausura de la Asamblea Popular Nacional de China, el 28 de mayo en Pekín.
China enfrenta quase todos, apesar da pandemia
U.S. President Donald Trump attends a news conference in the Rose Garden at the White House in Washington, U.S., July 14, 2020. REUTERS/Jonathan Ernst
Em golpe contra a China, Trump anuncia fim do tratamento especial a Hong Kong

O Governo dos Estados Unidos impôs sanções a 11 funcionários de alto escalão de Hong Kong, incluindo a chefa do Executivo, Carrie Lam, por enfraquecer a autonomia do território e impedir a liberdade de expressão para sua população, através da nova lei de segurança nacional promulgada há um mês por Pequim. O Departamento do Tesouro anunciou na sexta-feira que o presidente, Donald Trump, assinou uma ordem executiva em que se ordena o congelamento de todos os ativos que esses funcionários têm nos Estados Unidos e impede os norte-americanos de realizar transações com os penalizados. 

O Parlamento chinês aprovou em junho um novo mandato sobre segurança para o território, como resposta aos protestos maciços nos últimos meses. A medida pune com prisão perpétua quem participar em atividades “sediciosas”, “terroristas” e “subversivas” e entrega ao Governo Central chinês as operações de segurança no enclave, antiga colônia britânica, que foi devolvido à China em 1997 sob um marco de liberdades e autonomia que deveria ser respeitado por Pequim até 2047. A nova lei também pune qualquer tentativa de separar Hong Kong da China. Diante desse novo cenário, Washington começou a tomar medidas para evitar que as novas disposições de segurança recrudesçam no território. 

“A recente imposição de uma draconiana lei de segurança nacional em Hong Kong não só minou a autonomia de Hong Kong, como infringiu os direitos de sua população, ao permitir que os serviços de segurança da China continental possam operar com impunidade na região”, comunicou o Tesouro norte-americano em uma nota. A Administração Trump também diz que a China está tentando minar os processos democráticos, se referindo indiretamente ao adiamento das eleições legislativas em Hong Kong previstas para 6 de setembro, mas que foram adiadas em um ano sob o argumento de que não é possível realizá-las com segurança pela pandemia do coronavírus. 

“Os Estados Unidos apoiam o povo de Hong Kong e utilizaremos nossas ferramentas e autoridade para combater os que minam sua autonomia”, disse o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin. Além de Lam, o Tesouro também puniu Chris Tang, chefe da polícia de Hong Kong, e John Lee, secretário do Governo para segurança. Vários membros do Partido Comunista Chinês também foram incluídos na lista, como Xia Baolong, diretor do escritório para Hong Kong e Macau do Conselho de Governo chinês e Luo Huining, diretor do principal escritório do Governo chinês em Hong Kong. 

As sanções de sexta-feira se somam às assinadas por Trump em 14 de julho para retirar o tratamento preferencial à antiga colônia britânica. Desse modo, os Estados Unidos já não dariam “privilégios especiais e exportação de tecnologia” a Hong Kong, uma vez que com a lei de segurança o território já não seria considerado autônomo. Essa medida significa um golpe a um dos centros financeiros mais importantes do mundo, mas produz efeito duplo ao também afetar os interesses econômicos da China. 

O confronto entre Pequim e Washington recrudesce a cada dia e se diversificou em diversas frentes, no que se desenha como uma nova Guerra Fria. Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos condenam a pressão da China sobre Hong Kong e impõem sanções aos seus funcionários, também anunciaram na sexta-feira a proibição de duas plataformas tecnológicas em seu território: o TikTok e o WeChat. Os EUA os acusam de roubar a informação de seus usuários para entregá-la ao Governo chinês e lhes deu um ultimato de 45 dias. Além disso, mantêm tensões na diplomacia pela prisão de vários chineses acusados de espionagem e o fechamento do consulado da China em Houston (Texas) há duas semanas, o que causou medidas semelhantes por parte de Pequim. 

Trump recorre regularmente aos seus ataques à China em suas aparições públicas e fala com dureza sobre seus líderes. Também afirma frequentemente que a pandemia do coronavírus foi provocada pelo país asiático. Alguns veículos de imprensa nos EUA, como o The New York Times, dizem que o faz com a intenção de fortalecer sua campanha de reeleição, ao se colocar na ofensiva com o Governo de Xi Jinping e ao evitar abordar outros assuntos de interesse local. 

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