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Itália se prepara para isolar 16 milhões de pessoas no norte do país pelo coronavírus

Medida, estudada pelo Governo de Giuseppe Conte, afetaria a região da Lombardia e outras 11 províncias próximas

Dois policiais locais em um posto de controle em um município em quarentena na zona vermelha da Lombardia, em 25 de fevereiro.
Dois policiais locais em um posto de controle em um município em quarentena na zona vermelha da Lombardia, em 25 de fevereiro.Virginia Hebrero (EFE)

Diante da piora do surto de coronavírus na Itália, em particular no norte, o Governo estuda tomar medidas drásticas e isolar toda a região da Lombardia e outras 11 províncias das regiões do Piemonte, Emilia Romagna e Vêneto. O fechamento, que está no rascunho de um novo decreto lei estudado pelo Executivo de Giuseppe Conte e publicado pela imprensa italiana, afetará 16 milhões de pessoas, das quais 10 milhões residem na Lombardia, a zona com maior número de contágios, 2.742. Os outras seis milhões, de acordo com a imprensa italiana, seriam os moradores das províncias de Módena, Parma, Piacenza, Reggio Emilia, Rimini, Pésaro e Urbino, Veneza, Pádua, Treviso, Asti e Alessandria.

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Temor nos EUA de que a expansão do coronavírus seja maior do que a indicada pelos dados oficiais

Em todos esses lugares, ficará completamente proibida qualquer entrada e saída e os deslocamentos dentro desses territórios, com exceção das pessoas que possuam uma autorização por motivos de trabalho e de urgência, pelo menos até 3 de abril. Até agora, as regiões que estavam em isolamento afetavam somente 10 localidades da Lombardia e uma do Vêneto, nas quais vivem 50.000 habitantes. A blindagem dessas cidades em teoria acabava no domingo, mas agora deverá ser prolongada. O Governo também recomenda “firmemente” aos que mostrarem sintomas de complicação respiratória e febre (com mais de 37,5°) que não saiam de casa e limitem ao máximo todos os contatos sociais. Além disso, a nova lei contempla o fechamento de todas as academias, balneários e piscinas das regiões afetadas. O isolamento, de acordo com o rascunho, entraria em vigor no domingo e seria mantido pelo menos até 3 de abril.

Os hospitais da Lombardia, lotados pelo surto de coronavírus, estão em uma situação limite. A imensa maioria dos doentes graves está concentrada nessa região. Nos dois últimos dias, mais de 100 pacientes precisaram ser enviados às unidades de cuidados intensivos. As associações de trabalhadores dessas unidades especiais fizeram um pedido dramático às autoridades através de um comunicado emitido na tarde de sábado: “Trabalhamos com grande esforço para atender aos pacientes graves e muito graves, cujas vidas dependem de um número limitado de equipamentos tecnologicamente complexos. É absolutamente necessária a adoção imediata de medidas drásticas destinadas a reduzir os contatos sociais e úteis para conter a epidemia”. E concluíram: “Na ausência de disposições oportunas e adequadas, seremos obrigados a enfrentar um evento que só podemos chamar de desastre sanitário”.

Entre outras medidas, o novo decreto também contempla o fechamento de todos os museus e centros culturais das novas áreas de isolamento, e a suspensão de todas as manifestações e eventos públicos que signifiquem aglomerações de pessoas. Os eventos esportivos também ficam suspensos, ainda que em alguns casos as autoridades poderão dar um salvo-conduto para que algumas partidas sejam disputadas de portões fechados. Os bares, restaurantes e negócios têm permissão de abrir, desde que possam garantir que há espaço suficiente para que as pessoas mantenham um mínimo de um metro de distância entre elas, para evitar o contágio. Se essas condições não forem cumpridas se arriscam a sanções e suspensão da atividade comercial pelas autoridades. Os shoppings deverão fechar nos finais de semana. Além disso, como está no rascunho do decreto do Governo publicado pelo jornal La Repubblica, todas as cerimônias civis e religiosas estão suspensas, incluindo os funerais.

O Governo também está trabalhando com urgência para reforçar a saúde pública. Em todo o território nacional, somente no último dia o número de pacientes afetados pelo Covid-19 internados em hospitais passou de 2.394 a 2.651. Na Lombardia, o número de internados na sexta-feira subiu em somente 24 horas de 1.169 a 1.622 pessoas. Esses dados não querem dizer, de qualquer modo, que são centenas de novos internados diários, uma vez que uma parte dos positivos são pessoas que já estavam internadas afetadas, em sua maioria, por pneumonia e outras doenças respiratórias nas quais foram realizados testes do coronavírus. Mas o protocolo de saúde mudou.

Na madrugada anterior, de sexta a sábado, o Executivo aprovou um novo decreto lei, cujo texto definitivo ainda não foi publicado, que contém medidas adicionais de emergência como contratações maciças de trabalhadores da área da saúde: 20.000 no total, entre médico, enfermeiros e auxiliares, de acordo com a imprensa local que teve acesso ao rascunho da lei. Além disso, o Governo dá sinal verde à contratação de especialistas e outros profissionais da saúde, sem concurso público, o que permitirá a incorporação de voluntários, aposentados da área e médicos residentes.

A equipe de Giuseppe Conte também aprovou a compra de materiais, máquinas e estrutura para ampliar em 50% os postos de cuidados intensivos dos hospitais de todo o país. Atualmente, 567 pacientes estão internados com coronavírus nessas unidades especiais [em todo o país há 5.090 leitos de cuidados intensivos entre hospitais públicos e privados]. Também planeja dobrar o número de vagas dos departamentos de pneumologia e doenças infecciosas, para poder combater o crescente número de pessoas com coronavírus que precisam de hospitalização.

Para deter o ritmo de contágio, o Governo aprovou limitar a atividade da Justiça até 31 de maio. Isso significa o adiamento de todos os trabalhos menos urgentes. As únicas exceções serão as audiências à validação de prisões e detenções, demandas com menores e situação em que o adiamento poderia colocar em perigo a segurança e os interesses das pessoas envolvidas.

O coronavírus também avançou à primeira linha da política. Nicola Zingaretti, o líder do Partido Democrata (PD), que governa em coalizão com o Movimento 5 Estrelas (M5S) e presidente da região de Lazio, da qual Roma é a capital, está infectado com o vírus, como ele mesmo anunciou por um vídeo nas redes sociais. Zingaretti afirmou que está em isolamento domiciliar. Seus colaboradores precisarão se submeter a controles. Além disso, as sedes do partido e as da região de Lazio deverão ser desinfectadas.

Na Lombardia, a região mais atingida pelos contágios, toda a junta regional está isolada após um caso positivo entre os funcionários. E foi contaminada Patrizia Barbieri, prefeita de Piacenza, na Emilia Romagna, outra das regiões mais afetadas.

O coronavírus também mudará a agenda do papa Francisco, que realizará a missa do Angelus de domingo e a catequese da audiência geral da próxima quarta-feira – seus dois compromissos semanais fixos – de portas fechadas, na biblioteca do Palácio Apostólico. Serão transmitidos em vídeo. A Santa Sé tomou essa decisão excepcional seguindo as disposições das autoridades italianas que proibiram os eventos que podem causar aglomerações e um dia depois de ser registrado o primeiro caso de coronavírus na Cidade do Vaticano. Até 15 de março, o Pontífice realizará a habitual missa matinal em sua residência de Santa Marta sem a presença de fiéis.

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