Presidente peruano troca mais da metade de seu gabinete em meio à pandemia

Martín Vizcarra nomeia 11 novos ministros, incluindo o da Saúde, à procura de um choque de gestão diante da crise imposta pelo coronavírus

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, em foto de 5 de julho.
O presidente do Peru, Martín Vizcarra, em foto de 5 de julho.Europa Press
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People wearing face masks to protect against the coronavirus wait to cross an intersection in the central business district in Beijing, Wednesday, July 15, 2020. China is further easing restrictions on domestic tourism after reporting no new local cases of COVID-19 in nine days. (AP Photo/Mark Schiefelbein)
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Medical staff wait for COVID-19 patients brought from nearby communities, at a port in the Amazon River, in Iquitos, Loreto region, Peru, on June 18, 2020, to transfer them to the regional hospital in the city. - People infected with the new coronavirus are taken to Iquitos from remote communities by riverboat and even using hydroplanes, as the outbreak expands in several adjacent provinces, separated by the rivers. Peru surpassed 240,000 cases of COVID-19 and follows Brazil in the most number of cases in Latin America and is seventh in the world, surpassing Italy, the Peruvian Ministry of Health reported. (Photo by Cesar Von BANCELS / AFP)
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O presidente peruano, Martín Vizcarra, revolucionou seu Governo nesta quarta-feira em busca de um choque de gestão pela emergência sanitária que foge do controle das autoridades. O mandatário substituiu 11 ministros dos 19 que formam seu gabinete. Entre eles, designou um novo presidente do Conselho de Ministros, Pedro Cateriano, e nomeou a neurologista Pilar Mazzetti à frente do Ministério da Saúde enquanto a propagação da covid-19 não para. O Executivo pretende recuperar a economia ―mais de 2,3 milhões de pessoas perderam o emprego em Lima durante a quarentena― e melhorar a gestão dos serviços públicos. Dezenas de milhares de pessoas se expõem ao contágio no transporte público e os hospitais, incluindo os privados, já não têm leitos de UTI disponíveis. 

O Peru é o segundo país mais afetado pelo coronavírus na América do Sul, depois do Brasil, com mais de 12.200 mortos pela doença e 333.867 infectados. É, além disso, o país com maior aumento no número de mortes no mundo, se for comparada a quantidade de falecimentos de maio, junho e julho deste ano com o mesmo período de 2019. Os peruanos ficaram 107 dias em quarentena e em meados de junho o Instituto Nacional de Estatística e Informática calculou que o PIB havia caído 40% em abril, quando as medidas de confinamento incluíam o confinamento obrigatório e o toque de recolher. Desde 1º de julho, seis das 24 regiões mantêm o isolamento e das 22h às 4h não se pode sair às ruas em todo o país. 

Vizcarra, entretanto, manteve no cargo a ministra da Economia, María Antonieta Alva; e os ministros da Educação, Defesa, Mulher e Populações Vulneráveis, Cultura e Agricultura. Além disso, enviou os ex-ministros da Produção e dos Transportes a outras pastas: Comércio Exterior e Moradia, respectivamente. 

O chefe de Estado também nomeou uma nova ministra de Inclusão e Desenvolvimento Social, um cargo crucial na quarentena e nos próximos meses, pelas deficiências na entrega de subsídios aos setores vulneráveis e rurais durante os meses de confinamento. As autoridades reconheceram que não haviam identificado com certeza todas as pessoas, não chegaram a todos os que necessitavam e pagaram erroneamente a quem não requisitou a ajuda. O pagamento de subsídios também contribuiu para multiplicar os contágios de indígenas na região amazônica porque os funcionários das empresas de transporte não aplicaram medidas sanitárias na entrega do dinheiro. 

O impacto da pandemia no Peru se refletiu na cerimônia de posse no Palácio do Governo. A nova ministra do Turismo prestou juramento de sua casa, onde está finalizando a quarentena pois se infectou com o coronavírus, e o presidente se comunicou com ela através de um tablet colocado perto do crucifixo e da bíblia usada no protocolo. Vizcarra agradeceu aos funcionários que deixaram o cargo e disse que manterá esse gabinete até entregar o mandato ao próximo Governo em julho de 2021. Também disse que continuará com “a luta contra a pandemia, com o maior esforço e energias renovadas”, e mencionou que o outro desafio será “aprofundar medidas à reativação econômica cuidando ao mesmo tempo da saúde dos peruanos”. 

O mandatário mencionou como terceira prioridade para o último ano a melhora da qualidade institucional e o fortalecimento da democracia “visando as eleições” de abril. O Congresso evitou proibir que sejam candidatos os condenados por crimes em primeira instância e aprovou medidas populistas desde o início das funções em março. Vizcarra não possui representação política no Legislativo e a presença de Cateriano no gabinete pode se dever a esse fator, por se tratar de um ex-primeiro-ministro experiente no debate político com a oposição, especialmente contra o fujimorismo e setores conservadores. A nova equipe de Governo também se caracteriza por uma orientação favorável aos setores empresariais.  

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